Profissionais que não se identificam com o rótulo de idosos
Jaqueline Gomes
O Brasil vive um rápido processo de envelhecimento populacional, e esse movimento já impacta o mercado de trabalho. Cada vez mais profissionais acima dos 60 anos seguem ativos, produtivos e interessados em continuar trabalhando. Nesse contexto, ganha espaço o termo NOLT (New Older Living Trend), usado para descrever uma geração madura que não se identifica com o rótulo tradicional de “idoso”. Apesar da experiência, da visão estratégica e do repertório profissional acumulado, o etarismo ainda limita a presença desses profissionais nas empresas.
Vários fatores sobre este tema são analisados pelo especialista em Desenvolvimento Humano e CEO da Etalent, Jorge Matos. Segundo ele, empresas no Brasil lidam com um cenário extremamente hostil em todos os sentidos, exceto por alguns segmentos que conquistaram regalias ao se consolidarem, como os grandes bancos, todos os demais setores lutam diariamente para sobreviver aos desafios impostos.
“Busco ter uma visão prática e realista do mundo, especialmente do mercado corporativo brasileiro. Até o início deste século, a expectativa de vida era menor e a quase totalidade dos profissionais se aposentava integralmente. Recentemente, com o aumento da longevidade, 60% deseja continuar ativo; destes, 50% o fazem por absoluta necessidade financeira. O problema é que não há uma estratégia ou preparação prévia para enfrentar o "pós-emprego" e trilhar uma nova jornada. Assim, muitos profissionais acabam tendo pouco a oferecer aos novos empregadores, tornando-se menos atrativos para o mercado”, analisa Jorge Matos.
Entre as barreiras que os NOLTs enfrentam, estão a tecnologia e a legislação trabalhista, aponta o especialista. “Líderes mais jovens já encontram dificuldades em gerir pessoas da sua própria geração; lidar com profissionais mais velhos, que muitas vezes carecem de fluência digital, torna-se um desafio ainda maior. Além disso, nossa legislação trabalhista é muito rígida. Profissionais com idade avançada poderiam se beneficiar de modelos flexíveis, como a redução de carga horária, o que hoje é dificultado pela lei”, considera.
Outra questão debatida é acerca da liderança: uma pessoa com mais experiência de vida é um líder melhor que um jovem? “Essa questão sempre foi e continuará sendo complexa, pois envolve inúmeros fatores intrínsecos e extrínsecos que vão além da idade. Certamente, um bom líder faz toda a diferença em qualquer situação. Se ele demonstra competência enquanto jovem, é provável que a experiência o torne ainda melhor, ampliando sua visão sistêmica e refinando suas decisões, especialmente se ele possuir um profundo autoconhecimento e empatia pelos liderados. Por outro lado, um líder ruim na juventude tende a piorar com o tempo: pode tornar-se rígido, criar "panelinhas" para sobreviver e ampliar sua mediocridade. Fazendo uma analogia com o vinho: se for de uma "safra ruim", o líder maduro pode estar azedo, amargurado, resistente ao novo e ultrapassado. Mas, se for de uma "boa safra", possuirá uma relevância incrível, equilíbrio emocional, uma vasta rede de conexões e grande capacidade de mediação. É alguém com maturidade e muita história para agregar”, coloca na balança o especialista.
Na visão de Jorge Matos, a escolha de um líder sênior deve recair sobre alguém maduro pela sua experiência e flexibilidade. “Contudo, na composição da equipe, eu optaria por um time misto, que unisse a agilidade dos jovens à sabedoria dos prateados”, orienta.
Abaixo, o especialista em Desenvolvimento Humano e CEO da Etalent enumera recomendações para os profissionais em geral em termos de qualificação e atualizações para se adaptarem às novas tecnologias e se manterem atrativos para o mercado de trabalho.
“As recomendações que faço abaixo não são exclusivas para os NOLTs, pois vejo que o “envelhecimento” profissional tem acontecido de maneira brutal para a maioria dos profissionais. Pessoalmente, já vivi transformações intensas em minha trajetória; se tivesse permanecido estático, não estaríamos conversando aqui agora”, conclui Jorge Matos.
Para se manter atrativo e atualizado, sugiro cinco pilares:
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