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  Educação

Influência da internet aumenta consumo de livros no Brasil

Escritores comentam sobre o mercado editorial nacional


 
Foto: Freepik

Roberto Jones – especial para o Diário

2022 está sendo um ano de grandes impactos em diversas áreas da sociedade, em especial pelos vestígios das transformações deixadas pela pandemia. O uso das redes sociais nos últimos três anos cresceu exponencialmente, afetando vários setores, inclusive o dos livros. É comum que, ao entrar em uma livraria atualmente, haja um espaço exclusivo para os livros mais falados no TikTok, Instagram, ou  em outras redes sociais, isso por que a internet vêm influenciando cada dia mais esse mercado.

Para o escritor Pedro Poeira, a demanda do público por literatura mudou totalmente o cenário dos livros no Brasil. “A última Bienal do Livro foi um sucesso — e não me refiro só às vendas, embora as editoras tenham anunciado recorde de vendas no evento. Você via leitores engajando com criadores de conteúdo e escritores nas ruas do evento e até sessões de autógrafos com autores nacionais lotadas que duravam horas. A internet tem grande impacto como uma aproximadora de pessoas e dos criadores de conteúdo (sobretudo a galera do TikTok, YouTube, Twitch, Twitter e Instagram) em valorizar a literatura nacional”.

Mercado nacional

Pedro considera o momento atual muito próspero para autores nacionais, já que grandes editoras estão com os olhos voltados para a produção nacional, em especial, para o público jovem. “É uma galera que está abraçando a produção nacional e se conectando com ela e as pessoas que a produzem. O interesse deles não passa despercebido pelo mercado, que encontrou nisso um público ávido por histórias que os representem. Observando os títulos nacionais de uns 10 anos atrás, você encontra poucos livros voltados para o público jovem, e menos ainda com protagonismo LGBTQIAP+, gordo, racializado, etc. Quando muito, eram histórias que, em maioria, reduziam essas identidades a sofrimento e marginalização, isso sem falar que esses livros eram difíceis de serem encontrados nas livrarias”, comentou.

Mais diversidade

Vanessa Lacerda, psicóloga e escritora, também percebe que o interesse pela literatura vem aumentando, em especial pela facilidade de ler por dispositivos digitais. A ampliação da publicação de livros nacionais também foi apontada por ela, principalmente de conteúdos LGBTQIA+ e nordestinos. Apesar disto, a profissional sente falta de histórias sobre e escritas por autores pretos ou gordos. “Quando há visibilidade de autores negros é sempre falando sobre assuntos mais sérios, não tem alguém que fale de romance ou histórias mais leves, com pessoas negras vivendo suas vidas e sendo felizes”, ressaltou.

Mesmo o mercado editorial ainda sendo dominado por livros estrangeiros, o escritor Lucas Santana diz que autores nacionais têm conquistado cada vez mais esse espaço. “O interesse do leitor e o aumento da influência das redes sociais nesse processo tem facilitado muito a valorização de autores nacionais. Apesar das políticas públicas atuais não favorecerem muito a literatura, o mercado editorial nacional tem se expandido muito, em questões de diversidade, inclusão e alcance do público geral. Vemos cada vez mais autores do Nordeste e do Norte recebendo destaque, autores independentes fazendo sucesso e pequenas editoras inovando e conquistando o mercado. Acredito que essa é a tendência para os próximos anos”, finalizou.



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