Demétrio do Carmo - Especial para o Diário
Quem passa pela Praça da Inconfidência, no Centro de Petrópolis, percebe que o tradicional Mercadão encerrou as atividades. Fundado em 1957, o espaço foi, por décadas, o principal centro de abastecimento alimentar da cidade, reunindo cerca de 50 lojas que comercializavam de tudo um pouco e marcando gerações de moradores. Ao longo dos anos, o local atravessou diferentes fases, acompanhando as transformações do comércio petropolitano.
A fachada do prédio, anexa à Igreja do Rosário, é tombada como patrimônio cultural do Estado do Rio de Janeiro e remete ao período de fundação do imóvel, no início do século passado. A partir da década de 1960, com a chegada de grandes redes de supermercados à cidade, o Mercadão perdeu protagonismo, mas seguiu oferecendo variedade de produtos ao público. Já nos anos 2000, o espaço foi interditado pela Defesa Civil após o desabamento de parte do telhado.
O rodoviário aposentado Osmar Serra, de 71 anos, guarda lembranças afetivas do local. “Era onde a gente comprava produtos sempre frescos. Lembro de frangos abatidos na hora, na frente do cliente. Também era um ponto de encontro para um café depois das missas na Igreja do Rosário”, recorda.
Quem também sente falta do antigo espaço é o comerciante José Firmino, 68 anos, dono de uma mercearia na região de Cascatinha, ele conta que comprava grande parte dos produtos no local. Havia um empório, logo na entrada onde eu costumava comprar de tudo bebidas e produtos para revender. O preço era ótimo na época. O espaço reabriu, mas, não ficou como antes, mudou totalmente o foco e o público, relatou.
Em 2015, após passar por reformas, o espaço foi reaberto com o nome de Mercado Imperial, abrigando principalmente bares e barbearias.
A história do imóvel, no entanto, é ainda mais antiga. Inaugurado em 1904, o prédio passou a ser conhecido como “Mercadão” em 1928, ocupando grande parte da Praça da Inconfidência. A proposta original era concentrar, em um único espaço, o comércio de peixarias, aviários, açougues e alimentos em geral, com especial atenção às condições de higiene preocupação registrada em documentos do Arquivo Histórico do Município.
Com a reforma da Igreja do Rosário, em 1957, foi solicitada a demolição de parte da estrutura, dando origem ao formato que o Mercadão manteve por décadas, até o fechamento definitivo.
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