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sábado, 23 de maio de 2026


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Lagos, rios e cachoeiras exigem atenção para risco de afogamento

Bombeiros foram acionados para dez resgates em Petrópolis nos primeiros meses deste ano

Foto: Reprodução
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Larissa Martins

Mesmo longe do litoral fluminense, nenhum lugar está livre de registrar casos de afogamentos, seja em rios, cachoeiras ou lagos. Entre os dias 01/01/2026 até o dia 20/05/2026 foram registrados dez acionamentos para resgates em lagos, rios e cachoeiras em Petrópolis.

No mesmo período do ano anterior foram registradas onze ocorrências. E em todo o ano de 2025 o Corpo de Bombeiros atendeu a 20 chamados no município.

Casos recentes

No ano passado, por exemplo, um jovem de 23 anos morreu afogado na cachoeira do Tigre, no Bonfim. O Corpo de Bombeiros, do quartel de Itaipava, foi acionado por volta das 11h, contando com o auxílio do Grupamento de Busca e Salvamento da Barra da Tijuca, com a presença de mergulhadores. O corpo da vitória foi encontrado por volta de 12h.

O caso foi registrado, lamentavelmente, quase três semanas depois de um adolescente de 15 anos morrer afogado em um poço no Bela Vista, em Cascatinha. O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas encontrou a vítima já sem vida preso em pedras.

Orientações do CBMERJ

O Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro alerta quanto aos riscos do banho em cachoeiras, rios e lagos, locais que parecem seguros, mas escondem perigos que muitas vezes não são visíveis, como profundidade, correnteza, raízes e galhos, que podem ser fatores que podem levar ao afogamento.

Mesmo em rios conhecidos, o relevo do solo pode mudar por deslocamento de pedras e troncos, alterando a profundidade da água. Não é aconselhável o salto nesses locais, tendo em vista o risco de lesões e traumas. A correnteza forte é outro risco do banho em rios, principalmente quando os níveis estão acima da normalidade.

“Caso se depare com uma em situação de perigo na água, acione imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193. Se possível, disponibilize algum material flutuante para a vítima e aguarde a chegada do socorro. Não se arrisque entrando na água para tentar efetuar o salvamento por conta própria. Você pode se tornar mais uma vítima”, alerta.

Nas praias, a orientação do Corpo de Bombeiros RJ é que os banhistas procurem os locais próximos aos postos de guarda-vidas, que respeitem as orientações dos profissionais e a sinalização das bandeiras informando as condições do mar e o local indicado para o banho seguro.

Além disso, a corporação alerta para os cuidados com as crianças. Jamais deixe elas sozinhas, mantendo sempre próxima com a distância de no máximo um metro. A orientação é não mergulhar à noite ou após ingestão de bebida alcoólica.

Em relação às ocorrências nas praias no estado,  entre os dias 01/01/2026 até o dia 20/05/2026 foram registrados 10.162 resgates, contra 14.326 no mesmo período do ano anterior.  E em todo o ano de 2025 o  Corpo de Bombeiros realizou  20.647 resgates no mar.

Principais vítimas

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 2,5 milhões de mortes evitáveis por afogamento ocorreram na última década, mais de 90% delas em países de baixa e média renda, com ocorrências frequentes em rios, lagos, poços, represas domésticas e piscinas.

Todos os anos, quase 250 mil pessoas perdem a vida por afogamento, sendo quase 82 mil crianças entre 1 e 14 anos, seguindo como um dos principais riscos à saúde infantil no Brasil.

O verão é a época com o maior registro de casos desse tipo, cerca de 40% dessas mortes ocorrem justamente nos meses mais quentes do ano, período associado a lazer, confraternizações e maior uso de piscinas.

O cenário traz um padrão recorrente e perigoso, onde ambientes considerados seguros, como residências e áreas de lazer privadas, têm se tornado palco de tragédias evitáveis, especialmente quando há crianças envolvidas.

Embora mais de 80% dos afogamentos ocorram em água doce como rios, lagos e lagoas, que lideram as estatísticas, as piscinas aparecem como o 4º principal cenário, correspondendo por 3,8% dos casos. No entanto, quando se trata de afogamento infantil, o dado se torna ainda mais preocupante, pois 55% das mortes de crianças por afogamento acontecem em piscinas residenciais.

Especialistas alertam que a maioria dessas ocorrências se dá em ambientes familiares, durante festas, almoços ou confraternizações, quando há uma falsa sensação de segurança e a vigilância de adultos é momentaneamente relaxada.

Os números mostram que o problema persiste e ainda exige reforço nas campanhas de conscientização, fiscalização e adoção de medidas simples de segurança.

Para o coronel Valdir Pavão, presidente da Fundação dos Bombeiros (FUNDABOM), a prevenção ainda é a principal ferramenta para evitar tragédias.

“A maioria dos afogamentos infantis em piscinas acontece em poucos segundos e em silêncio. Basta um momento de distração. Piscina não é brinquedo e criança não pode ficar sozinha nem por segundos. Barreiras físicas, supervisão constante e educação em prevenção salvam vidas. O verão exige atenção redobrada das famílias”, pontua.

SOBRASA

Segundo a Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (SOBRASA), quando uma pessoa está em dificuldades na água e não consegue manter as vias aéreas livres, a água que entra na boca é voluntariamente cuspida ou engolida.

Se não interrompido a tempo, uma quantidade inicial de água é aspirada para as vias aéreas e a tosse ocorre como uma resposta reflexa (evidência de aspiração). Em raras situações ocorre o laringoespasmo (menos de 2%), mas em tais casos, é rapidamente terminado pelo aparecimento da hipóxia.

Se a pessoa não é resgatada, a aspiração de água continua e a hipoxemia (baixa de oxigênio no sangue) leva em segundos a poucos minutos à perda da consciência e parada respiratória (apnéia) que acontecem ao mesmo tempo.

Em sequência a aceleração do coração (taquicardia) ocorre uma redução dos batimentos por minuto (bradicardia), atividade elétrica do coração sem pulso arterial palpável, e assistolia. Geralmente o processo todo de afogamento, da imersão (parte do corpo dentro da água) ou submersão (todo corpo dentro da água) até a parada cardíaca, pode ocorrer desde segundos a alguns minutos.

Se a pessoa é resgatada viva, o quadro clínico é determinado pela quantidade de água que foi aspirada e os seus efeitos ao sair da água. Se a Reanimação cardiopulmonar (RCP) for necessária, o risco de dano neurológico é semelhante a outros casos de parada cardíaca.

No entanto, o reflexo de mergulho e a hipotermia usualmente associadas com afogamento podem proporcionar maiores tempos de submersão sem sequelas. A hipotermia pode reduzir o consumo de oxigênio no cérebro, retardando a hipóxia celular, o que explica casos de sucesso na RCP realizadas em pacientes com tempo prolongado de submersão onde supostamente não teriam chances de recuperação sem danos permanentes.

No afogamento, quantidades tão pequenas quanto 70 ml, podem produzir graves consequências. A função respiratória fica prejudicada pela entrada de líquido nas vias aéreas, interferindo na troca de oxigênio (02) - gás carbônico (CO2) de duas formas principais:

1.    Obstrução parcial ou completa das vias aéreas superiores por uma coluna de líquido, nos casos de submersão súbita e/ou;

2.    Pela aspiração gradativa de líquido até os alvéolos.Estes dois mecanismos de lesão provocam a diminuição ou abolição da passagem do 02 para a circulação e serão maiores ou menores de acordo com a quantidade e a velocidade em que o líquido foi aspirado.

Tipo de água

A aspiração de água salgada ou doce causam graus similares de lesão, e possuem mesmo tratamento e prognóstico. Veja a classificação quanto ao tipo de água:


1.     Afogamento em água Doce: piscinas, rios, lagos ou tanques;

2.     Afogamento em água Salgada: mar;

3.     Afogamento em água salobra: encontro de água doce com o mar;

4 - Afogamento em outros líquidos não corporais: tanque de óleo, lama ou outros líquidos.

Causa do afogamento

1.     Afogamento Primário: quando não existem indícios de uma patologia associada ao afogamento, ou seja, houve uma subestimação do risco ou uma superestima da competência aquática do individuo que o levou ao afogamento;

2. Afogamento Secundário: quando existe alguma causa que tenha impedido a vítima de se manter na superfície da água e, em consequência precipitou o afogamento: Drogas (36,2% - mais frequente o álcool), convulsão, traumatismos, mal súbito (doenças cardíacas), patologias pulmonares, acidentes de mergulho e outras.

Usualmente a cãibra não se caracteriza como afogamento secundário já que não pode ser responsabilizada por um afogamento, como ex: nadadores, surfistas e mergulhadores enfrentam cãibras dentro da água com frequência e não se afogam por esta razão.

Gravidade

O grau de afogamento deve ser estabelecido na saída da água, no relato do primeiro atendimento na área seca. Esse é o grau definitivo, mesmo que o paciente piore ou melhore. Essa evolução do quadro é esperada dentro do grau avaliado no primeiro atendimento, e deve ser registrada. Essa avaliação e registro são fundamentais para avaliação das boas práticas e evoluir no conhecimento. Veja:

Resgate: sem tosse, espuma na boca/nariz, dificuldade na respiração, parada respiratória ou PCR;

Grau 1: tosse sem espuma na boca ou nari;

Grau 2: pouca espuma na boca e/ou nariz (estertores em bases);

Grau 3: muita espuma na boca e/ou nariz (edema agudo de pulmão) com pulso radial palpável;

Grau 4: muita espuma na boca e/ou nariz (edema agudo de pulmão) sem pulso radial palpável;

Grau 5: parada respiratória, com pulso carotídeo ou sinais de circulação presente;

Grau 6: Parada Cárdio-Respiratória (PCR);

Já cadáver: PCR com tempo de submersão maior que 1 horaou rigidez cadavérica ou decomposição corporal e/ou livores (manchas arroxeadas ou avermelhadas na pele).

Conduta

Grau 1:

1. Avalie e libere do próprio local do afogamento

2.Repouso, aquecimento e medidas que visem o conforto e tranquilidade do banhista.

3.Não há necessidade de oxigênio ou hospitalização

Grau 2:

Oxigênio nasal a 5 litros/min
Aquecimento corporal, repouso, tranquilização.
Observação hospitalar por 24 h.

Grau 3:

Oxigênio por máscara facial a 15 litros/min no local do acidente.
Posição Lateral de Segurança sob o lado direito.
Internação hospitalar para tratamento em CTI.

Grau 4:

Oxigênio por máscara a 15 litros/min no local do acidente
Observe a respiração com atenção - pode haver parada da respiração.
Posição Lateral de Segurança sob o lado direito.
Ambulância urgente para melhor ventilação e infusão venosa de líquidos.
Internação em CTI com urgência.

Grau 5:

Ventilação boca-a-Boca. Não faça compressão cardíaca.
Após retornar a respiração espontânea - trate como grau 4.

Grau 6:

1. Reanimação Cárdio-Pulmonar (RCP) (2 boca-a-boca + 30

compressões cardíaca com 1

socorrista ou 2x15 com 2

socorristas).

2.Após sucesso da RCP - siga o protocolo do grau 4

Já cadáver:

Não inicie RCP, acione o Instituto Médico Legal.

Resgate: afogado resgatado vivo da água que não apresenta tosse ou espuma na boca e/ou nariz com ausculta pulmonar normal - pode ser liberada no local sem necessitar de atendimento médico após avaliação do socorrista, quando consciente sem necessitar de atendimento médico.

Em todos os casos de resgate podem apresentar hipotermia, náuseas, vômitos, distensão abdominal, tremores, cefaleia, mal estar, cansaço, dor no tórax, diarreia e outros sintomas inespecíficos. Parte destes sintomas são decorrentes do esforço físico realizado na água sob estresse emocional do medo, durante a tentativa de se salvar do afogamento.

Afogamento: pessoa resgatada da água que apresenta evidência de aspiração de líquido: tosse, espuma na boca ou nariz ou ausculta pulmonar alterada deve ter sua gravidade avaliada no local do incidente, receber tratamento adequado e acionar se necessário uma equipe médica para prover suporte avançado de vida.

Mais informações estão disponíveis no manual da SOBRASA, no endereço: https://www.sobrasa.org/new_sobrasa/arquivos/baixar/Manual_de_emergencias_aquaticas.pdf .

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