Jamis Gomes Jr. - especial para o Diário de Petrópolis
Uma nova subvariante do coronavírus voltou ao radar internacional e já circula em diferentes partes do mundo. De acordo com informações divulgadas pelo The News , a linhagem, apelidada de “Cicada” e identificada como BA.3.2, foi detectada em ao menos 23 países desde o fim de 2025, incluindo Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, China e Austrália. Até o momento, não há confirmação oficial de casos no Brasil.
Apesar do nome, a Cicada não representa uma ruptura no comportamento do vírus, mas sim uma continuidade da evolução observada desde a variante COVID-19 causada pela Ômicron. Nos últimos anos, o coronavírus passou a evoluir por meio de sublinhagens, acumulando mutações gradualmente para continuar se espalhando, mesmo em uma população com algum nível de imunidade. Mutacoes aumentam risco de reinfecção Um dos pontos que mais chama atenção na nova subvariante é a quantidade de alterações genéticas. São cerca de 70 a 75 mutações concentradas na proteína Spike, estrutura utilizada pelo vírus para invadir as células humanas.
Esse processo pode dificultar o reconhecimento do vírus pelo sistema imunológico, fenômeno conhecido como “escape imunológico”. Na prática, isso significa que pessoas vacinadas ou que já tiveram a doença podem voltar a se infectar, não necessariamente por maior gravidade, mas pela menor capacidade inicial de identificação do vírus pelo organismo.
Vacinas seguem protegendo contra casos graves
Apesar da alta quantidade de mutações, especialistas apontam que não há, até agora, evidências de aumento de hospitalizações ou mortes associadas à nova subvariante. Isso ocorre porque a Cicada ainda deriva da Ômicron, o que permite ao corpo manter uma memória imunológica parcial.Os sintomas seguem semelhantes aos já conhecidos: febre, tosse, coriza e cansaço, geralmente com quadros leves na maioria dos casos.
Diferença entre Covid, gripe e resfriado
Na prática clínica, a distinção entre doenças respiratórias ainda pode gerar dúvidas. A médica Angelicque Heisler da Costa e Silva, cooperada da Unimed Petrópolis e atuante na área de Clínica Médica, explica que os sinais iniciais são muito parecidos. “A gripe costuma ter início súbito, com sintomas que aparecem de forma mais rápida. Já a Covid-19, em geral, pode ter uma evolução um pouco mais gradual no começo. Apesar disso, os sintomas iniciais são bastante semelhantes entre as duas doenças”, afirma.
Segundo ela, apenas exames laboratoriais conseguem confirmar o diagnóstico com precisão.
Quando procurar atendimento médico
Embora a maioria dos casos evolua de forma leve, alguns sinais exigem atenção imediata. “Em caso de falta de ar, independentemente da causa, é fundamental procurar atendimento médico imediatamente”, alerta a médica.
Cuidados básicos continuam essenciais Mesmo com a redução da percepção de risco em relação à pandemia, especialistas reforçam que medidas simples ainda fazem diferença, especialmente em cidades como Petrópolis, onde mudanças climáticas e variações de temperatura favorecem doenças respiratórias.
“É importante manter os cuidados básicos de higiene, como lavar as mãos com frequência e manter os ambientes bem ventilados”, orienta Angelicque.
Além disso, o principal alerta das autoridades de saúde segue sendo a vacinação. A queda na cobertura vacinal preocupa especialistas, já que as vacinas continuam sendo a principal proteção contra formas graves da doença.
Diante da possibilidade de chegada da nova subvariante ao país, o reforço das medidas preventivas e a atualização do calendário vacinal seguem como as principais estratégias para evitar complicações.
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