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Ludopatia e os vícios em apostas online

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Darques Júnior - Estagiário

Presentes nos clubes, nos anúncios, nos programas esportivos, nas músicas, as casas de apostas online, popularmente conhecidas como “bets”, segundo o primeiro levantamento oficial do mercado regulado, feito pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, apontou que entre janeiro e junho de 2025 foram movimentados R$ 17,4 bilhões. Porém, diversos especialistas, bem como, o Ministério da Saúde, alerta sobre os riscos da ludopatia.

A psicóloga Keila Braga, explica que a ludopatia é o vício desenfreado em jogos de azar, categorizado pela Classificação Internacional de Doenças (CID) pelo código F63. 0 - Jogo Patológico e nas variações ZZZ. 6 Mania de Jogos e Aposta e CID 11.6C50 Transtorno de Jogo. “É uma necessidade quase impossível de deixar de apostar, perdendo o controle dos impulsos e, por sua vez, ignorar as consequências das ações relacionadas ao jogo”, disse.

Keila ainda comenta que a ludopatia vem trazendo preocupações devido o crescimento das casas de apostas no país. “A aposta é a porta de entrada para o vício. As pessoas procuram as bets por ver nas redes sociais "influenciadores" divulgando ganhos irreais, incentivando a jogar por ser ‘divertido’”.

No Guia Nacional para enfrentar os impactos das apostas online, lançado pelo Ministério da Saúde em janeiro deste ano, aponta que há repercussões físicas, como insônia, doenças cardiovasculares, estresse crônico, psíquicas (ansiedade, depressão, pensamentos de morte, problemas com uso de álcool e outras drogas) e sociais (endividamento, rupturas familiares, conflitos, judicialização).

Sobre o os estímulos e o caráter viciante das apostas online, Keila falou sobre o papel do psicólogo em orientar e auxiliar o paciente com ferramentas de melhora do quadro, além da necessidade de um tratamento com equipe multidisciplinar, desde a saúde mental até o controle financeiro para não continuar causando danos da vida real. “Já existem grupos terapêuticos como o J.A. (Jogadores anônimos) focados no vício e com o objetivo de lidar com a vontade de jogar o tempo todo”, concluiu.

“Quando a pessoa está jogando, ela troca tudo pelo jogo, então o grupo vem como essa possibilidade de substituir e ajudar as pessoas”, disse o secretário da instituição, no centro do Rio de Janeiro, que não quis se identificar, por conta das diretrizes do grupo.

O secretário ainda ressalta que o perfil das pessoas que buscavam “a irmandade” mudou bastante ao longo dos anos. “No início do grupo, tivemos muita adesão de pessoas que vinham do jogo do bicho. Depois, entre 1994 e 2000, muitas mulheres e idosos chegaram por vícios em bingo, porém, hoje em dia, vemos muitos jovens de diversos lugares do Brasil buscando auxilio e acolhimento”.

O Projeto Jogadores Anônimos, criado em 1991, iniciou seus trabalhos no município em outubro no ano passado. Atuando em todo o país, com grande parte atuando no estado do Rio de Janeiro, o projeto visa, de maneira sigilosa, oferecer suporte emocional e psicológico a quem precisa lidar com esse tipo de vício.

“Temos que ser conscientes de que a nossa cabeça é crônica e progressiva, por isso: Só por hoje, não joguei e não vou jogar”, disse uma frequentadora do grupo de apoio presente no município, que não quis se identificar por conta das diretrizes do grupo.

Ela comentou que quando procurou auxílio, a princípio, foi de maneira online, por não haver a sala do JA na cidade. “Comecei no grupo online. Eles tiveram a boa vontade de iniciar o grupo e desde então, está funcionando”, disse.

A jogadora comentou que, atualmente, três jogadores frequentam assiduamente, mas já houve reuniões com dez frequentadores na cidade. “Jogamos tudo que ganhamos e muito mais, como saúde mental, empréstimos, dignidade, até entender que não estamos jogando para ganhar dinheiro, jogamos por jogar”.

Hoje, com 228 dias longe da primeira aposta (Sete meses e 16 dias), a frequentadora do JA Petrópolis agradeceu o amparo da família desde o princípio, com o filho auxiliando nas organizações de contas, a irmã entrando em contato com a irmandade, além de ressaltar as conquistas. “A recuperação dos jogadores é uma virada de chave na vida do adicto, para além de se manter abstinente”, concluiu.

No Brasil, 85 empresas autorizadas a explorar a modalidade de aposta de quota fixa, instituída em janeiro no ano passado pelas Leis n° 13.756/2018, n° 14.790/2023 e na regulamentação do Ministério da Fazenda que estabeleceu pela Portaria n° 1.231/2024, diretrizes com o objetivo principal de minimizar os riscos associados ao jogo problemático, como a falta de controle.

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