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Inverno chega neste domingo (21), com passagem de frente fria

Petrópolis tem previsão de frio menos rigoroso e acumulados pluviométricos em torno da média histórica, aponta especialista da Defesa Civil

Foto: Alcir Aglio
Foto: Alcir Aglio

Larissa Martins

Chegou aquela época do ano em que os petropolitanos tiram os cobertores extras do armário, reforçam as camadas de roupas e buscam formas de se proteger das baixas temperaturas da Serra.

O inverno de 2026 começa, oficialmente, neste domingo (21), às 5h24, horário de Brasília, marcando o início da estação mais fria do ano, sob a influência do fenômeno El Niño.

De acordo com o Climatempo, para os primeiros dias do inverno, a previsão é de passagem de uma intensa frente fria pelo Brasil, que poderá trazer mais chuva para diversas áreas do Centro-Oeste e do interior da região Sudeste do Brasil, mantendo as condições atípicas de junho de 2026. Historicamente junho é um mês de predomínio de dias secos, com muito sol, pouca ou nenhuma chuva na maior parte do país.

Frio menos rigoroso em Petrópolis

Apesar disso, para a próxima semana, a previsão para Petrópolis é de dias mais quentes, com o aparecimento do sol acompanhado de chuva em partes dos dias. As temperaturas devem variar entre 12°C a 23°C. De quinta-feira (25) em diante, as temperaturas baixam e ficam entre 12°C e 13°C.

“A previsão é de um inverno menos rigoroso e os modelos meteorológicos também apontam para acumulados pluviométricos em torno da média histórica durante o inverno. O inverno também é um período com ocorrência de nevoeiro, o famoso ruço, durante a madrugada e no início da manhã”, explica a meteorologista da Defesa Civil, Rafaela Felipe.

Para enfrentar os eventos climáticos típicos da nova estação, a Prefeitura lança na segunda-feira, dia 22 de junho, o Plano de Contingência para o Inverno 2026. O documento foi elaborado em conjunto com a sociedade civil, secretarias municipais e entidades como o Corpo de Bombeiros, Inea, ICMbio e Águas do Imperador.

“Continuamos monitorando as condições meteorológicas para esta nova estação e estamos atentos com as influências que fenômeno El Niño podem causar. É importante dizer que historicamente, o El Niño influência nas temperaturas e não nos acumulados de chuvas, mas as medidas para enfrentamento de episódios de chuvas fortes fazem parte do Plano de Contingência para Chuvas Intensas Verão 2025/2026. Caso tenhamos ocorrência deste tipo, o Plano está vigente e seguiremos os protocolos”, comenta o secretário de Proteção e Defesa Civil, Guilherme Moraes. O Plano Verão está disponível no site da Prefeitura ( petropolis.rj.gov.br ).

Chuvas dentro do esperado no outono

De março a junho deste ano, os acumulados pluviométricos em Petrópolis ficaram em torno de 310mm, índice próximo do esperado para o outono, que foi de 300mm para os três meses.

“Tivemos um outono dentro do que foi esperado. Registramos algumas chuvas fortes, principalmente em maio em junho, mas dentro de todo o período ficamos dentro da média histórica”, comentou a meteorologista da Defesa Civil, Rafaela Felipe.

Prognóstico Climático de Inverno

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou, na quinta-feira (18), o Prognóstico Climático de Inverno. Nele é apontado que nesta época do ano, que segue até 22 de setembro, em função das inversões térmicas no período da manhã, são comuns as formações de nevoeiros e/ou névoa úmida nas regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste, com redução de visibilidade. O famoso “ruço” conhecido pelos petropolitanos.

Essas condições favorecem a ocorrência e a propagação de queimadas e incêndios florestais, além de contribuírem para o agravamento de doenças respiratórias e outros impactos à saúde da população.

A temperatura registrada pelos termômetros representa apenas o valor medido do ar. Já a sensação térmica corresponde à forma como o corpo percebe aquela temperatura. Ela pode ser influenciada por diversos fatores, como vento, umidade, exposição ao sol e até mesmo pelas roupas utilizadas.

Por exemplo, um ambiente com 15°C e ventos intensos pode ser percebido pelo organismo como muito mais frio do que outro ambiente com a mesma temperatura, mas sem vento. Isso ocorre porque o vento acelera a perda de calor da superfície do corpo.

Reação do corpo ao frio

De acordo com João Antonio Carretoni Ricco, Médico Intensiva Adulto e professor do curso de Medicina da Uniderp, quando as temperaturas caem, o organismo humano trabalha continuamente para manter a temperatura interna em torno de 36,5°C a 37°C, independentemente da temperatura do ambiente.

Quando o frio aumenta, o corpo ativa diversos mecanismos de defesa para evitar a queda da temperatura corporal e a perda excessiva de calor. Entre as respostas estão a contração dos vasos sanguíneos da pele, a diminuição da transpiração e, em situações mais intensas, os tremores musculares, que são uma forma de produzir calor. Por isso, é comum que as pessoas sintam mãos e pés mais frios, pele mais seca e uma maior sensação de desconforto nos dias de baixas temperaturas”, explica.

“Embora existam variações individuais, considera-se que temperaturas ambientais entre 20°C e 24°C, associadas a uma umidade adequada, proporcionam maior conforto térmico para a maioria das pessoas. Temperaturas muito baixas ou muito elevadas exigem um esforço maior do organismo para manter sua estabilidade, aumentando o desconforto e, em algumas situações, o risco de problemas de saúde. Uma das principais respostas do corpo ao frio é a chamada vasoconstrição, que consiste no estreitamento dos vasos sanguíneos da pele e das extremidades. Isso faz com que menos sangue circule na superfície do corpo, reduzindo a perda de calor e preservando a temperatura dos órgãos mais importantes, como cérebro, coração e pulmões”, explica o especialista. “Algumas pessoas, especialmente idosos e pacientes com doenças cardiovasculares, pode ocorrer um aumento da pressão arterial e uma maior sobrecarga para o coração. Por isso, durante o inverno, observamos um aumento na ocorrência de eventos cardiovasculares, como infarto e AVC, principalmente em indivíduos que já possuem fatores de risco”, acrescenta.

Hábitos e cuidados nesse período

O especialista reforça que, por isso, é importante adotar alguns hábitos e cuidados, durante esse período, que ajudem o corpo a se adaptar melhor às baixas temperaturas.

“ Ouso de roupas adequadas e cobertores é importante. Eles não produzem calor, mas funcionam como isolantes, reduzindo a perda do calor que o próprio corpo gera”, afirma.

Alguns cuidados ajudam o organismo a enfrentar melhor o frio:

* Utilizar roupas em camadas, que conservam melhor o calor;

* Proteger extremidades como mãos, pés e cabeça;

* Manter uma alimentação equilibrada e hidratação adequada, mesmo com menor sensação de sede;

* Praticar atividade física regularmente, que melhora a circulação e ajuda na produção de calor;

* Evitar exposição prolongada ao frio intenso.

João Antonio destaca, ainda, que é importante lembrar que o frio, por si só, não causa gripe ou resfriado. “Essas doenças são provocadas por vírus. Entretanto, durante o inverno as pessoas tendem a permanecer em ambientes fechados e pouco ventilados, o que facilita a transmissão das infecções respiratórias”, conclui.

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