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Inadimplência atinge 48% dos petropolitanos

CDL alerta para risco de endividamento com apostas durante a Copa do Mundo

Foto: Reprodução
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Larissa Martins

Estatísticas da Serasa revelam que a inadimplência de pessoas físicas continua crescendo em Petrópolis. Em maio de 2026, o município chegou a 142 mil consumidores negativados, o que representa 48% da população, ou seja, quase metade do quantitativo de moradores. Segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade possui 294.926 moradores.

Atualmente, há 522 mil dívidas acumuladas, totalizando R$942 milhões (cada morador pode ter mais de um débito). O valor pendente gerou R$ 6,625,21 de ticket médio por inadimplentes e R$1.804,32 de ticket médio por dívidas dos petropolitanos. Em maio 2025, Petrópolis contava com 131 mil inadimplentes, com 455 mil dívidas acumuladas, totalizando R$751 milhões.

Endividamento durante a Copa do Mundo

A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) alertou para o risco de endividamento com apostas durante a Copa do Mundo. Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), realizada em parceria com a Offerwise Pesquisas, revela que 41% dos consumidores brasileiros pretendem fazer apostas em plataformas de bets durante o torneio.

O levantamento, no entanto, traz um sinal de alerta para a saúde financeira das famílias: 61% dos consumidores que planejam gastar durante a competição já possuem dívidas em atraso.

O estudo mostra que o interesse pelas apostas é mais forte entre homens e consumidores das classes A e B. Além das plataformas digitais, os tradicionais bolões entre amigos seguem presentes na cultura do futebol brasileiro e devem atrair 14% dos entrevistados.

Para a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Petrópolis, o crescimento das apostas exige atenção, especialmente quando elas passam a ser encaradas como solução para problemas financeiros.

“O entretenimento faz parte da Copa do Mundo e as apostas estão inseridas nesse contexto. O que preocupa é quando a expectativa de ganho passa a substituir o planejamento financeiro. Nenhuma aposta deve ser vista como estratégia para resolver dívidas ou equilibrar o orçamento doméstico”, afirma o presidente da CDL Petrópolis, Cláudio Mohammad.

A pesquisa aponta que, entre os consumidores que pretendem apostar, 74% enxergam nas bets uma possibilidade de quitar débitos pendentes. Dentro desse grupo, 31% concordam totalmente com essa ideia e outros 43% concordam parcialmente, encarando a aposta como uma tentativa de melhorar a situação financeira por meio da sorte.

O cenário se torna ainda mais preocupante quando analisado o perfil dos consumidores endividados. Entre aqueles que possuem contas em atraso, sete em cada dez já estão negativados, ou seja, com restrições de crédito.

Segundo Cláudio Mohammad, a combinação entre endividamento e expectativa de ganhos rápidos pode ampliar a vulnerabilidade financeira de muitas famílias.

“Quando a pessoa aposta contando com um retorno que não é garantido, ela corre o risco de agravar uma situação que já é delicada. O ideal é que o consumidor mantenha o controle dos gastos e participe das comemorações dentro de uma realidade compatível com seu orçamento”, destaca acrescentando que a entidade comercial defende o consumo consciente porque assim ele, contínuo e saudável, garante qualidade de vida do consumidor.

O levantamento mostra ainda que, caso obtenham ganhos nas apostas, 39% dos apostadores pretendem reinvestir o dinheiro em novas apostas para tentar ampliar os rendimentos. Outros 36% afirmam que destinariam os recursos para lazer, viagens ou consumo de bens considerados supérfluos. Apenas 34% apontam a quitação de dívidas como prioridade para o uso do dinheiro.

Dicas para reduzir contas sem sofrimento

Diante de um cenário econômico desafiador, poupar recursos tornou-se essencial para não entrar na inadimplência ou sair dela. O planejamento financeiro permite que as famílias recuperem o poder de compra e enfrentem os desafios da instabilidade econômica com mais tranquilidade.

“A redução de gastos, em sua essência, reflete as dinâmicas econômicas globais, e um orçamento familiar bem administrado é um instrumento de estabilidade e liberdade. Debater sobre redução de despesas é falar também sobre cidadania, consciência financeira e qualidade de vida”, enfatiza Vivian Gomes, professora de Economia da UNIASSELVI.

O controle financeiro, principalmente relacionado aos do lar, é um exercício constante e minucioso de análise de todas as despesas domésticas, com o objetivo de identificar contratos, hábitos de consumo e desperdícios. "Do ponto de vista econômico, trata-se de uma redução contínua do poder de compra; já do ponto de vista comportamental, é a perpetuação de práticas pouco conscientes que fragilizam a saúde financeira," explica Gomes.

Pequenos "gargalos financeiros" como o desperdício de alimentos e o uso de eletrodomésticos no modo standby, embora pareçam irrelevantes, podem reduz silenciosamente as reservas financeiras, segundo ela.

Para ajudar as famílias nessa economia, a especialista separou algumas dicas para reduzir o orçamento doméstico, que promete aliviar o bolso em mais de R$ 800 mensais, tudo isso sem abrir mão da qualidade de vida.

Veja:

Redução do consumo dos serviços de energia, internet e TV: redução de R$ 80 a 150 por mês.

Elaboração prévia de lista de compras com prioridades (para evitar a compra de itens sem necessidade): redução de R$ 100 a 200 por mês.

Redução do desperdício de alimentos (consumo e compra apenas do que for consumido no período): redução de R$ 80 a 120 por mês.

Melhor gestão de recursos elétricos (substituição de lâmpadas comuns por LED): redução de R$ 40 a 70 por mês.

Maior eficiência energética - vedação de janelas e portas: redução de R$ 50 a 100 por mês.

Uso consciente de eletrodomésticos (evite modo standby e tire-os da tomada quando não for usá-los): redução de R$ 60 a 90 por mês.

Consumo de água consciente (banhos curtos e redução de vazamentos): redução de R$ 40 a 80 por mês.

Uso consciente do transporte (evite carros quando possível e opte pelo transporte coletivo): redução de R$ 150 a 250 por mês.

Lazer: melhor gestão financeira (intercalar eventos gratuitos aos pagos), para maior saúde do seu bolso: redução de R$ 100 a 200 por mês.

Plano de saúde (ele o pacote com melhor custo-benefícios, de acordo com suas reais necessidades): redução de R$ 100 a 300 por mês.

Renegociação de contratos

O impacto de passar de uma ação reativa (cortar gastos apenas quando o dinheiro acaba) para um planejamento preventivo é profundo, gerando maior previsibilidade e controle sobre o fluxo de caixa doméstico e instalando uma disciplina que fortalece a consciência financeira.

Em momentos de instabilidade econômica, revisar contratos fixos (internet, celular, TV a cabo) é uma estratégia inteligente para recompor o poder de compra. Muitos pacotes incluem serviços redundantes ou subutilizados.

Tecnologia como aliada da economia

A tecnologia será protagonista na racionalização das despesas. Aplicativos de gestão financeira integrados via Open Finance permitirão visualização de gastos em tempo real e recomendações personalizadas. Dispositivos de smart home controlarão o consumo energético de forma automatizada, desligando aparelhos em horários de pico ou ajustando iluminação e climatização. O resultado será uma economia doméstica mais inteligente, baseada em dados e automação.

"Reduzir despesas domésticas não significa abrir mão de conforto ou de dignidade, mas sim adotar uma postura estratégica diante da vida financeira," afirma Vivian Gomes. "Pequenos ajustes, quando somados, produzem impactos significativos e sustentáveis. A tecnologia, a disciplina e a negociação consciente são os pilares de uma nova economia doméstica, mais inteligente e resiliente", finaliza.

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