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InfoGripe: número de casos de influenza A segue aumentando no Norte, Sudeste e Nordeste

Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil
Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil


Regina Castro (Agência Fiocruz de Notícias)

A nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgada nesta quinta-feira (26/3), sinaliza, a médio e longo prazos, aumento do número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Este cenário tem sido impulsionado pelo incremento das hospitalizações por influenza A, rinovírus e vírus sincicial respiratório (VSR). A análise mostra que todas as unidades da Federação (UF) apresentam sinal de crescimento do número de casos de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana Epidemiológica 11, período de 15 a 21 de março.

Entre as UF, 22 estão com nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas): Rio de Janeiro, Acre, Amazonas, Pará, Amapá, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí, Sergipe, Alagoas, Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo. O estudo destaca que o rinovírus tem impulsionado o aumento dos casos de SRAG em grande parte desses estados, especialmente entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos.

Em nível nacional, o cenário atual sugere que a situação aponta sinal de aumento nas tendências de longo prazo (últimas seis semanas) e de curto prazo (últimas três semanas). Em 2026 já foram notificados 24.281 casos de SRAG, sendo 9.443 (38,9%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 9.951 (41%) negativos e cerca de 3.085 (12,7%) aguardando resultado laboratorial.

A pesquisadora do InfoGripe Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz, chama atenção que é essencial que as pessoas de maior risco, como idosos, imunocomprometidos e crianças, tomem a vacina da influenza assim que ela chegar aos postos de saúde, para frear o crescimento acelerado das hospitalizações pelo vírus em diversos estados do país. Para quem mora em regiões com alta de SRAG, Portella também recomenda o uso de máscara em locais fechados e com maior aglomeração de pessoas, especialmente para os grupos de risco. “Além disso, em caso de sintomas de gripe ou resfriado, o ideal é fazer isolamento dentro de casa, mas se não for possível, recomendamos sair usando uma boa máscara, como PFF2 ou N95, para evitar transmitir o vírus para outras pessoas”, recomenda.

Estados e capitais

Quanto aos casos de SRAG associados ao vírus influenza A, a atualização mostra indícios de interrupção do crescimento no Pará, Ceará e Pernambuco. No entanto, continuam aumentando na maioria dos estados do Nordeste (Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia) e em alguns do Norte (Amapá, Rondônia) e Sudeste (Rio de Janeiro, Espírito Santo) e no Mato Grosso.

Em relação ao VSR, o vírus segue contribuindo para o crescimento de SRAG em crianças menores de 2 anos no Norte (Acre, Amazonas, Pará, Roraima e Rondônia), Nordeste (Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe), além do Centro-Oeste (Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal). Por outro lado, o metapneumovírus tem impulsionado o aumento de SRAG em crianças pequenas no Distrito Federal e em Minas Gerais.

Observa-se que 22 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas 6 semanas) até a Semana 11: Aracaju (SE), Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Boa Vista (RR), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Fortaleza (CE), Goiânia (GO), João Pessoa (PB), Macapá (AP), Maceió (AL), Manaus (AM), Natal (RN), Palmas (TO), Porto Velho (RO), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), São Luís (MA), Teresina (PI) e Vitória (ES).

Prevalência de casos e óbitos

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 45% de rinovírus, 27,8% de influenza A, 14,6% de vírus sincicial respiratório, 9,1% de Sars-CoV-2 (Covid-19) e 1,4% de influenza B. Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 35,9% de influenza A 29,1% de Sars-CoV-2 (Covid-19), 27,2% de rinovírus, 5,8% de vírus sincicial respiratório e 2,9% de influenza B.

Dados epidemiológicos

Os dados referentes aos resultados laboratoriais por faixa etária mostram que o aumento de SRAG em crianças e adolescentes tem sido impulsionado principalmente pelo rinovírus, enquanto entre jovens, adultos e idosos a principal causa tem sido a influenza A. O VSR também tem contribuído para o aumento de casos de SRAG em crianças pequenas.

A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR e ao rinovírus. Já a mortalidade é maior entre os idosos, tendo a Covid-19 e a influenza A como principais causas. Além disso, a incidência de Covid-19 também é maior em crianças pequenas e idosos, enquanto a de influenza A se concentra principalmente nas crianças de até 4 anos e nos idosos.

O Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.

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