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Instituto Oldemburg de Desenvolvimento e IHGB promovem evento no Colégio Dom Pedro II, em Petrópolis

O projeto Fomento Literário na Serra Imperial (FLISI) traz o bate-papo “Encontro com Insley Pacheco”, que pretende apresentar aos alunos o renomado fotógrafo e presenteá-los com o livro “Espelhos de Papel”

v Joaquim Insley Pacheco, fotógrafo da Casa Imperial (Pacheco, Joaquim Insley, 1830-1912)

O Instituto Oldemburg de Desenvolvimento, por meio do projeto Fomento Literário na Serra Imperial (FLISI), em parceria com o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), vai promover no dia 29 de maio, às 10h30, no Colégio Pedro Dom II, o evento “Encontro com Insley Pacheco”, com a apresentação do livro "O Espelho de Papel", que reúne mais de 400 imagens de Joaquim Insley Pacheco (1830-1912). A obra de 160 páginas é fruto de uma parceria entre o IHGB e a Editora Capivara, com textos do historiador e pesquisador baiano Daniel Rebouças e apresentação de Pedro Corrêa Lago.

“Depois de realizar quatro edições da Festa Literária da Serra Imperial, que agora se torna Fomento Literário na Serra Imperial, com foco total nos estudantes e professores, acontecendo diretamente nas escolas, o Instituto Oldemburg, em parceria com o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, volta à cidade entregando mais um legado importante para a educação, principalmente para os jovens que têm interesse na história do Brasil e na história da fotografia no país, através de todo conhecimento e trajetória de Insley Pacheco”, pontua Cristina Oldemburg, presidente do Instituto Oldembrug de Desenvolvimento.

O encontro em Petrópolis pretende apresentar aos estudantes o primeiro retratista profissional do Brasil por meio de um bate-papo entre o fotógrafo e pesquisador Pedro Vasquez e a historiadora Maria de Fátima Argon. A ideia é revelar como a questão do retrato começou no Brasil. Tendo início com a Família Imperial e que depois conquistou o país. Na ocasião, cada aluno receberá um exemplar da obra que será autografada pelos palestrantes.

“Receber o ‘Encontro com Insley Pacheco’ em nosso colégio é uma oportunidade extremamente significativa, pois amplia o olhar dos nossos alunos e da nossa comunidade para a potência da fotografia como forma de expressão, memória e reflexão. Trazer a temática abordada por esse importante fotógrafo para dentro do Colégio Dom Pedro reforça o nosso compromisso com uma educação que valoriza a arte, o pensamento crítico e o diálogo com diferentes linguagens e realidades”, pontua Andréa Constâncio, diretora escola.

Joaquim Insley Pacheco foi um dos fotógrafos mais importantes do século XIX no Brasil. Nascido em Portugal, em uma aldeia próxima a Braga, órfão ainda menino, o retratista chegou ao Brasil aos 13 anos e, antes de se estabelecer no Rio de Janeiro, a então capital do Império, morou no Ceará e no Maranhão.

Mas foi no Rio que sua carreira deslanchou, quando, em 1857, se tornou o fotógrafo oficial da Casa Imperial. Posição que lhe deu a chance de fazer registros marcantes de D. Pedro II, que via nele um artista capaz de traduzir o Império. Fotografou ainda a Imperatriz Teresa Cristina e as princesas Leopoldina e Isabel.

Sempre atento às inovações técnicas da fotografia surgidas na Europa e Estados Unidos, Insley Pacheco incorporou todas elas em seu ofício. E uma de suas maiores conquistas foi a popularização da carte de visite (pequenos retratos colados em cartões) iniciada em 1861, seguida da fotografia em porcelana, vidro e marfin. Foi inventor da pose, do gesto e do instante.

Insley passou uma temporada em Nova York, onde aprendeu muito com Mathew Brady, fotógrafo de cenas da Guerra Civil Americana. Já de volta ao Rio, com seu estúdio na Rua do Ouvidor, posaram para ele grandes nomes da elite brasileira como José de Alencar, Machado de Assis, Marquês de Sapucaí, o Marquês de Olinda, o Visconde de Caravelas, o Visconde de Cairu, o Visconde de Mauá, o Marquês de Valença, entre muitos.

Sob suas lentes, o retrato tornou-se um verdadeiro espelho social, apresentando um país em formação. A chegada da fotografia comercial foi verdadeiramente revolucionária. Pela primeira vez, pessoas comuns podiam ser retratadas sem depender de pintores e de altos custos com quadros.

"Os retratos de Insley Pacheco documentam uma época em que a fotografia era exclusividade das elites sociais, distante dos selfies de nossos tempos que fizeram do direito ao retrato um modo de afirmar a pluralidade da sociedade atual. Por outro lado, o grande número de imagens reunidas no livro evidencia a riqueza da coleção do IHGB, que depois do incêndio do Museu Nacional passou a ser a coleção existente mais antiga do Brasil. A publicação é uma contribuição para democratizar o acesso ao patrimônio cultural brasileiro", acrescenta Paulo Knauss, diretor do Museu do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

Pacheco foi também pintor e aquarelista e amigo de grandes artistas, como Antônio Parreras. Suas obras atravessaram fronteiras, sempre se reinventando. Insley faleceu em 1912 deixando importantes registros fotográficos e obras de arte que marcaram época.

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