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  Colunistas
José Luiz Alquéres
COLUNISTA

  

Homens, Mulheres  e LGBTQIA+

 

José Luiz Alquéres

No início da década de 30 os Estados Unidos viviam uma enorme recessão econômica. Filas de desempregados lutavam por um prato de sopa. Uma grande indignação  com a desigualdade social, uns famélicos enquanto outros ostentavam riquezas incalculáveis. Os jovens intelectuais flertavam  com comunismo, nazismo e novas modas , algumas de enorme desencantoo , tipo abaixo a familia, legalizem  o aborto e aceitem a  promiscuidade sexual etc. Coisas que se acentuam em tempos de crise e transição , como os que estamos vivendo hoje no Brasil ,onde nada parece fazer sentido.

Mary Mc Carthy (1912/1989) foi uma romancista americana que ambientou muitos dos seus livros nquela época. Lembro de ter lido um sobre as Pedras de Florença ( certamente inspirada por John Ruskin) , um sobre Veneza e outro, O Grupo, que ganhou uma bela versão cinematográfica no final dos anos 60. Mary foi grande amiga e testamenteira de Hannah Arendt, proeminente socióloga judia, que se exilou nos Estados Unidos, e é muito citada por ter cunhado a expressão:  a banalidade do mal, quanto cobria o julgamento do nazista Adolf Eichman.

No livro o Grupo, com fortes vínculos com a realidade de então, Mary McCarthy fala sobre diferentes colegas egressas de um colégio americano de elite, possivelmente Vassar, onde ela estudou. Ela aborda temas emergentes na literatura americana da época como aborto, lesbianismo, independencia feminina e outros. Perpassa pela narrativa a especial ligação entre colegas de turma, mulheres.

Embora íntimas amigas no colégio, cada uma dá um direcionamento diferente à sua vida. Quando algumas se encontram anos depois, apesar do tempo decorrido,  trocam  segredos íntimos como outrora teriam feito. Aparece em verdadeira grandeza a dinâmica de relacionamento verdadeiramente franco que mulheres estabelecem entre si ao falar de vida, sonhos, frustrações,  maridos e filhos. Quase um século depois este padrão de comportamento ocorre no Brasil. A mulher não apenas fala mas posta no Face ou Instagram.

É algo muito diferente da amizade entre homens, que meninos de colégio ou jovens são muito abertos entre si, porem ao casarem,  colocam em geral uma barreira maior nas suas conversas sobre a vida  familiar. Menos propensos a confidências constroem amizades sobre interesses comuns profissionais, ou no esporte, política ou algum hobby. Trocam  ideias sobre saúde e sobre alguma realização positiva de algum rebento, mas são muito reservados se o assunto é íntimo.

É como se não quisessem expor sua verdadeira situação, sua humanidade ou fragilidades ao amigo, certamente imaginando que estaria se desnudando em público, suas palavras poderiam voltar contra si, poderia ser acusado de fraqueza.

Estes perfis psicológicos estereotipados naturalmente não podem ser aplicados como regra mas não deixa de ser interessante observar o quanto eles podem influenciar os relacionamentos ao longo da vida.

Uma sábia mulher uma vez me disse: a mulher não quer que voce concorde com ela, ela quer que você a ouça. Já homens tidos como sábios aconselham a outros justo o contrário, a não se abrirem, nem mesmo com suas mulheres, pois daí só advirão cobranças e complicações, senão no momento mas certamente mais tarde.

Uma longa pandemia e assistência a bons filmes no streaming tem me feito constatar que as coisas continuam a se passar desta forma pelo mundo afora, embora um sinal muito positivo de homens com mentalidade mais propensa a se expor, especialmente frente às mulheres que amam, esteja aparecendo. E as mulheres aceitam esta fragilidade que as faz crescer frente ao todo poderoso machão auto suficiente de outrora.

Tudo isso se dá na complexa discussão entre sexo, identidade, orientação afetiva e exposição públíca, aspectos fisicos e psíquicos que redefinem, em complexas combinações,  dentre as chamadas identidades não binárias ( homem ou mulher), as variantes cognominadas LGBTQIA+  , uma enorme complexidade de tipos humanos, a serem aceitos, simplesmente como pessoas e politicamente como cidadâs, sem que uma obsessão cliassificatória as engesse numa camisa de força.



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