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  Colunistas
José Luiz Alquéres
COLUNISTA

 

 

O que será do amanhã ?

Mais de um ano se passou desde que os mais cautelosos, e sensíveis às mensagens da comunidade científica, começaram a se isolar nas suas casas.

Ao longo deste tempo mudanças drásticas foram percebidas no comportamento e nas expectativas da população. De início muitos achavam que o Brasil só seria atingido marginalmente. Um ou outro caso. Poucas mortes e estas de pessoas já com um quadro de saúde afetado por outras doenças.

E as mortes começaram.

O número de casos evoluiu lentamente  e os alertas do noticiário implicaram logo numa corrida para compra de álcool gel e um pouco depois, no início envergonhado da utilização de máscaras de fabricação doméstica.

O grosso da população não sabia mesmo o que fazer, em quem acreditar, pois opiniões diversas abundavam pelas redes sociais.

Remédios duvidosos eram prescritos pelo chefe da nação e disponibilizados nas redes públicas.

E as mortes continuavam aumentando.

Em maio talvez, com a progressão da pandemia crescendo e especialmente com as notícias terríveis de alguns países da Europa, como a Itália, a discussão ganhou as manchetes. Na hora que se esperava uma certa constância e orientação superior ficou extremamente carente a qualidade da resposta. Ministros da Saúde e secretários estaduais e municipais se sucediam. Hospitais de campanha começaram a ser construídos com a mesma rapidez que denúncias de superfaturamento e desvios de dinheiro iam levando à cadeia secretários de governo e , mesmo, um Governador de Estado.

Indiferente a isso as mortes cresciam e se espalhavam.

A doença  ia ampliando o rol de suas vítimas. Em breve não havia familia que não tivesse um membro vitimado fatalmente, um amigo internado e um órfão a cuidar.

Continuavam, ao arrepio da ciência, as mais bizarras tentativas de conter a doença. E as explicações eram as mais tristes: ora se falava que a imprensa é que exagerava, ora faltavam leitos, máscaras, respiradores, leitos em UTI, ora coisas mais simples como kit entubação, que outra coisa não são do que anestésicos e pomadas lubrificantes. O descrédito passou a ser local, nacional e mundial. Fronteiras se fechavam ao Brasil.

E as mortes subindo.

Quando as vacinas aparecem descobrimos também que não as haviamos  comprado. Quando vacinas brasileiras são desenvolvidas verificamos que suas matérias primas são importadas. E aí, por estranho que possa parecer, encontramos dificuldades de comprá-las, porque Ministros e Deputados andaram a destratar autoridades dos países que as produzem.

As mortes passam de 3.000 por dia.

Tiram-se ministros , tiram-se generais , almirantes e brigadeiros que torciam o nariz para tanta irresponsabilidade e acordamos para a fome negra que atinge a população mais carente. São milhões de pessoas famintas nas grandes cidades.

As mortes, crescendo sem parar, já beiram os 4.000 óbitos diários.

A sociedade civil parece acordar para um esforço maior de solidariedade e algumas iniciativas realmente grandes e de impacto começam a ser anunciadas e um pouco de bom senso parece voltar ao comando governamental. Multiplicam-se os postos de vacinação e tudo indica que o fluxo de vacinas será disponibilizado.

E eis que a 4a onda, pior, mais letal, atingindo jovens,  é anunciada. Jovens que por serem mais fortes e resistentes demandam mais tempo quando internados nos hospitais, cuja crise atinge o seu pior momento.

A sucessão de lockdowns ou fechamentos absolutos é anunciada nas grandes cidades e nas periferias pobres e congestionadas, onde não se tem para onde ir.

A maior lição de tudo isso é começarmos já a estudar os caminhos da reconstrução moral, social, das infraestruturas físicas e das instituições que sairão desta pandemia, sabe-se lá quando, desmoralizadas, destruídas, envoltas em desânimo. Um mundo diferente vai aparecer. De início, muito rancoroso. Muito cobrador.

 Vamos guardar bem quem merece nosso respeito, quem vamos fazer o possível e o impossível para mitigar o sofrimento. Vamos honrar os bons médicos, atendentes, patrões, políticos e autoridades que estiveram ao lado do sofrido povo neste transe. E varrer o resto dos parlapatões e boquirrotos ignorantes que, pelos seus atos, tornaram mais miserável a existência de milhões de brasileiros 



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