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Número de pessoas em situação de rua inscritas no CadÚnico cresce 373% em 10 anos

IBGE lança, no Rio de Janeiro, o 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua

Foto: Divulgação
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Larissa Martins

A população em situação de rua tem aumentado significativamente em Petrópolis ao longo dos anos. De fevereiro de 2016 até fevereiro deste ano, o número cresceu 373%, saindo de 87 para 412, segundo o painel de monitoramento do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), com base no Cadastro Único (CadÚnico).

Esse grupo populacional enfrenta a realidade da pobreza extrema, o rompimento dos laços familiares e a falta de moradia fixa, utilizando espaços públicos como lar.

Mesmo com o número crescendo, a prefeitura informou que Petrópolis tem uma rede de acolhimento da população em situação de rua que é realizada de forma contínua pela Secretaria de Assistência Social, por meio de uma rede articulada que inclui o Serviço Especializado em Abordagem Social, o Centro de Referência Especializado para Pessoas em Situação de Rua (Centro POP) e o Núcleo de Integração Social (NIS), além da parceria com demais políticas públicas.

“As abordagens sociais são realizadas tanto por demanda espontânea quanto por encaminhamentos oriundos de equipamentos públicos, como os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e unidades de saúde. Há também o trabalho de busca ativa, no qual as equipes percorrem regularmente o Centro e os distritos com o objetivo de identificar pessoas em situação de rua e ofertar atendimento”, disse.

Ainda de acordo com a nota enviada ao Diário, o Centro Pop oferece escuta qualificada, identificar necessidades imediatas e construir um plano individual de acompanhamento, com foco na superação da situação de rua.

“ Também são ofertados serviços essenciais, como alimentação, banho e guarda de pertences, além de encaminhamentos para emissão de documentos, atendimento em saúde, acesso a benefícios eventuais, entre outros. Outra possibilidade de acolhimento é no Núcleo de Integração Social (NIS), onde é possível fazer o pernoite”, acrescentou.

Cenário nacional

Nesta terça-feira (28), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizou no Rio de Janeiro (RJ), no Centro de Atendimento Integrado às Pessoas em Situação de Rua CIPOP-RUA/RJ, o segundo de três lançamentos regionais do 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua. A iniciativa estabelece, pela primeira vez, um levantamento estatístico nacional dedicado exclusivamente a esse segmento da população.

Desenvolvido pelo IBGE em parceria com instituições públicas, organizações da sociedade civil e movimentos sociais, o Censo destina-se à contagem e à caracterização demográfica e socioeconômica da população em situação de rua do País, constituindo-se como instrumento essencial para o fortalecimento das políticas públicas voltadas a esse grupo populacional, ao fornecer uma base estatística robusta, padronizada e comparável em âmbito nacional.

A pesquisa permitirá identificar, com rigor metodológico, a distribuição territorial, o perfil sociodemográfico e as condições de vida da população em situação de rua, suprindo lacunas históricas decorrentes da fragmentação e heterogeneidade das fontes existentes.

Representando o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o desembargador Marco Aurélio Bezerra, coordenador do CIPOP-Rua/RJ, ressaltou a importância de conhecer a população alvo da operação. “São pessoas expulsas de casa por diversos motivos, e precisamos entender e conhecer a realidade delas. Vamos tornar visíveis os invisíveis. O IBGE vai dar o diagnóstico para que possamos enfrentar essa situação”, declarou.

Vladimir Miranda, diretor-adjunto de Pesquisa do IBGE, relembrou o workshop realizado há algumas semanas sobre o tema. “Essa operação é uma construção coletiva, com a população, ministérios, entidades e movimentos sociais, avançando mais um degrau. Assim, ajudaremos na formulação de políticas públicas e, um dia, não precisaremos mais fazer esse censo, porque não teremos mais ninguém nessa situação”, disse.

A DGC foi representada por sua diretora, Maria do Carmo Bueno. “É um momento importante para o IBGE, de cumprimento da nossa missão em retratar o Brasil. Essa população sempre foi invisibilizada, e queremos trazer dignidade a ela. Por ser da Geografia, não posso deixar de falar do território e sua importância na operação, em que levantaremos os espaços por onde essa população circula, integrando a Geografia e a Estatística”, destacou.

Flávio Lino, que atua como secretário-executivo do Movimento Nacional da População em Situação de Rua no Rio de Janeiro, estava emocionado. “Isso é o fortalecimento das instituições. O fato de ocorrer essa operação mexeu com a estrutura do país. Temos que apoiar o IBGE e levar isso ao conhecimento da população”, afirmou.

Em situação de rua, Igor Santos deu seu depoimento. “Não estamos nessa condição por vontade própria. Em alguns casos foram atitudes que nos levaram a essa situação. Somos olhados com desprezo e discriminação. Que os órgãos públicos e a sociedade nos enxerguem como pessoas, cidadãos”, disse.

O presidente do IBGE, Márcio Pochmann, falou da dívida do Instituto com essa parcela da população. “Estarmos aqui há 90 anos, mostrando a nossa realidade, permitiu que o sistema estatístico pudesse atender a essa dívida. Os censos realizavam levantamentos sobre pessoas com domicílio fixo, mas sabemos do aumento de pessoas que não o possuem. Aqui está o esforço de três décadas, unindo várias instituições, com suporte técnico, e que será referência para outros países”, declarou.

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