A obra de Alice Puterman terá sessão de lançamento na Casa Gueto, durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) de 2026
A jovem autora Alice Puterman, de 23 anos, lança “Candura” (Editora Toma Aí Um Poema), obra que transforma experiências de violência sexual e sofrimento psíquico em um relato poético contundente sobre sobrevivência feminina.
Escrito ao longo de seis anos, o livro reúne poemas que nasceram após a autora sofrer um estupro coletivo aos 17 anos. Durante a pandemia, em isolamento, a escrita tornou-se uma ferramenta para lidar com o trauma, posteriormente associado ao diagnóstico de Transtorno de Estresse Pós-Traumático.
Sem buscar suavizar a dor, “Candura” apresenta o corpo feminino como espaço de violação, mas também de reconstrução e resistência. A linguagem direta e simbólica conduz o leitor por temas como abuso, memória, identidade e saúde mental, sem recorrer a respostas fáceis.
A obra será lançada durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) 2026, na Casa Gueto, em julho.
O título do livro reflete uma provocação: a ideia de “candura”, frequentemente associada à fragilidade feminina, é ressignificada pela autora como força. Autista, Alice também aborda como características como vulnerabilidade e sensibilidade podem ser exploradas em contextos de violência.
Além do trauma, os poemas atravessam experiências com depressão, tentativas de suicídio e processos de internação, apontando para a escrita como instrumento de permanência e elaboração. Mais do que relatar vivências, o livro propõe nomear violências frequentemente silenciadas.
Nascida em Petrópolis (RJ) em 2002, Alice Puterman é graduanda em Pedagogia e atua na área de inclusão. “Candura” marca sua estreia literária e, segundo a autora, representa o encerramento de um ciclo: “Hoje me reconheço como sobrevivente”.
Ficha técnica
Título: Candura: uma história de sobrevivência feminina
Autora: Alice Puterman
Gênero: Poesia
Editora: Toma Aí Um Poema (TAUP)
Ano: 2025
Páginas: 94
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