Pedro Henrique Batista Penha e Esther Müller de Oliveira estão entre os estudantes escolhidos no 2º Concurso Portinho Livre de Literatura Infantojuvenil
Jamis Gomes Jr. - estagiário
Dois estudantes de Petrópolis tiveram seus textos selecionados para integrar o livro digital do 2º Concurso Portinho Livre de Literatura Infantojuvenil, realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Pedro Henrique Batista Penha e Esther Müller de Oliveira estão entre os jovens autores reunidos na publicação, que teve como tema “O Brasil que Resiste: Ideias para Adiar o Fim do Mundo” , inspirado na obra do escritor e imortal da Academia Brasileira de Letras Ailton Krenak.
Os trabalhos dos estudantes petropolitanos aparecem na publicação com os títulos “Florestaneidade: Uma Chance de Adiar o Fim do Mundo”, de Pedro Henrique, e “Mãe Terra nos Conta uma História”, de Esther Müller de Oliveira.
A iniciativa buscou estimular a produção literária entre jovens e promover reflexões sobre questões como meio ambiente, mudanças climáticas, preservação e os desafios para o futuro. Os trabalhos foram desenvolvidos com o incentivo das professoras Tainara Soares e Kitylla Gevezier.
Natureza de Petrópolis como inspiração
Pedro Henrique conta que recebeu a notícia de sua seleção há cerca de dois anos. Na época, ainda estava começando a participar de concursos literários e se surpreendeu com a oportunidade de ter seu trabalho reconhecido por uma instituição como a Fiocruz.
“Na época, era um dos primeiros concursos para os quais eu havia sido selecionado, e justamente por uma instituição tão importante para o nosso país. Sendo assim, o resultado não poderia ter sido melhor. Fiquei extremamente feliz e honrado”, conta.
O texto “Florestaneidade: Uma Chance de Adiar o Fim do Mundo” nasceu da relação do estudante com a natureza e, especialmente, da paisagem de Petrópolis.
“Sempre tive uma relação de muito respeito com a natureza, e o tema do concurso dialogava diretamente com isso. A inspiração surgiu das exuberantes florestas e serras de Petrópolis. Precisamos preservar essas riquezas naturais”, afirma.
Pedro explica que queria fazer com que o leitor refletisse sobre suas próprias atitudes e sobre a relação da sociedade com o meio ambiente.
“Esperava que o leitor fosse levado a refletir e pudesse tomar, ao menos, um pouco mais de consciência sobre suas ações e sobre a relação que temos com o meio ambiente”, explica.
Para o jovem escritor, o próprio tema do concurso representa uma crítica à sociedade diante das mudanças climáticas, mas também mostra que ainda existem caminhos de resistência.
“Contribuímos diariamente para o agravamento das mudanças climáticas, mas, mesmo nesse cenário, existem pessoas e povos, como os povos indígenas, que resistem por meio de seus conhecimentos, técnicas e saberes sustentáveis, buscando fazer do mundo um lugar melhor”, destaca.
“Mãe Terra nos Conta uma História”
O segundo trabalho petropolitano selecionado para a publicação é “Mãe Terra nos Conta uma História”, de Esther Müller de Oliveira.
A estudante conta que soube da seleção por meio de uma mensagem enviada por uma professora querida. Para ela, a inspiração surgiu da percepção de que é necessário cuidar do planeta e pensar no papel das novas gerações na preservação ambiental.
“O sentimento surgiu ao ter a ciência de que nossa terra precisa de cuidados. Nós, jovens, precisamos concluir nossa geração tendo zelo pelos nossos bens. Assim, adiaremos o fim do mundo”, afirma.
Esther considera o tema do concurso um alerta importante para a sociedade. Segundo ela, a literatura pode contribuir para levar a discussão a um número maior de pessoas e estimular mudanças de comportamento.
“É um tema bem impactante, que devemos seguir, pois, se continuarmos com o ritmo que algumas pessoas têm seguido, o intuito é alcançar o máximo de pessoas para fazer com que elas se conscientizem e façam o melhor tratamento com nosso meio ambiente”, explica.
Literatura como ferramenta de transformação
Além da preocupação ambiental, a participação dos dois estudantes também evidencia a importância do incentivo à escrita durante a formação escolar.
Esther conta que teve contato com atividades de produção textual desde o início do Fundamental 2 e considera a publicação uma experiência especial.
“Desde que entrei no Fundamental 2, tivemos professores que nos incentivaram a fazer esses textos, redações. Contudo, fazer parte dessa ação é incrível. Pessoas de todo o Brasil estão presentes, é inspirador. Temos a convicção de que podemos transformar as pessoas com o devido conhecimento”, afirma.
Pedro também destaca o papel das professoras Tainara Soares e Kitylla Gevezier no processo.
“Tem um significado muito grande. Mostra a força da nossa literatura e o poder da educação. Com a ajuda das incríveis professoras Tainara Soares e Kitylla Gevezier, conseguimos esse feito, e ficamos muito honrados”, conta.
Para o estudante, estar em uma publicação da Fiocruz também representa uma oportunidade de levar o nome de Petrópolis para além da cidade.
“É também uma forma de levar o nome de Petrópolis e mostrar que existem jovens produzindo literatura e pensando sobre questões importantes para o nosso país”, acrescenta.
Experiência que pode continuar
A participação no concurso não parece ser um ponto final para Pedro. O estudante já acumula experiências em outras publicações e pretende continuar escrevendo.
“Sou poeta e escritor, e a literatura já faz parte do meu ser. Já participei de seis antologias poéticas em livros físicos e de mais algumas publicações digitais, incluindo uma de Portugal. Espero que esse seja apenas o começo e que novas aventuras venham pela frente”, afirma.
Para ele, a literatura é uma forma de expressão que ultrapassa a própria obra.
“Hoje, a literatura representa para mim uma arte capaz de ecoar pelo universo, livre e sublime”, define.
Esther também pretende continuar escrevendo, mesmo sem encontrar atualmente concursos literários na escola onde estuda.
“Pretendo escrever para guardar esse sentimento de expressão através de palavras. Hoje, onde estudo, não tem concursos literários”, explica.
Para a estudante, a literatura é uma maneira de transmitir diferentes sentimentos e emoções.
“A literatura é um marco, tudo de mais precioso, onde podemos transmitir várias emoções. É leve e intensa ao mesmo tempo, tudo que a nossa Cidade Imperial precisa”, conclui.
A presença de Pedro e Esther no livro do 2º Concurso Portinho Livre de Literatura Infantojuvenil coloca Petrópolis entre as cidades representadas na publicação e mostra como a literatura pode ser utilizada pelos jovens para refletir sobre questões que ultrapassam o ambiente escolar, como a preservação da natureza, as mudanças climáticas e os desafios para o futuro.
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