- Fátima Argon, titular da cadeira nº 26 e ex-presidente do IHP
Comemorar o 88º aniversário do Instituto Histórico de Petrópolis (IHP), fundado em 25 de setembro de 1938, é motivo de festa e de júbilo. Mais do que celebrar a passagem do tempo, a data representa o reconhecimento de uma trajetória marcada pelo compromisso com a preservação da história e do patrimônio de Petrópolis. Apesar das dificuldades enfrentadas ao longo de sua existência, o Instituto permanece empenhado em cumprir sua missão, atuando como um dos guardiães da memória coletiva da cidade e contribuindo para que seu passado seja preservado, estudado e transmitido às novas gerações.
Mas a celebração também deve ser um momento de reflexão. Ao olhar para a trajetória do Instituto, podemos reconhecer suas inúmeras realizações, a relevância de sua atuação e o prestígio que conquistou em diferentes momentos de sua história. Foram outros tempos, em que instituições como o IHP ocupavam um espaço de maior centralidade na vida cultural e intelectual da cidade. Hoje, porém, a realidade é diferente. A sociedade mudou, novas formas de produção e de difusão do conhecimento surgiram e a relação das novas gerações com a história e a memória também se transformou. Nesse novo cenário, o Instituto perdeu parte da força e da projeção que já teve e precisa encontrar novas formas de atuação para reafirmar sua importância.
Para se manter viva e atuante, uma instituição de memória não pode permanecer alheia às transformações da sociedade. É necessário criar projetos capazes de dialogar com as novas gerações, despertar nelas o sentimento de pertencimento e ampliar sua participação na preservação da história e da memória de Petrópolis. É preciso, também, ampliar os registros da memória da cidade, incorporando novas experiências, novos testemunhos e diferentes formas de narrar sua história.
Esse trabalho, contudo, não pode ser realizado isoladamente. A preservação da memória coletiva é uma responsabilidade compartilhada e exige a participação do poder público municipal, das instituições culturais e educacionais e, sobretudo, da sociedade civil organizada. É preciso criar uma aproximação maior entre o Instituto e a sociedade, para que o patrimônio histórico e a memória de Petrópolis sejam reconhecidos não apenas como herança do passado, mas como elementos vivos da identidade da cidade.
Celebrar, portanto, não significa apenas olhar para o passado com orgulho. Significa reconhecer as transformações ocorridas ao longo de seus 88 anos, compreender os desafios do presente e pensar no futuro. O Instituto Histórico de Petrópolis tem uma história que precisa ser preservada, mas também tem diante de si o desafio de construir novos caminhos para continuar sendo uma instituição viva, atuante e necessária à cidade.
Viva o IHP!
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