Sistema consegue identificar placas de gordura nas artérias do coração
Jaqueline Gomes
A medicina ganhou mais um aliado na prevenção de infarto, que é uma das principais causas de morte no Brasil. Uma nova tecnologia consegue identificar placas de gordura nas artérias do coração e prever o risco de infarto meses ou anos antes do evento acontecer. Em segundos, o sistema mostra se essa placa é mais perigosa e pode se romper, aumentando o risco de infarto.
O sistema Makoto IVUS NIRS já está disponível pelo SUS, no Hospital do Coração São José, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro. Isso coloca o hospital dentro do mapa da alta complexidade no Brasil, oferecendo medicina de ponta para a população que mais precisa.
Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), cerca de 300 mil brasileiros sofrem infarto por ano, e as doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no país. A identificação precoce dessas placas pode transformar o acompanhamento do paciente e reduzir significativamente o risco de infarto.
De acordo com o médico cardiologista intervencionista Eduardo Pessoa de Melo, a grande vantagem dessa tecnologia para a população é que, ao identificar precocemente uma placa de alto risco, o médico consegue ajustar o tratamento clínico e orientar o paciente de forma mais assertiva. Isso inclui o uso adequado de medicações e o controle rigoroso de doenças de risco, como hipertensão, diabetes e entre outras.
“Hoje a gente já conta, aqui no Hospital do Coração São José, em Duque de Caxias RJ ,com uma das tecnologias mais avançadas da cardiologia intervencionista mundial, que é o sistema Makoto IVUS NIRS. Esse equipamento combina duas coisas fundamentais: o IVUS, que é o ultrassom dentro da artéria, e o NIRS, que consegue identificar placas ricas em gordura, aquelas mais instáveis e com maior risco de infarto. Na prática, isso muda completamente o nível de precisão do procedimento. A gente deixa de tratar só o que aparece na angiografia e passa a entender a doença por dentro da artéria, com muito mais detalhe. Isso permite escolher melhor o tratamento, otimizar o resultado da angioplastia e, principalmente, aumentar a segurança do paciente”, explica o médico.
Esse tipo de procedimento é realizado por cardiologistas intervencionistas treinados, dentro de um serviço estruturado de hemodinâmica. “É um avanço real, concreto, que impacta diretamente no desfecho dos pacientes”, conclui o especialista.
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