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  Colunistas
José Luiz Alquéres
COLUNISTA

 

 

ATUAÇÃO SOCIAL VOLUNTÁRIA NO RIO  E EM  PETROPOLIS


Quando voltamos no tempo e indagamos o que de bom ficou de atividades que estivemos envolvidos, não há melhor conforto do que  identificar coisas que floresceram ao longo do tempo e fizeram diferença em muitas vidas.
Ter participado é o retorno. Elas não geraram ganho financeiro algum, pelo contrário. Os s empreendedores sociais que as lideraram merecem ser lembrados e é o que faço..

 

No Rio de Janeiro é impossível falar do tema sem ter em referência o Padre Helder - como ele gostava de ser chamado - D Helder Camara.  Tive contacto com ele ainda em 1955 onde ele criou uma verdadeira força tarefa liderada por Maria Eugênia Aché Pillar, para organizar a logística do Congresso Eucarístico Internacional em 1955. A missa campal realizada no então inacabado Aterro do Flamengo, frente ao Passeio Publico, foi um evento remarcável e a cidade se desdobrou no acolhimento de milhares de peregrinos, abrigados em hotéis, pensões, colégios e outros espaços improvisados.


A experiencia de mobilização social amparou duas iniciativas subsequentes de D. Helder: a criação do Banco da Providência em 1960 e da Feira de Providência em 1961. Nelas já trabalhei como voluntário acompanhado de colegas da faculdade da minha idade, liderados pelo mesmo grupo da sociedade civil, reforçado por João Augusto Lago Meira de Castro, Gabriel Flores de Macedo, Roberto Marques de Azevedo, Fernando Barbosa e o querido Fernando Huet de Oliveira Sampaio ( Padreco) e outros.  Através dos anos voltamos a apoiar a Feira e o Banco cuja coordenação foi passada por Maria Eugênia Aché Pillar a Marina Araújo - apóstola da caridade -  que continuou neste papel até poucos anos atrás. Hoje Clarice Linhares  dá continuidade a este relevante trabalho de 60 anos.


No inicio da década de 70 o casal Anna Maria e John Parsons, ela antiga residente de Petrópolis, minha vizinha na Monsenhor Bacelar, fundou o Solar da Ponte em Tiradentes. Este hotel - pousada redefiniu o padrão de pequenos hotéis de charme no país, treinou dezenas de moradores locais que ao longo do tempo foram criando suas pousadas em Tiradentes e multiplicaram suas ações frente à comunidade local, fazendo de Tiradentes um modelo de cidade histórica. Conservou-se o casario, o plano urbano, e inspirados por Aloysio Magalhães criamos o Centro Cultural Yves Alves o qual recebeu grande impulso com Maria Lidia e Ricardo Montenegro e mais tarde da FIEMG de Robson de Andrade. Turbinou-se o funcionamento do Instituto Histórico e Geográfico local  dentre dezenas de outras iniciativas, que tiveram grande apoio de Joaquim Falcão e Mozart Serra na sua  gestão na Fundação Pró- Memória e de José Roberto Marinho e Joaquim Falcão, quando lideraram a Fundação Roberto Marinho. Para dar apenas um indicador o numero de leitos em pousadas na cidade entre 1972 e 2012 aumentou de 80 para 2500. E continuou crescendo, em numero e em qualidade, gerando milhares de empregos. Pude apoiar a viabilização de idéias de  de John e Anna desde seu nascedouro, eles que foram verdadeiros benfeitores da cidade,  como a criação da SAT- Sociedade Amigos de Tiradentes, berço de varias iniciativas que mudaram a vida na cidade. Tiradentes aliás já havia merecido um importante trabalho na área cultural por iniciativa de D. Maria do Carmo Nabuco, madrinha da cidade como lhe pediu Rodrigo de Mello Franco nos bons tempos do SPHAN.


Em Petropolis a fundação em 1991  da SAMI- Sociedade de Amigos do Museu Imperial, sob a presidência do Conselho de Roberto Paulo Cezar de Andrade,  hoje presidida pelo queridíssimo Desembargador Miguel Pachá, orgulho desta nossa terra e pai da juíza Andréa Pachá, mudou a vida do Museu.  A SAMI conseguiu captar e direcionar significativos recursos para apoio ao Museu Imperial, destacando uma primeira doação do Banco Real que permitiu um custoso e delicado trabalho de exterminação de  cupins e a milionária doação de Eletrobrás - via Fundação Roberto Marinho -  que permitiu a criação do  o espetáculo Som e Luz, ambas quando administrava o Museu Imperial, a museóloga  Maria de Lourdes Parreiras Horta.  Mais recentemente o apoio  à administração do Professor Mauricio Ferreira, vem se traduzindo em  inúmeras aquisições de peças, restauro de bens, digitalização do acervo, novas instalações de acolhimento de visitantes dentre outras.


A CSZ - Casa Stefan Zweig é outra iniciativa de um grupo de admiradores do falecido escritor,- dentre outros Roberto Bronfman e Alberto Dines - a registrar. Zweig  ali viveu seus últimos dias. Adquirida e reformada a casa, hoje, poucos anos após a sua fundação, ela já é presença incontornável na vida cultural da cidade. Ela vem de lançar o trabalho de seus incansáveis dirigentes, Israel Beloch e Kristina Michaelis,  denominado Dicionário dos Exilados , aquele grupo de intelectuais, a maioria judeus, que trouxe para o Brasil, a partir das ameaças da 2a Guerra Mundial, uma enorme revolução no campo das artes e do humanísmo-  contribuindo para evolução e aggiornamento da nossa cultura.


Mais recentemente , desde 2011, a partir do apoio à construção e manutenção do CEI N. Sra da Gloria, onde hoje a Mitra de Petrópolis, mantem com pequena ajuda da comunidade de Correas, uma creche que já abriga 170 crianças, temos visto se desenvolver dois importantes movimentos comunitários nesse bairro. Sergio Mattos lidera os trabalho de recomposição da aparência das ruas do bairro e  respeito à posturas públicas, limpando e capinando calçadas, pintando postes e a ponte, evitando e combatendo disposição irregular de lixo e outras contribuições do gênero. Eduardo Quentel lidera a Casa de Correas- Espaço Literário e o Correas Sustentável, que vem crescendo sua presença, com seu projeto de reforma da Praça,  biblioteca e espaço José Cândido Monteiro de Barros Bastos, este autor de livros sobre Correas, filho do icônico Dr Gabriel Bastos, grande médico filho da terra.


Um trabalho de muitas formiguinhas ao longo do tempo ajuda a mudar para melhor a vida urbana. Não tem preço perceber que desse trabalho fica algo importante, não só para os outros mas para nós: a experiência transformadora de uma vivência inspirada na caridade cristã, no dom de si e do  próprio tempo em beneficio de terceiros. Não há maior remuneração  ou benefício social, nestes tempos de desencanto com a vida pública, do que o engajamento neste tipo de voluntariado. Sem perder de vista, é claro ,a participação política para mudar o estado de coisas que vivemos.



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