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Mercado de cosméticos naturais e veganos ganha as prateleiras de Petrópolis: consumo tem crescido aos poucos

Roberta Müller – especial para o Diário/Foto - Divulgação

          
 Ao longo dos últimos anos – e em especial neste período de pandemia -, mesmo que tímida, uma mudança no comportamento das pessoas vem ganhando cada vez mais espaço: a preocupação com produtos que sejam elaborados de forma natural. Na gastronomia, o surgimento de marcas especializadas no veganismo chama mais atenção, mas as prateleiras da indústria da beleza têm demonstrado que também há uma tendência “consciência limpa” na hora de escolher cremes, maquiagens, sabonetes, perfumes, entre outros produtos de autocuidado. A tendência pelo aumento do consumo de linhas sem crueldade ou testes com animais e usando matéria-prima orgânica é uma crescente, mesmo que ainda lenta. Em Petrópolis, grandes e pequenas marcas têm investido na venda para esse público.

          A esteticista Gabriela Nunes é um exemplo. Ela tem uma marca que vende produtos veganos e diz que a escolha por empresas que prezam a sustentabilidade e a preocupação com os animais tem começado a entrar na cabeça das pessoas, mas ainda tem muito o que melhorar. Segundo ela, normalmente, os consumidores acabam optando por produtos mais em conta.

“Fazendo um gráfico sobre o meu público, o interesse ainda é baixo, as pessoas ainda estão meio alienadas e isso é muito preocupante porque a indústria da beleza e da estética vende muito. Então são toneladas de embalagens indo pra natureza, várias empresas que testam animais, que fazem produtos que não têm benefício nenhum pra pele, que a longo prazo vai trazer prejuízo, como por exemplo produtos a base de óleo mineral. O nome já diz, vem do minério. Eles (a indústria) justificam que a quantidade não é suficiente pra fazer mal, mas esquecem de dizer que aquilo tem efeito acumulativo. Isso durante uma vida vai trazer, sim, prejuízo. O consumo está melhorando, está em ordem crescente, mas ainda tem que melhorar”, explica ela.

          Gabriela trabalha com a linha vegana há cerca de dois anos, pensando em uma “consciência ecológica”. “A principal linha que a gente mais usa é Eccos, porque além de ser vegana é profissional. Começamos a trabalhar com essa marca primeiro por causa da consciência ecológica, porque já passou da hora das indústrias pararem de fazer teste em animais. Essa empresa não faz, então isso chamou a nossa atenção de imediato. A questão das embalagens, que são recicláveis, também. Com isso a gente tem inúmeros benefícios, porque os produtos que são mais naturais, mais ecológicos, veganos, tendem a fazer menos mal, são mais hipoalergênicos, têm menos contraindicação”, destaca ela.

          Vale lembrar que muitas marcas são vegetarianas e não testam em animais, mas não são veganas, por usarem algum produtos de origem animal, como o mel ou a cera de abelha, por exemplo. Produtos veganos são produzidos apenas com ativos naturais, como ervas.

          Grandes redes de farmácias e drogarias também têm apostado na linha vegana para chamar a atenção dos clientes que procuram produtos naturais e sem qualquer origem animal. O coordenador de marketing da Drogaria Legítima, Leandro Divan, por exemplo, explica que muito além de fazer uma venda, a empresa tenta mostrar para o consumidor a importância de escolher esse tipo de produto.

“Simple Organic (skin care, hidratante e maquiagem), Beyong (skin care e maquiagem), L'odorat (hidratante, água perfumada, sabonete líquido), Ciclo (perfumes e cremes), Arvensis (linha capilar) e Boni Natural (cabelo, hidratante, linha bucal) são algumas marcas veganas que temos atualmente no nosso portfólio. Investir nesse segmento não é apenas uma estratégia comercial, queremos principalmente conscientizar nossos clientes sobre a importância de optar por produtos mais naturais. E ter essas opções na nossa loja nos fez enxergar que as pessoas realmente têm buscado uma vida mais saudável, pois a procura por esses produtos vem crescendo a cada dia”, explica ele.

Ainda segundo ele, não existe ainda um comportamento similar entre grupos de pessoas, a procura por essa linha tem acontecido por todas as pessoas: homens, mulheres, adultos e idosos, mas também os mais novos.

          Muitos consumidores têm procurado também pelo selo “cruelty free”, ou seja, livre de crueldade animal. Sempre que a palavra vier no rótulo, é a garantia de que aquele produto não fez nenhum teste em animal.

          Mas vale lembrar que um dos impedimentos demonstrados pelos consumidores é o preço alto dos produtos veganos. Uma pesquisa Ibope de 2018 revelou, por exemplo, que 55% dos brasileiros dariam preferência para produtos veganos se houvessem indicações nas embalagens ou se custassem o mesmo valor dos produtos convencionais.

 

 

 



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