Darques Júnior - Estagiário
Publicada nas portarias dos ministérios da Fazenda, da Justiça e Segurança Pública e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República no dia 10 deste mês, as novas regras para a publicidade de plataformas de apostas esportivas, as famosas “bets”, passaram a vigorar nessa última sexta-feira (17).
Agora, as plataformas, ao anunciar, deverão ter advertências sobre os riscos das apostas de quotas fixas (onde o apostador sabe quanto receberá de retorno exato em que faz o palpite em caso de acerto), sendo claras e legíveis, ocupando ao menos 10% das dimensões totais do anúncio.
Fazendo parte da nova estratégia do Governo Federal, complementando a Portaria que já estabelecia que toda ação de marketing de apostas devessem indicar a proibição do jogo para menores de 18 anos, a medida visa reforçar a proteção dos consumidores, bem como, endurecer a fiscalização das apostas de quota fixa, operada pelas “bets”.
Além da mensagem de conscientização e as restrições ao conteúdo das propagandas, proibindo divulgação de anúncios que incentivem a aposta como forma de investimento ou que exiba comentaristas com o intuito de influenciar o público, a estratégia trata a obrigatoriedade das ”bets” alertarem as pessoas quanto aos riscos associados a dependência e de transtornos de jogo patológico como direito cidadão.
Também é proibido pela legislação à veiculação de estratégias, prognósticos, opiniões técnicas ou análises sobre eventos esportivos que sejam aptos a induzir ou influenciar a realização de apostas de quota fixa em determinado evento, visando impedir que uma matéria, análise ou comentário esportivo funcione como “gancho” para incentivar a aposta esportiva.
A psicóloga Keila Braga explicou que a ludopatia é o vício desenfreado em jogos de azar, categorizado pelos códigos F63.0 (jogo patológico) e as variações ZZZ.6 (Mania de Jogos e Apostas), e CID 11.6C50 (Transtorno de Jogo), pela Classificação nacionais de Doenças (CID). “O psicólogo possui um papel de orientar e auxiliar o paciente com ferramentas de melhora do quadro, bem como a necessidade de uma equipe multidisciplinar, tratando tanto os aspectos psicológicos, quanto o controle financeiro para impedir eventuais danos na vida real”.
A psicóloga explica como a ludopatia se desenvolve a partir da liberação da dopamina quando a pessoa está com a expectativa baixa. “Esse reforço libera a dopamina que se torna viciante porque ela é um estímulo a querer mais. Então se a pessoa ganha uma vez, acredita-se que ganhará na próxima”, exemplifica.
Keila ainda ressalta que, em alguns casos, a pessoa pode se livrar do vício através de outras atividades que trazem essa satisfação, como exercícios físicos, yoga, ou atividades de ordem terapêutica, como arte terapia, jardinagem, escrita expressiva, dentre outras tarefas que ocasionem na liberação dessa dopamina. "Se a pessoa já tem esse costume de entender o que é dopamina barata, o que é dopamina contínua, ela consegue se livrar. Se ela não tem esse costume, que é a maioria dos brasileiros, ela acaba jogando".
Sobre os impactos cognitivos e emocionais, a psicóloga comenta que a ludopatia não estraga, só a vida da pessoa, mas a maneira cognitiva de pensar, bem como, o senso crítico, a sensação de urgência e, principalmente, o medo, uma vez que o adicto ela substitui o medo. “A pessoa vive pelo jogo e quando ela só perde, a frustração aumenta e a expectativa de ganhar, quando não é suprida, a pessoa não desiste até alcançar o que tanto deseja”.
Dados da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (FAPESP) apontam que 10,9 milhões de brasileiro com mais de 14 anos, jogam de forma a criar a si próprios problemas emocionais, além do No Guia Nacional para enfrentar os impactos das apostas online, lançado pelo Ministério da Saúde em janeiro deste ano, aponta que há repercussões físicas, como insônia, doenças cardiovasculares, estresse crônico, psíquicas (ansiedade, depressão, pensamentos de morte, problemas com uso de álcool e outras drogas) e sociais (endividamento, rupturas familiares, conflitos, judicialização).
O Projeto Jogadores Anônimos, criado em 1991, iniciou seus trabalhos no município em outubro no ano passado. Atuando em todo o país, com grande parte atuando no estado do Rio de Janeiro, o projeto visa, de maneira sigilosa, oferecer suporte emocional e psicológico a quem precisa lidar com esse tipo de vício. Para mais informações, basta comparecer a uma das reuniões, todas as Terças-Feiras, das 19h às 21h, na Casa da Cidadania, localizada na Rua Visconde de Souza Franco, 474, no Centro.
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