Demétrio do Carmo - Especial para o Diário
A intervenção administrativa na Turp Transportes, decretada pela Prefeitura de Petrópolis, completou três semanas com sinais de estabilização da operação e regularização das obrigações trabalhistas. Segundo o município, o acompanhamento presencial das ordens de partida e das escalas de tráfego tem contribuído para a melhora dos indicadores operacionais da empresa.
Embora o Relatório de Monitoramento de Performance (RMP), disponibilizado pela Companhia Petropolitana de Trânsito e Transportes (CPTrans), não seja atualizado desde março deste ano, a Prefeitura afirma que o monitoramento técnico realizado pela companhia registrou aumento da pontualidade das linhas nos terminais urbanos e redução no número de ônibus com falhas mecânicas durante a operação. O presidente da CPTrans, Luciano Moreira, destacou que a próxima etapa da intervenção será voltada para o fortalecimento da manutenção da frota e para a sustentabilidade financeira da operação.
“O balanço dessas primeiras semanas demonstra avanços importantes, tanto na regularização dos salários dos funcionários quanto no restabelecimento da operação. Sabemos que o transporte público de Petrópolis possui desafios históricos e ainda existem problemas a serem solucionados. Por isso, reforçamos as vistorias mecânicas e os serviços de manutenção na garagem para identificar e corrigir falhas antes da saída dos veículos. O objetivo é garantir a continuidade da operação, manter o fluxo de caixa para os próximos pagamentos e assegurar um atendimento adequado à população”, afirmou.
Situação financeira é crítica, afirma comissão parlamentar
A Comissão Especial de Acompanhamento e Fiscalização da Intervenção Parcial da Turp, criada pela Câmara Municipal de Petrópolis, realizou durante esta semana mais uma vistoria na sede da empresa para acompanhar o andamento dos trabalhos. O grupo é composto pelos vereadores Thiago Damaceno, Octavio Sampaio, Marquinhos Almeida, Fred Procópio e Júlia Casamasso.
Durante a visita, os parlamentares demonstraram preocupação com o elevado nível de endividamento da concessionária e os impactos da situação financeira sobre o pagamento dos trabalhadores e a manutenção da frota. O relator da comissão, vereador Fred Procópio classificou o cenário como delicado e defendeu a necessidade de medidas estruturantes para garantir a continuidade do serviço.
“A manutenção avançou e os direitos dos rodoviários estão sendo respeitados, mas a dificuldade financeira da empresa é real. O intuito da comissão é apontar para a população, com segurança, que a operação vai funcionar. E garantir que a prefeitura, ao término disso, não fique com passivo, como aconteceu em outros momentos da história. Até agora, a intervenção gerou resultado efetivo na operação. A mecânica e o almoxarifado passaram por uma revisão e, agora, têm outra dinâmica. Mas o fluxo financeiro é uma preocupação, tanto da empresa quanto da intervenção”, afirmou Procópio.
Já a vereadora Júlia Casamasso ressaltou que, apesar da regularização dos salários neste mês, a situação financeira da empresa continua preocupante.
“Neste momento, os trabalhadores receberam seus salários em dia, mas a empresa ainda carrega um passivo expressivo e enfrenta sérias dificuldades de caixa. Não podemos permitir que os rodoviários continuem arcando com os custos dessa crise. São eles que mantêm o sistema funcionando diariamente. Seguiremos fiscalizando a intervenção, cobrando transparência e construindo um diagnóstico responsável da situação. Os problemas encontrados são resultado de anos de gestão que priorizou interesses privados enquanto a qualidade do serviço se deteriorava”, afirmou.
Vereador quer redução da tarifa da Turp
O vereador Léo França apresentou um Projeto de Lei que prevê a redução proporcional da tarifa de ônibus sempre que a Prefeitura destinar recursos públicos para custear empresas de transporte coletivo sob intervenção municipal. Segundo a proposta, se o município utilizar dinheiro dos contribuintes para manter a operação, o benefício deve ser revertido diretamente aos usuários por meio da diminuição do valor da passagem.
O projeto também estabelece regras de transparência, obrigando a divulgação mensal de relatórios com os valores repassados, os custos da operação e os critérios de cálculo da tarifa. Além disso, impede reajustes tarifários durante o período de intervenção sem a comprovação pública e detalhada da necessidade do aumento. A matéria já foi protocolada na Câmara Municipal e segue para análise das comissões antes de ser votada em plenário.
Veja também: