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Hantavírus: o que é e situação atual

Virose ficou famosa por conta do surto em um navio cruzeiro holandês MV Hondius

Foto: Magnific
Foto: Magnific

Vitor Cesar estagiário

O navio de cruzeiro MV Hondius, operada pela empresa de turismo Oceanwide Expeditions, sofre com um surto de hantavírus desde o dia 1° de abril deste ano. Com a proliferação do vírus, a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou nessa terça-feira (12) 11 casos da zoonose a bordo do embarcação e três óbitos.

A hantavirose é uma zoonose viral aguda que, no Brasil, se manifesta principalmente na forma de Síndrome Cardio Pulmonar por Hantavírus (SCPH). Transmitido majoritariamente pelo contato com urina, saliva e fezes de roedores silvestres previamente infectados. A transmissão entre pessoas acontece somente com a variante Andes, circulantes na Argentina e Chile, mas, sempre apresentou capacidade de proliferação limitada. A taxa de letalidade média é de 40%, com período de incubação de 3 a 60 dias.

O Dr. Felipe Moliterno, pediatra, infectologista e professor da Unifase/FMP disserta sobre o vírus e como a medicina o encara. ““O hantavírus não é uma doença nova, é uma doença que já se sabe que existe. Normalmente, em média, tem em torno de 30 casos por ano, normalmente em zona rural, pelo método mais conhecido de transmissão, que não é de pessoa para pessoa, e sim por inalação dos resíduos de roedores em zonas rurais. O fato de ter transmissão de pessoa para pessoa é muito peculiar, mais raro ainda, e normalmente é mais inerente às cepas vigentes na Argentina e no Chile”.

Desde a identificação da doença no Brasil, em 1993, até dezembro de 2025, foram confirmados 2.412 casos e 926 óbitos. Os dados recentes apontam tendência de redução: em 2025, o país registrou 35 casos e 15 óbitos, o menor número desde o início da série histórica recente. Em 2026, até o momento, o país registrou um óbito e sete casos. Os casos confirmados no Paraná foram identificados em Pérola d’Oeste e Ponta Grossa, sem relação com o surto do cruzeiro.

As principais medidas de prevenção incluem: manter distância entre residências e áreas de mata; evitar deixar restos de alimento e ração em áreas externas; ao entrar em ambiente fechado, abrir janelas para arejar e não varrer o chão, borrifando água sanitária para umedecer o piso e inativar o vírus.

Mas, o infectologista acalma a população. “A mensagem inicial para a população brasileira do cenário do hantavírus é primeiro ter calma, não é um vírus de transmissão respiratória majoritária igual foi o Coronavírus. É uma cepa que transmite através de gotículas, com uma baixa disseminação nesse momento. Acredito que o melhor seja melhor disseminar essa cultura de prevenção do mais comum dentro do nosso país, que é o que predomina, e a gente observar com muita calma o acompanhamento dessas pessoas que foram expostas nos casos do hantavírus andino nesse navio e ver como é que vai se dar o aumento do número de casos nos nossos países vizinhos, Chile e Argentina, nesse momento de vigilância”, disse.

Teste da Fiocruz

Um teste rápido para diagnóstico de hantavírus foi desenvolvido pelo IOC/Fiocruz em parceria com o Biomanguinhos e a UFRJ. Ele detecta a infecção em 15 a 20 minutos com apenas uma gota de sangue e obteve registro da Anvisa em 2024.

OMS

De acordo com a OMS, nove dos 11 casos já confirmados são da cepa Andes do hantavírus.A doença costuma provocar sintomas como febre, calafrios e dores musculares, mas pode evoluir para insuficiência respiratória grave. Segundo a organização, os sintomas podem aparecer entre uma e oito semanas após a exposição ao vírus.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus recomendou que passageiros evacuados permaneçam em quarentena por 42 dias.

“Não há sinais de que estejamos vendo o início de um surto maior”, afirmou Tedros. Mesmo assim, o diretor enalteceu a possibilidade de mudança nas próximas semanas por causa do longo período de incubação do vírus.

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