Ginecologistas explicam os motivos e o que fazer para ter uma pele saudável
Jaqueline Gomes
Um período de mudanças significativas no corpo da mulher pode afetar também a autoestima. A menopausa provoca queda significativa nos níveis de estrogênio, hormônio fundamental para a manutenção do colágeno, da elasticidade e da hidratação da pele. Estudos clínicos indicam que a perda de colágeno pode chegar a cerca de 30% nos primeiros anos após a menopausa, contribuindo para ressecamento e envelhecimento cutâneo acelerado.
De acordo com médica ginecologista especialista em saúde da mulher 40+, Fernanda Torras, a pele é um dos órgãos que mais sentem o impacto da menopausa, justamente porque é altamente dependente do estrogênio. “Esse hormônio tem um papel fundamental na produção de colágeno, na hidratação e na elasticidade da pele. Com a queda hormonal do estardiol, especialmente nos primeiros anos após a menopausa, há uma redução acelerada do
colágeno e em alguns casos, podendo chegar a cerca de 30% da perda nessa fase”, explica.
Segundo a também médica ginecologista Beatriz Tupinambá, essa redução de colágeno torna a pele mais fina, mais seca, menos firme e com maior tendência à flacidez e ao surgimento de rugas. “ Muitas mulheres também percebem perda de viço, alteração na textura, propensão a manchas e maior sensibilidade cutânea. Além disso, ocorre a mudança da distribuição de gordura facial, com perda do contorno. Há também alterações de pigmentação que pode gerar o aparecimento de melasma. Outro ponto importante é a redução da capacidade de regeneração, fazendo com que a pele demore mais para se recuperar de agressões externas, como sol e poluição”, analisa a ginecologista.
Beatriz ressalta que as pessoas focam muito nos sintomas vaso motores como fogachos e perda da libido e não na pele. “ É importante manter a hidratação da pele, consultar um dermatologista, repor o colágeno, protetor solar, sabonete adequado, tem muita tecnologia, coisas que ativam a produção própria de colágeno que podem ser usados durante a menopausa e até antes dela, para ter uma pele saudável no período”, recomenda a médica.
A especialista em saúde da mulher, Fernanda Torras, alerta também para alterações na região íntima das mulheres com a chegada da menopausa. “E não se trata apenas da pele do rosto. A pele do corpo e, especialmente, da região íntima também sofre esses efeitos. Na vulva e na vagina, essa perda de colágeno e estrogênio pode levar a ressecamento, perda de elasticidade e desconforto, impactando diretamente a qualidade de vida da mulher”, afirma.
As mudanças são comuns nos relatos das mulheres, porém, pouco discutidas porque a menopausa ainda é pouco abordada com profundidade. Durante muito tempo, os sintomas mais valorizados foram apenas as ondas de calor, enquanto outros impactos, como os relacionados à pele, foram subestimados ou tratados como questões puramente estéticas. “Existe também uma desconexão entre a dermatologia e a ginecologia em alguns casos, o que
faz com que muitas mulheres tratem a pele sem investigar a causa hormonal por trás dessas alterações. O bom hoje é que existem formas de prevenir e reduzir esses efeitos. O primeiro passo é entender que a pele na menopausa precisa de uma abordagem diferente. Isso inclui cuidados tópicos adequados, como hidratação intensiva, uso de ativos que estimulem colágeno e proteção solar rigorosa”, orienta, Fernanda.
Além disso, o estilo de vida tem um papel essencial. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono de qualidade e controle do estresse ajudam a reduzir o impacto inflamatório e preservar a saúde da pele.
“Do ponto de vista médico, a terapia de reposição hormonal, quando bem indicada e individualizada, pode contribuir para a manutenção da qualidade da pele, atuando de forma sistêmica. Também existem tecnologias como lasers, bioestimuladores e outros recursos da medicina regenerativa que podem auxiliar na melhora da firmeza, textura e hidratação. O mais importante é não tratar essas mudanças como inevitáveis. A menopausa é um processo fisiológico na vida da mulher, mas a forma como ela envelhece, com saúde, vitalidade e bem-estar, depende diretamente do cuidado e da informação que ela recebe”, conclui a ginecologista.
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