Iniciativas focam em tecnologia, escuta ativa e estratégias de prevenção a violações
Em menção ao Junho Violeta, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos realiza em todo o Rio de Janeiro, uma série de ações de conscientização sobre a violência contra a pessoa idosa. Com foco na escuta ativa e no uso de ferramentas tecnológicas como estratégia de prevenção, a Superintendência de Políticas para a Pessoa Idosa alia inovação e participação social, promovendo capacitação técnica e a realização de pesquisas diretamente com esse público, identificando vulnerabilidades e desafios enfrentados no cotidiano. Entre os principais pontos de atenção, destacam-se os golpes virtuais e as fraudes financeiras, que têm atingido de forma crescente essa população.
Gelcimar da Silva Cruz quase foi vítima de um dos golpes mais populares, onde um falso parente liga pedindo ajuda em dinheiro. No caso da aposentada, um criminoso fingiu ser o filho e pediu para que ela efetuasse uma transferência bancária.
Ligaram para a minha casa e, quando atendi, o rapaz me chamou de mãe, e disse que precisava muito que eu fizesse um depósito para ele. Meu filho tem uma loja, ainda assim, achei estranho. Quando olhei a foto de perfil, era muito antiga, de quando meu filho estava no quartel e o número também estava diferente contou Gelcimar.
A aposentada, na mesma hora, estranhou a situação e resolveu entrar em contato com o filho.
Meu filho e eu moramos no mesmo quintal. Ele tinha acabado de sair da minha casa; praticamente, estava no portão. Eu o chamei e perguntei se ele havia trocado o número do celular. Meu filho negou, então mostrei a foto e o número de quem tinha feito a chamada e percebemos que era um golpe lembrou a aposentada.
Segundo o Dossiê da Pessoa Idosa, de 2024, o estelionato é um dos crimes mais praticados contra idosos. O levantamento apontou que 84% dos casos acontecem no período diurno, principalmente, às terças e quintas-feiras. O mesmo estudo também revelou um aumento nos casos de violência, quase 200 pessoas idosas foram vítimas de maus tratos no Rio de Janeiro, e mais da metade dos casos ocorreram no ambiente familiar.
Os dados mostram que a violência, especialmente por meio de golpes e fraudes, tem se intensificado e, muitas vezes, passa despercebida. Ao mesmo tempo, a tecnologia pode ser tanto uma ferramenta de inclusão quanto um fator de risco. Por isso, essa campanha nasce com o compromisso de ampliar a informação e garantir que as equipes técnicas dos municípios e também as pessoas idosas, estejam preparadas para usar esses recursos com segurança, reconhecendo ameaças e se protegendo de golpes que estão cada vez mais sofisticados pontuou a superintendente de Políticas para a Pessoa Idosa, Loana Saldanha.
As ações, iniciadas ainda em maio, já foram realizadas nos municípios de Mendes, São Francisco de Itabapoana, Aperibé, Nova Iguaçu, Porciúncula, Araruama e Arraial do Cabo promovendo a integração entre diferentes territórios e ampliando o alcance do debate. A campanha alerta também sobre a violência contra a pessoa idosa ser subnotificada e frequentemente invisibilizada, em razão de fatores como dependência emocional, isolamento social e dificuldade de acesso a canais de denúncia. Ao integrar tecnologia, escuta qualificada e participação ativa, o projeto busca ampliar a conscientização, fortalecer vínculos comunitários e incentivar o protagonismo das pessoas idosas na construção de soluções.
Direito de continuar sonhando
Um dos destaques da iniciativa é a dinâmica “Pelo direito de continuar sonhando”, onde os participantes são convidados a refletir a partir da pergunta “Qual sonho você ainda quer realizar?”. As respostas ganham forma por meio de experiências com realidade virtual, proporcionando vivências simbólicas que reforçam a autonomia, a autoestima e o direito de sonhar em todas as fases da vida. Outro destaque é a troca de cartas entre pessoas idosas de diferentes municípios, fortalecendo uma rede de afeto, escuta e identificação. A atividade aproxima realidades distintas e evidencia que muitas vivências são compartilhadas, reforçando a importância do cuidado coletivo.
Criar espaços de reflexão e troca, durante os encontros, é proporcionar a cada participante acolhimento e um ambiente seguro para compartilharem experiências e fortalecerem a autonomia. Nosso objetivo é ajudar cada pessoa idosa a identificar vulnerabilidades e perceber que devem ser respeitadas em todas as fases da vida destacou a superintendente de Políticas para a Pessoa Idosa, Loana Saldanha.
A proposta também prevê a expansão das atividades para outros municípios do estado, com foco em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), centros de convivência e demais espaços que atendem a população idosa em situação de vulnerabilidade. Mais do que uma campanha, a iniciativa se consolida como uma estratégia de mobilização social, inovação e valorização da experiência de vida, contribuindo para o fortalecimento das redes de cuidado e proteção à pessoa idosa.
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