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Inflação e juros: veja como cenário da economia pode afetar o bolso dos petropolitanos

Economista explica possíveis impactos das novas projeções do mercado sobre preços, crédito e comércio em Petrópolis

Foto: José Cruz / Agência Brasil
Foto: José Cruz / Agência Brasil


Jamis Gomes Jr. - estagiário

O mercado financeiro elevou a projeção para a inflação e reduziu, pela terceira semana consecutiva, a expectativa de crescimento da economia brasileira em 2026. Os dados foram divulgados nessa segunda-feira (28) pelo Banco Central, no Boletim Focus. Para o economista Natale Papa, o cenário também pode ser sentido pelos moradores de Petrópolis, principalmente no custo de vida e no acesso ao crédito.

A previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 4,92% para 4,99% em 2026. O resultado ocorre após o IPCA-15, prévia da inflação oficial, registrar alta de 0,7% em setembro. Em 12 meses, o índice chegou a 4,47%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo Papa, os efeitos da inflação podem aparecer primeiro em despesas do cotidiano. “Os primeiros impactos normalmente aparecem em alimentação, energia, combustíveis, transporte e serviços. No caso de Petrópolis, também podemos ter reflexos em restaurantes, comércio e serviços ligados ao turismo, porque esses segmentos repassam parte de seus custos para os preços”, explica.

O economista ressalta que a inflação pode pesar de maneira diferente para cada família, de acordo com os produtos e serviços consumidos.

Outro ponto de atenção são os juros. O mercado manteve a projeção de Selic em 13,5% ao ano no fim de 2026. Para Papa, a taxa elevada pode dificultar o acesso ao crédito e afetar consumidores e empresas.

“Para o consumidor, isso pode encarecer financiamentos de veículos, imóveis e empréstimos e estimular a redução das compras parceladas. Para as empresas, principalmente pequenas e médias, aumenta o custo do capital de giro e pode fazer com que investimentos sejam adiados”, afirma.

A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 1,88% para 1,86% em 2026. Na avaliação do economista, um crescimento menor pode deixar o mercado de trabalho e os negócios mais cautelosos.

“Em uma cidade como Petrópolis, isso pode aparecer principalmente na velocidade de crescimento do comércio e dos serviços. Não significa necessariamente aumento do desemprego, mas um mercado de trabalho potencialmente menos dinâmico e empresas mais cautelosas para contratar e investir”, diz.

Para o morador, Papa resume o cenário em quatro pontos: “preços ainda pressionados, crédito caro, crescimento econômico mais moderado e necessidade de maior planejamento financeiro”.

A projeção para o dólar permanece em R$ 5,20 no fim de 2026. Segundo o economista, uma moeda norte-americana mais valorizada também pode encarecer produtos e insumos importados. Ele ressalta, porém, que os números do Focus são expectativas do mercado e podem mudar nas próximas semanas.

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