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Marasmo

Mauro Peralta - médico e ex-vereador

Foto: Reprodução
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Apesar da intensa movimentação no cenário nacional, com a possível delação premiada de Daniel Vorcaro e seus potenciais desdobramentos envolvendo altas figuras da República, além das controvérsias que cercam o ambiente político em torno de Luiz Inácio Lula da Silva e seu entorno, o fato é que, em Petrópolis, aos 183 anos de história, tudo parece permanecer exatamente como sempre esteve.

A fragilidade administrativa que se arrasta desde 2001, marcada pela permanência dos mesmos grupos políticos nos cargos do Executivo, produziu não estabilidade, planejamento e crescimento, mas justamente o oposto. Observa-se uma sucessão de crises que escancaram a ausência de estratégia, a ineficiência na gestão e, em alguns casos, indícios preocupantes de irregularidades contratuais e desperdício de recursos públicos.

As enchentes dos rios Quitandinha e Piabanha, assim como os desabamentos, deixaram de ser eventos excepcionais e passaram a integrar a rotina da cidade, evidenciando a omissão reiterada dos governantes. A falta de investimentos em macro e microdrenagem, contenção de encostas e planejamento urbano transforma cada período de chuvas em ameaça concreta à população. Na mobilidade urbana, o cenário é igualmente desanimador. Obras fundamentais permanecem há anos no campo das promessas, como a ligação BingenQuitandinha e intervenções na entrada do Carangola, na ponte de Corrêas e no trevo de Bonsucesso.

Na saúde, a longa fila de espera por cirurgias, somada à escassez de medicamentos e insumos básicos, revela um sistema sobrecarregado e ineficiente. Na limpeza urbana, falhas operacionais evidentes deixam ruas e bairros em condições precárias, favorecendo inclusive o retorno de pragas como ratos.

Outro ponto crítico é a recorrência de contratos emergenciais que se prolongam indefinidamente, sem solução definitiva. Trata-se de uma prática grave, que abre espaço tanto para ineficiência quanto para possíveis irregularidades, incompatíveis com uma gestão responsável. A COMDEP, administrada por indicações políticas sem a devida qualificação técnica, segue acumulando prejuízos e comprometendo recursos que deveriam ser aplicados com eficiência.

A promessa de renovação política, que poderia significar uma ruptura com práticas antigas e que foi legitimada por mais de 108 mil votos, parece ter se esvaziado. O que se observa é a repetição, ou até mesmo o agravamento, de vícios históricos. Falta transparência, falta disposição para mudanças reais e há um distanciamento crescente em relação à população.

A resposta precisa vir da sociedade. É indispensável o fortalecimento da consciência coletiva. Fiscalizar, cobrar e participar são atitudes essenciais. A apatia da população se torna terreno fértil para a má gestão. É necessário romper com o improviso que marca a administração pública e substituí-lo por planejamento sério, contratos transparentes e metas acompanhadas com rigor. Também é fundamental que haja responsabilização efetiva, com punição para erros e desvios.

Enquanto alguns agentes políticos se fortalecem e acumulam patrimônio, Petrópolis segue à deriva, empobrecendo progressivamente. A cidade não precisa apenas de reconstrução física. Precisa, com urgência, de reconstrução moral, administrativa e política. E essa transformação não virá de cima para baixo. Depende da atitude de cada cidadão.

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