Demétrio do Carmo - Especial para o Diário
Quem percorre a Serra de Petrópolis pela BR-040 costuma se surpreender, na altura do km 40, no bairro Duques, com uma construção de aparência medieval que se impõe à paisagem dominada pelo verde. Conhecido como Museu de Armas, o lugar é uma réplica em pedra de um castelo tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Iphan - e passará por um processo de transformação para se tornar um novo complexo cultural, com abertura ao público prevista para o próximo ano.
O espaço abriga o Museu Histórico Ferreira da Cunha, criado em 1957, a partir da iniciativa do museólogo e colecionador Sérgio Ferreira da Cunha, descendente do Conde da Cunha, o primeiro vice-rei do Brasil colonial a governar com sede no Rio de Janeiro, em 1763.
Idealizado inteiramente em alvenaria de pedra, o museu reúne um acervo expressivo com mais de três mil itens, entre baionetas, canhões de origem portuguesa, armamentos militares diversos e instrumentos de guerra utilizados por povos indígenas. Além das armas o espaço também contempla objetos como quadros, cartas, moedas e objetos do cotidiano ligados a história dos conflitos. Ainda, há uma biblioteca com mais de 4 mil exemplares que datam dos séculos 18 e 19.
Após um período fechado, o local será reaberto por meio de uma parceria com o Megadiverso Instituto Cultural, em sintonia com a celebração dos 70 anos da instituição. Mais do que reorganizar a visitação, o novo projeto propõe uma reformulação completa do museu. Estão previstas uma nova narrativa curatorial, programação cultural contínua e a implantação de serviços como restaurante, café e loja temática. A proposta é transformar o espaço em um ambiente de permanência, conectando o patrimônio histórico a experiências culturais contemporâneas.
A iniciativa é conduzida por Marina Piquet, diretora-geral do Megadiverso e conta com a parceria de Francisco Kronemberger, diretor de negócios, e a curadora Laura Rago. O plano inclui ainda a adaptação do castelo para receber eventos privados e abertos ao público, como feiras, ações culturais e apresentações musicais, ampliando as fontes de receita e garantindo a sustentabilidade do projeto.
De acordo com os idealizadores, a proximidade com outros pontos históricos da cidade como o Hotel Quitandinha, Catedral São Pedro de Alcântara e o Museu Imperial, entre outros contribuirá ainda mais para o enriquecimento turístico e cultural da cidade.
Atualmente o espaço recebe apenas visitas técnicas, realizadas mediante agendamento prévio pelo e-mail contato@mhfc.org . ou pelo telefone (21) 97450-2089.
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