A presença da Igreja Católica em Petrópolis antecede a própria fundação da cidade. Acompanhando a vinda da Família Imperial para a região, a Igreja teve papel fundamental no desenvolvimento local. Com o Decreto nº 155, de 1843, que oficializou a fundação da cidade, o Imperador Dom Pedro II determinou, entre outras medidas, a construção de uma igreja em louvor a São Pedro de Alcântara, que deu origem à Catedral de Petrópolis.
Além do campo religioso, a Igreja Católica esteve presente em diversas áreas ao longo da história da cidade, promovendo a construção de escolas paroquiais, hospitais e iniciativas voltadas ao atendimento de vítimas de tragédias naturais, como ocorreu em 1966, 1988, e mais recente em 2011 e 2022, com o projeto Presença Samaritana, cujo objetivo foi atender às famílias vítimas das tragédias.
Educação como prioridade
Dom Joel Portella Amado, que neste mês de março completa um ano de sua posse na Diocese de Petrópolis, destacou o trabalho realizado pela Igreja na área da educação. Segundo ele, as escolas paroquiais representam um importante testemunho do compromisso da Igreja com a formação humana e cristã de crianças e adolescentes.
Para mim, é claro que, ao longo de toda a sua história, a Igreja em Petrópolis tem sido um sinal de esperança, que é Jesus Cristo, seja na educação, na saúde, na assistência às pessoas vulneráveis e nos momentos de tragédia. Em 2022, por exemplo, a Paróquia Santo Antônio abriu suas portas e toda a sua estrutura para acolher as vítimas daquela tragédia e até hoje, quando visito a região, ouço pessoas agradecendo todo o apoio que receberam da Paróquia afirmou o bispo.
O compromisso da Igreja com a educação remonta ao século XIX. Os primeiros frades franciscanos, ao chegarem à cidade, entre 1896 e 1897, fundaram a Escola Gratuita São José para meninos pobres. Anos antes, em 1871, nasceu a Escola Doméstica de Nossa Senhora do Amparo, instituída pelo Padre João Francisco de Siqueira Andrade para atender meninas em situação de vulnerabilidade, sobretudo órfãs e crianças pobres.
Outras iniciativas educacionais surgiram ao longo dos anos por meio da atuação religiosa. Em 1889, as Irmãs da Congregação Notre Dame de Sion criaram o Colégio Sion. Em 1909, surgiu a Escola Gratuita Santa Catarina, das Irmãs de Santa Catarina, que também fundaram o Hospital Santa Teresa, tornando-se referência no atendimento médico da cidade.
Atualmente, além das escolas paroquiais e creches, a diocese mantém iniciativas como o Espaço Artístico Monsenhor Paulo Daher, no bairro Retiro, que oferece aulas gratuitas de música para crianças em situação de vulnerabilidade.
Atuação social e assistência às comunidades
A Igreja também desempenha um papel decisivo na assistência social em Petrópolis. Por meio das paróquias, são desenvolvidos diversos projetos voltados às comunidades locais.
Dom Joel destacou o legado do Padre José Carlos Medeiros Nunes, conhecido como Pe. Quinha (1956-2013), cuja atuação incluiu a fundação da Oficina de Jesus, voltada à recuperação de pessoas com dependência química. O sacerdote também teve participação ativa em diversas pastorais, incluindo aquelas dedicadas ao atendimento de pessoas em situação de rua, encarcerados e doentes.
Outros clérigos que deixaram sua marca na sociedade petropolitana incluem Monsenhor Paulo Daher (1931-2019), Padre José Augusto Carneiro, Pe. Jac (1947-2017) e Padre Francisco Montemezzo (1937-2021). Os bispos que passaram pela diocese também tiveram participação ativa em momentos críticos da cidade, como nos desastres naturais ocorridos em 1966, 1988, 2011 e 2022.
Os bispos sempre estiveram ao lado da população nos momentos mais difíceis, auxiliando nas tragédias e colaborando com o poder público para atender as vítimas ressaltou Dom Joel.
Nas tragédias de 2011 e 2022, os então bispos da diocese, Dom Filippo Santoro, arcebispo emérito de Taranto (Itália), e Dom Gregório Paixão, OSB, atual arcebispo de Fortaleza (CE), tiveram um papel fundamental ao atuar junto ao governo estadual e municipal. Os líderes religiosos participaram ativamente de reuniões e cobraram agilidade nas respostas às demandas das vítimas e de suas famílias.
Ao longo de toda a história da Diocese de Petrópolis, desde sua criação, em 1946, e a posse de seu primeiro bispo, em 1948, a Igreja tem sido uma presença viva na cidade, testemunhando Jesus Cristo e cumprindo sua missão evangelizadora, seja na assistência religiosa ou nas inúmeras obras sociais realizadas pelas paróquias, sacerdotes e religiosos concluiu Dom Joel.
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