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Jubileu

- Mauro Peralta é médico e ex-vereador

Foto: Reprodução
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Jubileu deriva de uma antiga tradição bíblica judaica, celebrada a cada cinquenta anos, destinada à libertação dos escravos, ao perdão das dívidas e ao descanso da terra para novos plantios. Era, tradicionalmente, o ano do recomeço, do perdão e das indulgências plenas.

Neste ano de 2026, no mês em curso, completo 50 anos de formado pela sétima turma da Universidade de Vassouras. Naquela época, existiam apenas 54 faculdades de Medicina no Brasil, e os vestibulares eram extremamente concorridos. Somente os melhores alunos conseguiam ingressar em uma escola médica.

Celebrar as bodas de ouro de uma profissão que era tão bela não é para todos. Apenas alguns privilegiados por Deus têm a felicidade de alcançar essa marca. Nestes cinquenta anos, muita coisa evoluiu para melhor. Em 1976, a endoscopia digestiva dava seus primeiros passos, ainda com aparelhos de fibra óptica, e sequer se conhecia a bactéria responsável pela maioria das úlceras gástricas. Os exames do estômago eram realizados por meio de radiografias com contraste de bário, na chamada seriografia esofagogastroduodenal. No intestino, utilizava-se o clister opaco, também com contraste de bário.

Não existiam tomografia computadorizada nem ressonância magnética para facilitar o diagnóstico. O médico precisava conversar, ouvir atentamente, auscultar e apalpar o paciente para avaliar fígado, baço, nódulos e tumores. O exame clínico era soberano. Somente na década de 1980 o ultrassom começou a se popularizar. Hoje dispomos de ultrassonografia em 3D e 4D, algo inimaginável naquela época.

O tratamento do câncer também mudou radicalmente, e muitos pacientes hoje alcançam a cura. Os medicamentos biológicos, que surgiram a partir dos anos 2000, transformaram o tratamento de doenças antes incapacitantes, como artrite reumatoide, lúpus e espondilite anquilosante, permitindo melhor qualidade de vida e controle prolongado dessas enfermidades.

Na cardiologia, assim como em praticamente todas as especialidades médicas, a evolução foi extraordinária. A expectativa e a qualidade de vida aumentaram significativamente, permitindo que idosos como eu continuem trabalhando e exercendo sua vocação sem grandes limitações.

Entretanto, a relação médico-paciente piorou muito. O clínico geral, o médico de família que, antes de ser médico, era amigo, conselheiro e confidente, foi gradualmente substituído por máquinas, exames complementares e uma infinidade de especialidades: médico da mão, do pé, do coração, do pulmão e assim por diante. Esqueceu-se, muitas vezes, que o ser humano é um só e que nada substitui o toque, o olhar atento, a escuta cuidadosa e a compreensão do sofrimento alheio.

Aquele médico amigo, respeitado e querido por seus pacientes, tornou-se cada vez mais raro. Vivemos tempos em que muitos acreditam que a inteligência artificial pode resolver quase tudo.

Infelizmente, a nobre arte de Hipócrates (curar quando possível, aliviar frequentemente e consolar sempre) parece estar em xeque. Que saudade do tempo em que, para ser médico, o principal requisito era gostar de pessoas, amar o próximo como a si mesmo.

Que nostalgia de 1976. A mesma saudade que sinto de minha querida esposa, que também completaria 50 anos de profissão. Como rever o passado não nos devolve o futuro, saúdo todos os colegas da sétima turma em nome do meu amigo petropolitano, Dr. José Carlos Santana de Araújo. Parabéns a todos nós.

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