Demétrio do Carmo - Especial para o Diário
O Brasil pode enfrentar um período de calor extremo e mais duradouro ao longo de 2026. O alerta consta em nota técnica do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, que aponta risco de um “desastre térmico” caso o El Niño se consolide no segundo semestre.
De acordo com o documento, a combinação entre o aquecimento global e a possível formação do fenômeno no Oceano Pacífico tende a intensificar a frequência e a duração das ondas de calor em diferentes regiões do país. Os impactos devem ser sentidos em todo o território nacional, com maior intensidade no Sudeste e no Centro-Oeste.
O aviso ocorre em meio à escalada das temperaturas globais observada na última década. Dados internacionais citados pelo Cemaden indicam que o período entre 2015 e 2025 foi o mais quente já registrado, o que amplia o potencial de eventos extremos caso o El Niño se confirme.
A projeção é de que o calor se intensifique especialmente na segunda metade do ano. Nesse cenário, 2026 pode ultrapassar 2024 e se tornar o ano mais quente da história recente, segundo o climatologista José Marengo, um dos autores da análise encaminhada à Casa Civil.
Marengo afirma que há cerca de 80% de probabilidade de formação do fenômeno nos próximos meses, embora sua intensidade - moderada, forte ou muito forte - ainda seja incerta. “A tendência é de um período muito quente, com efeitos mais perceptíveis a partir de setembro”, avaliou, reforçando que o calor é um assassino invisível e silencioso. Quando extremo e prolongado, seus efeitos sobre a saúde são extensos. Agrava doenças, reduz a produtividade, mata plantações, causa incêndios, mata animais. Pior do que os picos de temperatura máxima, enfatiza, é a longa duração dos períodos quentes, finalizou
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal e persistente das águas do Oceano Pacífico Equatorial, o que altera padrões climáticos em diversas partes do mundo.
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