Jamis Gomes Jr. - especial para o Diário
A previsão do mercado financeiro para a inflação em 2026 subiu para 4,36%, segundo o Boletim Focus divulgado nessa segunda-feira (6) pelo Banco Central. O índice, que tem como base o IPCA, é a principal referência oficial da inflação no país e acumula a quarta alta consecutiva nas projeções, em meio a incertezas econômicas globais, como a guerra no Oriente Médio.
Apesar da elevação, a estimativa ainda está dentro do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 3%, com margem de tolerância de até 4,5%. Ao mesmo tempo, a expectativa de crescimento da economia brasileira foi mantida em 1,85% neste ano, indicando um cenário de avanço moderado, mas com pressão nos preços.
Em Petrópolis, os efeitos já são sentidos no dia a dia dos negócios. A conselheira do Conselho Regional de Contabilidade do Rio de Janeiro (CRCRJ), Rosangela Inocencio, aponta que o impacto é direto para empresários, especialmente os de menor porte. “O impacto está pelo aumento de custos e pela redução do consumo. No dia a dia, isso aparece em decisões difíceis que muitos empresários já estão enfrentando”, afirma.
Segundo ela, o cenário tem sido ainda mais desafiador por conta da alta generalizada de despesas. “As entidades empresariais já alertaram que o custo crescente de insumos, aluguéis e juros têm dificultado a saúde financeira das empresas, especialmente as de menor porte, que têm menos margem para absorver esses aumentos”, explica.
Do lado do consumidor, a mudança de comportamento também é evidente. Com os preços mais altos, a busca por economia tem influenciado diretamente as escolhas. “A mudança é notável, em busca de produtos mais baratos, para suprir a cesta básica, colocando em risco a qualidade do que vai consumir e dos serviços prestados também”, destaca Rosangela.
Para tentar manter o equilíbrio financeiro, comerciantes têm sido obrigados a se adaptar rapidamente. “Em razão da inflação elevada, os comerciantes que conseguem manter as vendas têm que se adaptar rápido à mudança no comportamento do consumidor e ao aumento dos custos. Na prática, não é uma única estratégia, mas um conjunto de ajustes que protegem o caixa e mantêm o faturamento”, avalia.
Além da inflação, outro fator que influencia o cenário econômico é a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,75% ao ano. Juros mais altos encarecem o crédito e reduzem o consumo, o que ajuda a conter a inflação, mas também dificulta a expansão da economia. A expectativa do mercado é que a taxa encerre 2026 em 12,5%.
Com inflação em alta, crescimento moderado e crédito ainda caro, o cenário econômico exige cautela tanto de empresários quanto de consumidores em Petrópolis, que já sentem no bolso os reflexos de um ambiente mais pressionado.
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