Edição anterior (4300):
quarta-feira, 17 de junho de 2026


Capa 4300

Lei cria circuito turístico da primeira ferrovia do país e proíbe a demolição de estações em Petrópolis

A norma reconhece 25 pontos da antiga Estrada de Ferro Príncipe do Grão-Pará e veda a descaracterização do patrimônio ligado à chegada do trem à Cidade Imperial

Foto: Ascom PMP
Foto: Ascom PMP

Vitor Cesar estagiário

Sancionada na última quinta-feira (11), a Lei nº 9.282 criou o Circuito Ferroviário Turístico Cultural da antiga Estrada de Ferro Príncipe do Grão-Pará, reunindo 25 pontos espalhados pela cidade e proibindo que esses equipamentos sejam derrubados ou tenham forma, fachada e volumetria originais descaracterizadas. A medida tem autoria do vereador e pré-candidato a deputado estadual Fred Procópio.

Tramitado como Processo nº 2140/2023, o circuito criado abrange desde o Alto da Serra, ponto de chegada do trem que subia a Serra da Estrela, até a região de Pedro do Rio, no sentido que a ferrovia seguia rumo a Minas Gerais. Entre os locais protegidos estão as estações do Meio da Serra, de Cascatinha, de Nogueira e de Pedro do Rio, o Viaduto da Grota Funda, o Túnel do Quissamã e o arco da antiga estação do Centro, hoje Terminal Rodoviário.

Além da criação, o texto veda a demolição ou descaracterização de qualquer um dos equipamentos listados, assim como alterações construtivas que descaracterizem sua forma, fachada e volumetria originais, mesmo em caso de obras.

“Ao longo dos anos, infelizmente, alguns trechos perderam as características da época ou foram demolidos para dar lugar a novas construções. Nossa intenção é resgatar essa memória apagada com o tempo e incluí-la nos roteiros turísticos feitos na cidade”, destaca o vereador e autor Fred Procópio.

Os 25 pontos do circuito

Conforme o artigo 1º da lei, integram o Circuito Ferroviário Turístico Cultural:

1. Estação do Meio da Serra

2. Viaduto da Grota Funda

3. Local da primeira estação ferroviária no Alto da Serra

4. Morro das Oficinas

5. Rua dos Ferroviários, Casa nº 1913, Alto da Serra

6. Condomínio Grão Pará (antiga Estação do Alto da Serra)

7. Praça dos Ferroviários, Alto da Serra

8. Rua paralela à Dr. Sá Earp, onde ficam as fábricas (caminho para o Centro)

9. Casas nº 267 e 277 da Rua Visconde de Bom Retiro

10. Cabine de sinalização ferroviária, na Rua Visconde de Bom Retiro

11. Arco superior no Terminal Rodoviário do Centro (antiga estação de Petrópolis)

12. Túnel do Quissamã (na rua que segue para o Quissamã)

13. Estação de Cascatinha

14. Túnel do Itamarati (em terreno particular)

15. Pontilhão de ferro do Itamarati

16. Prédio do Banco Itaú (antiga Estação Corrêas)

17. Estrada Mineira (trajeto por onde passava o trem)

18. Estação de Nogueira

19. Rua Braz Rossi (trajeto por onde passava o trem)

20. Vila Epitácio (trajeto por onde passava o trem)

21. Cabeceiras da antiga Ponte Ferroviária de Bonsucesso

22. Local da Estação de Itaipava, junto ao acesso da BR-040 ao Arranha-céu

23. Local da Estação Dr. Nilo, próximo ao Castelo de Itaipava

24. Estação de Pedro do Rio

25. Parada Cedro

Segundo a justificativa do projeto, as estações de Cascatinha, Nogueira e Pedro do Rio já foram restauradas e transformadas em centros culturais. Já as estações de Corrêas, Itaipava e Bonsucesso foram destruídas, mas têm a localização conhecida, e os pontos de parada Dr. Nilo e Cedro são identificados apenas por referência.

História

A Estrada de Ferro Príncipe do Grão-Pará é herdeira da Estrada de Ferro Mauá, a primeira ferrovia do país, inaugurada em 1854 pelo empresário Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, ligando o Porto de Mauá, na Baía de Guanabara, à raiz da Serra da Estrela. Em 1883, a linha foi estendida serra acima até Petrópolis, no trecho que recebeu o nome de Príncipe do Grão-Pará e que teve, em sua viagem inaugural, a presença do imperador Dom Pedro II.

A ferrovia faz parte da própria memória do fim do Império. Foi de trem, a partir de Petrópolis, que a Princesa Isabel desceu ao Rio de Janeiro em 13 de maio de 1888 para assinar a Lei Áurea, retornando à Cidade Imperial no mesmo dia. O serviço de passageiros e cargas operou por décadas, mas parou de funcionar em 1964, encerrando a circulação dos trens na cidade.

Edição anterior (4300):
quarta-feira, 17 de junho de 2026


Capa 4300

Veja também:




• Home
• Expediente
• Contato
 (24) 99993-1390
redacao@diariodepetropolis.com.br
Rua Joaquim Moreira, 106
Centro - Petrópolis
Cep: 25600-000

 Telefones:
(24) 98864-0574 - Administração
(24) 98865-1296 - Comercial
(24) 98864-0573 - Financeiro
(24) 99993-1390 - Redação
(24) 2235-7165 - Geral