A violência sexual registrou 144 notificações, sendo o estupro responsável por 57,3% dos casos
Mariana Machado estagiária
A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) lançou o novo painel de Violência Interpessoal/Autoprovocada no MonitoraRJ. Segundo as informações da plataforma, em 2025, dos 42.152 casos de violência notificados por unidades de saúde, 30.978 (73,5%) tiveram mulheres como vítimas no estado. Em Petrópolis, quase 80% das notificações tiveram as mulheres como vítimas.
No estado, a violência física aparece como a principal forma de agressão, enquanto o estupro é o tipo de violência sexual mais frequente. Outro dado alarmante é a reincidência: 42% dos casos ocorreram de forma repetida.
Em Petrópolis, foram registrados 1.401 notificações entre janeiro e 19 de agosto, sendo 1.098 vítimas, mulheres. A principal forma de agressão também é a física (816 casos), seguida pela violência psicológica (734) e pela financeira (203). O principal meio de agressão é a força corporal e espancamento, seguido por ameaça. É possível ver também que 46% dos casos ocorreram repetidas vezes.
Em todo o ano passado no município, foram registradas 2.454 notificações, sendo as agressões físicas, psicológicas e financeiras as principais, sendo a física responsável por 40,9% das notificações.
A violência sexual registrou 144 notificações, sendo o estupro responsável por 57,3% dos casos, seguido pelo assédio sexual e pornografia infantil. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), foram registrados 84 estupros em Petrópolis, entre janeiro e julho deste ano.
Além disso, a relação entre vítima e autor é, principalmente, com amigos e conhecidos, seguido por: mãe, ex-cônjuge e filhos. O sexo provável do autor da violência é, em 54,7% dos casos, um homem.
Comparado há 10 anos, foram registradas bem menos notificações na época, quando teve 532. Isso mostra que, com o passar dos anos, aumentou o número de mulheres em situação de violência que dão entrada com sinais de violência em serviços de saúde.
Como funciona a plataforma?
O painel classifica as informações com base nas notificações realizadas pelos profissionais em todo o estado do Rio de Janeiro. Quando uma pessoa em situação de violência dá entrada com sinais de violência num serviço de saúde, é acolhida pelos profissionais que notificam o caso e registram na ficha a violência principal sofrida pela pessoa, mesmo que ela tenha sofrido vários tipos de agressões em uma mesma situação. Esses dados permitem compreender e tipificar a violência sofrida.
A notificação dos casos suspeitos ou confirmados de violências não representam uma denúncia, pois este é um documento sigiloso da vigilância epidemiológica, mas iniciam na rede de atenção a inclusão das meninas e mulheres na linha de cuidado e articula com o território a proteção necessária a cada caso.
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