O cenobamato foi aprovado pela Anvisa e só espera definição de preço pela CMED
Vitor Cesar estagiário
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou a comercialização do medicamento Xcopri ® (cenobamato), da empresa Momenta Farmacêutica. O remédio é indicado para crises focais em adultos com epilepsia. A autorização foi publicada no Diário Oficial da União, no dia 9 de março deste ano.
Doença neurológica caracterizada por crises recorrentes causadas por alterações na atividade elétrica do cérebro, a epilepsia pode aumentar o risco de acidentes e de morte súbita, além de estar associada a problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão. A doença também pode trazer dificuldades para a vida profissional e social dos pacientes. Segundo a Liga Brasileira de Epilepsia (LBE), cerca de 65 milhões de pessoas possuem a condição, sendo 30% sem nenhum tipo de tratamento.
A médica neurologista , professora e responsável pelo Setor de Epilepsia do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE/UERJ), Dra. Priscila Oliveira da Conceição fala sobre como o cenobamato atua dentro do organismo. “O cenobamato é um medicamento indicado para o tratamento da epilepsia, derivado do carbamato. Ele atua diretamente no cérebro, ajudando a reduzir a atividade elétrica anormal que causa as crises epilépticas. Seu diferencial está no seu mecanismo de ação que combina dois efeitos importantes: Diminuição da atividade elétrica excessiva dos neurônios e no aumento da atividade do sistema inibitório natural do cérebro (sistema GABA), o qual ajuda a “frear” essa atividade”.
A neurologista ainda diz sobre quais tipos de epilepsia o remédio é indicado e como ele se diferencia dos demais antiepiléticos comercializados no país. “Os estudos mostram que o cenobamato é indicado para adultos com epilepsia focal (quando as crises começam em uma parte específica do cérebro), cujas crises não estão controladas, mesmo com o uso de outros medicamentos. Portanto, o cenobamato foi estudado principalmente para epilepsia focal de difícil controle em adultos, sendo utilizado como terapia adjuvante. Isso significa que ele não é usado sozinho, mas sim em associação com outros medicamentos antiepilépticos, com o objetivo de melhorar o controle das crises quando os tratamentos anteriores não foram suficientes. De forma geral, o fármaco apresentou maior eficácia na redução das crises e maior chance de o paciente ficar sem crises, além de eficácia consistente mesmo em pacientes já tratados com múltiplas drogas. Outro ponto importante é seu mecanismo de ação diferente o que pode explicar a resposta positiva em pacientes que não melhoraram com outras opções”, disse a médica.
Como Ajudar
O Protocolo CALMA, criado pela Associação Brasileira de Epilepsia e a Liga Brasileira de Epilepsia, indica o jeito correto de lidar com alguém que estiver em meio a uma crise:
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