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Guerra e fome

Ataualpa A. P. Filho - professor

Foto: Pixabay
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“A única verdadeira felicidade da vida é a satisfação que se tira do bem que se faz”. Essa frase retirada do livro “Guerra e Paz” do escritor russo Liev Tolstói serve para conduzir a nossa reflexão, uma vez que, por meio dela, é possível visualizar a infelicidade dos senhores da guerra. Não acredito que alguém possa se sentir feliz diante das consequências de um conflito bélico. Parto, portanto, dessa infelicidade de quem produz tanta destruição na vida de um povo. São chagas profundas, traumas intergeracionais inesquecíveis que ficam registrados na história de uma nação. Às vezes, é possível fazer a reconstrução das edificações destruídas, porém as sequelas psicológicas são irreversíveis, porque a perda de um ente querido fere a alma. Por essa razão, é que sempre se questiona a saúde mental de vários personagens históricos que se destacaram pela insensibilidade social. A tirania é insana...

A valorização da vida nos coloca contra as destruições provocadas pelas guerras. E atrelada a elas, vem a fome de forma devastadora, atingindo não somente quem está em áreas de conflitos, mas também os que fogem deles.

Hoje estima-se que, aproximadamente, 45 milhões de pessoas podem ficar na condição de insegurança alimentar aguda por causa dos conflitos no Oriente Médio. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), até junho de 2025, mais de 117,3 milhões de pessoas em todo mundo foram forçadas a se deslocar devido a perseguições, conflitos, violência, violações de direitos humanos. Esses números tendem a aumentar se a paz não for retomada entre as nações que estão em guerra. O Programa Mundial de Alimentos (PMA) e a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) já evidenciaram esse problema da fome que pode alcançar números alarmantes, tendo como principal causa esses conflitos no Oriente Médio, pois estão afetando a economia a mundial.

Os efeitos da guerra dos Estados Unidos da América e Israel contra o Irã têm reflexos nítidos na economia global. Basta olhar para as oscilações do preço do barril de petróleo e conferir os seus reflexos na bomba de gasolina para se ter a dimensão dos estragos em países que não estão envolvidos nesses conflitos.

Mesmo distantes do campo de batalha, somos atingidos pelo encarecimento dos combustíveis e pelas restrições das ajudas a países que sofrem com a fome aguda que atinge parte da população. Crianças, mulheres e idosos são os que mais sofrem com a falta de alimentos. Por isso, diante de questões humanitárias, a busca pela paz ecoa de forma intensa.  Fato este que justifica o posicionamento do Papa Leão XIV pela busca pacífica dos conflitos mundiais.

Ele foi bastante enfático quando afirmou que “o mundo está sendo devastado por um punhado de tiranos.” E criticou severamente esses líderes mundiais que investem bilhões nas indústrias bélicas: “os mestres da guerra fingem não saber que basta um instante para destruir, mas muitas vezes uma vida inteira não é suficiente para reconstruir. Eles fecham os olhos para o fato de que bilhões de dólares são gastos em assassinatos e devastação, enquanto os recursos necessários para cura, educação e restauração não são encontrados em lugar nenhum.”

É preciso que os conflitos sejam resolvidos por meio do diálogo de forma diplomática sem o uso das armas. Essa via de acesso à paz distante dos mísseis tem sido pouco usada, porque o ódio tem predominado com a face voltada para os interesses econômicos unilaterais. A globalização tem sido mais eficiente quando se trata da expansão da miséria, da fome. As riquezas ficam mais concentradas nas mãos de um determinado grupo privilegiado. E sobre esse aspecto que não emana solidariedade, mas o nome de Deus é usado, o Papa Leão XIV alertou:

“Ai daqueles que manipulam a religião e o próprio nome de Deus para obter ganhos militares, econômicos e políticos, arrastando o que é sagrado para as trevas e a imundície. É um mundo de cabeça para baixo, uma exploração da criação de Deus que deve ser denunciada e rejeitada por toda consciência honesta.”

O mundo torna-se um campo de batalha quando se olha para o próximo como um adversário, um concorrente, um inimigo. Os momentos de paz são raros por exigir que os corações e as mentes estejam desarmados.

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