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Inflação perde força nas projeções do mercado, mas juros elevados ainda devem manter pressão sobre consumo e crédito

Boletim Focus, do Banco Central, reduziu a estimativa da inflação para 2026; economista explica os possíveis reflexos para famílias, empresas e setores da economia de Petrópolis

Foto: Rafa Neddermeyer-Agência Brasil
Foto: Rafa Neddermeyer-Agência Brasil


Jamis Gomes Jr. - estagiário

A expectativa do mercado financeiro para a inflação em 2026 voltou a recuar. De acordo com o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (13) pelo Banco Central (BC), a projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação, passou de 5,30% para 5,16%.

O levantamento é elaborado semanalmente pelo Banco Central com base nas estimativas de mais de 100 instituições financeiras e reúne as principais projeções para indicadores econômicos, como inflação, taxa básica de juros (Selic), Produto Interno Bruto (PIB) e câmbio.

Apesar da revisão para baixo, a expectativa continua acima da meta contínua de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

Para os próximos anos, o mercado passou a projetar inflação de 4,20% em 2027, enquanto manteve as estimativas de 3,70% para 2028 e de 3,50% para 2029.

Poder de compra continua pressionado

Embora o recuo da projeção seja considerado um sinal positivo, isso não significa que os preços deixarão de subir.

Segundo o economista Natale Papa, uma inflação menor indica apenas uma desaceleração no ritmo de aumento dos preços.

"A redução da projeção da inflação é uma notícia positiva porque indica que o ritmo de aumento dos preços pode ser menor do que se imaginava anteriormente. No entanto, é importante destacar que inflação menor não significa queda de preços, mas sim que eles continuam subindo em um ritmo mais lento. Como a projeção ainda permanece acima da meta do Banco Central, o poder de compra das famílias continua pressionado, especialmente entre aquelas de menor renda, que destinam uma parcela maior do orçamento para alimentação, transporte e serviços essenciais", explica.

Para o economista, uma inflação mais controlada pode contribuir para melhorar gradualmente o ambiente econômico em cidades como Petrópolis.

"Em uma cidade como Petrópolis, cuja economia depende fortemente do comércio, dos serviços e do turismo, uma inflação mais controlada tende a melhorar gradualmente a confiança do consumidor. Porém, enquanto ela permanecer acima da meta, ainda haverá cautela tanto por parte das famílias quanto das empresas", afirma.

Mercado mantém expectativa de juros elevados

O Boletim Focus também manteve a previsão de que a taxa Selic encerrará 2026 em 14% ao ano. Atualmente, a taxa básica de juros está em 14,25% ao ano.

Para 2027, a expectativa permanece em 12% ao ano. Já para 2028, a projeção passou para 10,5%.

Na avaliação de Natale Papa, a manutenção dos juros em patamar elevado continua limitando o consumo e os investimentos.

"A manutenção da Selic em níveis elevados mostra que o Banco Central ainda entende que é necessário manter uma política monetária restritiva para consolidar o controle da inflação. Na prática, isso significa crédito mais caro para consumidores e empresas", explica.

Ele destaca que os efeitos podem ser sentidos diretamente no orçamento das famílias.

"Para as famílias, financiamentos, empréstimos e parcelamentos tendem a continuar com juros elevados, o que reduz o consumo de bens de maior valor, como veículos e imóveis. Já para as empresas, o custo de captar recursos para investir também permanece alto, levando muitos empresários a adiar expansões ou novos projetos", destaca.

Segundo o economista, em Petrópolis os impactos podem atingir principalmente atividades que dependem do consumo interno.

"Isso pode impactar principalmente o comércio, a construção civil, pequenas empresas e o setor de serviços, que dependem do dinamismo do consumo local", observa.

Crescimento econômico segue moderado

As projeções para o crescimento da economia brasileira também permaneceram moderadas.

O mercado manteve a expectativa de expansão de 1,99% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. Para 2027, a previsão caiu para 1,65%.

O PIB representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e é um dos principais indicadores utilizados para medir o desempenho da economia.

Para Natale Papa, esse cenário exige cautela por parte das empresas.

"Os setores mais sensíveis costumam ser aqueles mais dependentes da renda disponível das famílias e do crédito. Em Petrópolis, isso inclui o comércio varejista, especialmente de bens duráveis, a construção civil, que depende de financiamento, e parte do setor de serviços", alerta.

O turismo também pode sentir reflexos caso os consumidores reduzam gastos considerados não essenciais.

"O turismo também pode sentir algum impacto caso as famílias reduzam gastos com lazer e viagens. Por outro lado, segmentos ligados a bens e serviços essenciais tendem a apresentar maior resiliência, já que continuam sendo consumidos independentemente do ciclo econômico", continua.

Apesar do cenário de desaceleração, o economista avalia que uma trajetória de inflação mais próxima da meta poderá favorecer a economia no futuro.

"De forma geral, o cenário é de crescimento mais moderado, e isso exige das empresas maior eficiência, controle de custos e planejamento financeiro. Ao mesmo tempo, se a inflação continuar convergindo para a meta, abre-se espaço para uma redução gradual dos juros no futuro, o que pode estimular novamente o consumo e os investimentos", conclui.

Outras projeções do Boletim Focus

Além da inflação e dos juros, o relatório divulgado pelo Banco Central manteve a expectativa para o câmbio.

A projeção é de que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,20. Para 2027, a estimativa permanece em R$ 5,28.

As projeções do Boletim Focus são atualizadas semanalmente e servem como referência para acompanhar as expectativas do mercado em relação ao desempenho da economia brasileira nos próximos anos.

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