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  Colunistas
José Luiz Alquéres
COLUNISTA

 

 

MUDANÇAS CLIMÁTICAS - TRÊS  OPÇÕES MAS UM SÓ CAMINHO

Mais uma vez se realiza uma reunião de chefes de Estado, com a presença virtual de representantes de todos os países importantes, para tratar das mudanças climáticas.

Poucos anos atrás, o Brasil se destacou com a presença de Izabella Teixeira, nossa Ministra do Meio Ambiente, uma das grandes negociadoras do Acordo de Paris, contendo compromissos de redução das emissões de carbono, assinado por 195 países.

Com a troca de Obama por Trump as atenções para o tema tornaram-se, por surpreendente, que possam parecer, maiores. Que assunto era este, ainda pouco conhecido do grande público, que fez um Presidente eleito revogar um compromisso tão importante. E cresceu o interesse pelo tema!

Não se tem dúvida que um dos motivos da derrota de Trump quatro anos depois nas seguintes eleições foi também fruto desta retirada do Acordo. Tanto que na campanha, e agora na nova reunião sobre o Acordo,  Joe Biden foi logo anunciando não só a adesão ao Acordo mas também uma aceleração nas suas metas.

Creio que a pandemia do COVID ajudou a criar esta consciência que a época do cada um por si, em matéria de política internacional ,está acabando. Especialmente quando problemas surgidos num pequeno mercadinho no interior da China, um vírus dentre os milhares que circulam por aí, afetam a saúde , produzem a maior crise econômica mundial, com redução de 13 % do consumo  de combustíveis e desarticulação das cadeias internacionais de suprimento de insumos.

No clima,  o fenômeno é semelhante. As emissões de carbono produzidas num país prejudicam todo o planeta. E no caso a transmissão dos seus efeitos é perniciosa, devastadora e compromete a vida na terra.

Até poucos anos atrás a preocupação dos países era limitar os efeitos das emissões destes gases a um aumento de 2 graus na temperatura média da terra. Essas emissões de gases de efeito estufa resultam dos motores dos automóveis, trens, navios e aviões da agricultura fortemente adubada quimicamente  e intensiva, do desflorestamento, dos nossos processos industriais intensivos no uso de energia e outras causas. Mas agora os cientistas já apontam que  se quisermos realmente nos prevenir de consequências mais drásticas,  devemos zerar essas emissões. Isso significa tanto evitá-las como capturá-las uma vez produzidas, impedindo que estes gases cheguem à atmosfera.

 

É um tema muito complexo, mas vou tentar resumir em três linhas de enfrentamento.

A primeira vou denominar a linha macroeconômica, a que pune as chamadas externalidades negativas. Ela impõe pesados custos adicionais às emissões na forma de uma taxa de carbono por quantidade emitida. Isso desestimularia, e mesmo impediria novas emissões e e criaria recursos para os governos enfrentar os problemas e acudir os mais pobres afetados por esta taxa. Teria que ser algo aplicado por todos os países. E ainda criar uns fluxos de dinheiro dos países ricos para os mais pobres. Dificílimo de se obter consenso quanto a isto ou quanto ao valor da taxa.

O segundo enfoque vou chamar de microeconomico. Através de intensas campanhas e, parte por imposições regulatórias, parte por convencimento, as pessoas, residências, agricultura, indústrias, comércios e entidades do governo aplicariam métodos de reduzir suas emissões. Isso passa por uma consciência coletiva profunda, solidariedade entre os indivíduos e compromisso com o bem comum, além de uma substancial alteração de seus hábitos culturais. Mais consumo responsável, mais reciclagem, mais agricultura orgânica, zero de automóveis a gasolina etc etc. Em paralelo incentivo a dezenas de novas tecnologias de geração de energia solar e eólica, uso de baterias, hidrogênio verde etc

O terceiro enfoque na falta de nome melhor chamarei de macrotecnológico ou brincar de Deus. O problema da mudança climática vem do efeito estufa, que é a formação de uma camada de gases na atmosfera, que impede o calor das emissões que produzimos, se dissipar pelo espaço. Quando este calor se soma à radiação diária de calor que o sol envia à terra esta se  aquece mais do que o seu resfriamento natural  promove. E aí os cientistas pensaram: e se nós reduzirmos a quantidade de energia que o sol faz chegar ao nosso planeta?  Diversos modelos estão sendo testados. Em laboratório. Em geral mandar para atmosfera substâncias que façam o efeito contrário da camada de gases de efeito estufa que impedem o calor de sair para o espaço. Esses produtos químicos dificultariam e diminuiriam a radiação do sol que chega a terra, refletindo-a.  Esta solução, ademais dos problemas tecnológicos a resolver, criaria problemas políticos ainda mais complicados do que a taxa de carbono citada na primeira opção.

 

O que fazer então?

Por enquanto um pouco de tudo. Uma taxa de carbono nos países que mais emitem. Um uso intenso de tecnologias menos poluentes em todos os processos e industria, agricultura e cidades. Mudança de hábitos de consumo perdulários por parte de pessoas e promotores de modos de vida. Intensificação da pesquisa científica e tecnológica.

O que se anuncia agora é a necessidade de emissões zeradas em 2050. Temos apenas 30 anos para consertar o mundo que vimos  estragando há séculos.

 



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