Edição: sexta-feira, 03 de julho de 2026

InfoGripe: maioria dos estados ainda apresenta incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco

Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil
Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

Regina Castro (Agência Fiocruz de Notícias)

Divulgada nesta quinta-feira (2/7), a nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz mostra que, no cenário nacional, os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) apresentam sinal de estabilização ou oscilação na tendência de longo prazo (últimas seis semanas), a exemplo do que ocorre na maioria das unidades da Federação das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Contudo, com exceção do Piauí, Rondônia, Pernambuco e Tocantins, todos os estados ainda apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas. A análise é referente à Semana Epidemiológica 25, período de 6 a 27 de junho.

A atualização aponta também que seis estados continuam com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo, localizados especialmente no Sudeste (ES, MG, RJ) e Sul (RS e SC), além de Roraima.  A alta no número de casos de SRAG na maioria dos estados está associada principalmente ao vírus sincicial respiratório (VSR) e, em algumas regiões, também às influenzas A e B. As ocorrências de casos de SRAG por VSR se mantêm em crescimento em alguns estados da região Centro-Sul (MG, MS, PR, RS, SC e SP), além do Amapá. No entanto, já mostram sinal de interrupção de aumento ou queda no restante do país.

As hospitalizações por influenza A seguem se elevando em Roraima. Já os casos graves por influenza B continuam elevadas em diversos estados do Centro-Sul (DF, GO, MG, RJ e SC), mas já mostram interrupção do crescimento ou início de queda no Ceará, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo. Os casos de SRAG por Covid-19 se mantêm com sinal de crescimento em estados como Amazonas e Ceará. Porém, o cenário aponta que o número semanal de registros ainda permanece baixo. O estudo revela ainda, no quatro nacional, sinal de manutenção do crescimento dos casos de SRAG nos idosos, interrupção do crescimento nas crianças menores de dois anos, e diminuição dos casos de SRAG nas faixas etárias de 2 a 49 anos de idade.

Após reforçar que a análise sinaliza interrupção do crescimento ou de queda dos casos de SRAG em boa parte das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país, os pesquisadores ressaltam que ainda não é hora de relaxar as medidas de proteção, já que os casos de SRAG continuam em níveis elevados em grande parte do país. Além disso, os casos de SRAG seguem aumentando em seis estados, localizados principalmente nas regiões Sudeste e Sul, além de Roraima.

Os vírus que têm causado esse elevado número de casos de SRAG na maior parte dos estados são principalmente o VSR, que hospitaliza sobretudo crianças pequenas e é uma das principais causas de bronquiolite nessa faixa etária, e em alguns estados, especialmente da região Centro-Sul, também os vírus da influenza A e da influenza B. No Ceará, o aumento das hospitalizações por Covid-19 ocorre no interior do estado, mais especificamente na região do Sertão Central.

Mesmo com o número de casos ainda baixo nessas regiões, é importante que a população elegível verifique se está em dia com a vacinação contra a Covid-19. Vale lembrar que pessoas idosas e imunocomprometidas devem receber doses de reforço da vacina a cada seis meses. A vacinação continua sendo a principal forma de prevenção contra casos graves e óbitos causados pelos principais vírus respiratórios associados à SRAG, como influenza, Covid-19 e VSR. Além da vacinação, é importante que a população mantenha algumas medidas de proteção, como o uso de máscaras em unidades de saúde, locais fechados e com maior aglomeração de pessoas. Em caso de sintomas de gripe ou resfriado, o ideal é permanecer em casa e evitar contato com outras pessoas. Se isso não for possível, a recomendação é sair de casa utilizando uma boa máscara.

Estados e capitais

Boa parte das unidades federativas (UF) das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste já estão com sinal de estabilização ou queda dos casos de SRAG na tendência de longo prazo. Contudo, com exceção dos estados do Piauí, Rondônia, Pernambuco e Tocantins, todas as UF ainda apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas. Além disso, seis estados continuam com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo, localizados especialmente no Sudeste (ES, MG, RJ) e Sul (RS e SC) do país, além de Roraima. A alta no número de casos de SRAG na maioria dos estados está associada principalmente ao VSR e, em algumas regiões, também às influenzas A e B.

O estudo constatou ainda que que 9 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas 6 semanas) até a semana 25: Belo Horizonte (MG), Boa Vista (RR), Curitiba (PR), Florianópolis (NA), Goiânia (GO), Manaus (AM), Porto Alegre (RS), Rio De Janeiro (RJ) e São Luís (MA). Além disso, 11 capitais também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Aracaju (SE), Belém (PA), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Joao Pessoa (PB), Macapá (AP), Maceió (AL), Palmas (TO), Rio Branco (AC) e Salvador (BA).

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 14,5% de influenza A, 8,1% de influenza B, 55,2% de vírus sincicial respiratório, 23,1% de rinovírus e 2,1% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 36,7% de influenza A, 13,1% de influenza B, 22,3% de vírus sincicial respiratório, 20,9% de rinovírus e 8,3% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Incidência e mortalidade

A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR. Já a mortalidade é maior entre os idosos, tendo como principal causa o vírus da influenza A. Em relação aos casos de SRAG por Influenza A, a incidência tem apresentado maior impacto nas crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade tem maior impacto na população a partir de 65 anos de idade.A incidência de SRAG por Covid-19 continua baixa em todas as faixas etárias.

Dados epidemiológicos

Em nível nacional, o cenário atual sugere que casos notificados de SRAG sinalizam estabilização ou oscilação nas tendências de longo prazo (últimas 6 semanas) e de curto prazo (últimas 3 semanas). Entre os casos positivos do ano corrente, observou-se 22,1% de influenza A, 4,1% de influenza B, 38,1% de vírus sincicial respiratório, 30,8% de rinovírus e 4,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 14,5% de influenza A, 8,1% de influenza B, 55,2% de vírus sincicial respiratório, 23,1% de rinovírus e 2,1% de Sars-CoV-2.

Edição: sexta-feira, 03 de julho de 2026

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