Iniciativa traz propostas para mitigar os impactos das mudanças climáticas na cidade; documento será entregue ao prefeito Hingo Hammes
Rômulo Barroso - especial para o Diário
Petrópolis vai lembrar neste sábado (15/02) os três anos da pior tragédia de origem natural da história do município. Foram 235 mortes com o temporal que devastou o município em 15 de fevereiro de 2022, além das sete vítimas de outra chuva ocorrida em 20 de março daquele ano. O desastre segue vivo na memória de todo petropolitano e é ainda mais presente para quem mora em áreas de risco. E é pensando nas pessoas mais vulneráveis que o Projeto Morte Zero, do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), e a Sociedade de Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro (SEAERJ) elaborou a "Carta de Petrópolis", um documento que reúne propostas com o objetivo de mitigar os impactos das mudanças climáticas no município. Ela será entregue ao prefeito Hingo Hammes nesta sexta (14), às 11h, na Casa dos Conselhos.
Dados do IBGE mostram que mais de 72 mil pessoas vivem em áreas de risco no município, que é apontado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) como a de maior suscetibilidade a inundações e deslizamentos de encostas em todo país.
Com esse desafio pela frente, 38 instituições públicas e privadas, de diferentes áreas de atuação e da academia, de âmbito local e estadual, promoveram encontros durante o segundo semestre do ano passado, na Unifase, para realizar uma série de debates intitulada "Pensar Petrópolis", que abordaram temas como meio ambiente, defesa civil, saúde inclusiva e assistência social. Moradores de áreas de risco e mais afetadas por eventos climáticos foram ouvidos e, a partir disso, foi elaborada a Carta.
A procuradora de Justiça Denise Tarin, idealizadora do Pensar Petrópolis e do Projeto Morte Zero, explicou como as propostas foram construídas. "O momento em que vivemos, marcado por tantas mudanças, exige do Ministério Público brasileiro uma atuação inovadora. Nesse contexto, o projeto Pensar Petrópolis surge da necessidade de refletir sobre os territórios, as complexidades dos desastres e as formas de proteger as pessoas. A partir das vivências e experiências de moradores, técnicos e servidores públicos, buscamos reorientar e organizar ações prioritárias para minimizar riscos e impactos das chuvas de verão", disse.
Para a presidente da SAERJ, Maria Isabel Tostes, a participação popular aliada aos conhecimentos de diversas áreas do saber e da academia foram fundamentais para o sucesso da iniciativa. "A semente colocada a partir da parceria do SEAERJ com o projeto Morte Zero-MPRJ germinou e deu fruto. A Carta de Petrópolis reúne o encontro de vários saberes, quais sejam da academia, do Ministério Público, da prefeitura, sociedade civil, dos atingidos, mostrando que é real e vital para a solução a troca de conhecimento. A participação entusiasmada dos moradores que compõem os NUDECs (Núcleos Comunitários de Defesa Civil), ora processando informações, considerando sugestões, criando ideias junto com o que há de melhor na Engenharia, Arquitetura, Geologia, Geografia, Medicina, no Direito, Serviço Social e outras ciências há de ser o modelo a ser seguido por outros lugares aqui no estado e no país. A isso se chama Cidadania Ativa", elogiou, em declaração divulgada pela revista Istoé.
Projeto Morte Zero
De acordo com o MPRJ, o projeto Morte Zero foi criado em Petrópolis em 2022 e levado para todo estado em 2014, com o propósito de integrar os mais variados segmentos da sociedade em processos decisórios e diálogo público aberto, transparente e democrático. A intenção é ter um ambiente de cooperação, solidariedade e integração para identificar causas históricas dos desastres e encontrar soluções. “É um ato de resistência e, ao mesmo tempo, de assunção de compromissos por aqueles que vivem, trabalham ou, de alguma forma, colaboram para uma cidade mais segura, saudável e sustentável”, enfatiza Denise Tarin.
Veja também: