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  Páscoa

O verdadeiro sentido da Páscoa

Muito além do chocolate, o renascimento

Jaqueline Gomes

 Leninha Wagner

Uma das datas comerciais mais rentáveis, a Páscoa guarda significados muito maiores para os cristãos do que a troca de chocolates. Apesar de significados teológicos diferentes, é uma época de profunda reflexão e respeito. Neuropsicóloga Leninha Wagner explica que o sentido da data vai muito além do que a tradição já impregnada na sociedade de valorizar o coelho e o chocolate.

A palavra, originada do hebreu “pessach”, significa “passagem”. A festa é celebrada por judeus há milhares de anos para comemorar a libertação e êxodo do Egito, após 300 anos de sofrimento como escravos. Porém, tal data carrega também o lado cristão, que celebra a dor, sofrimento, mas comemora a passagem para um lugar melhor, ou seja, um recomeço.

De acordo com o Frei Reinaldo Avila de Moura, OFMCap.,  para os cristãos a Páscoa significa a festa da vitória da vida sobre a morte.

- A Páscoa é uma festa já celebrada no antigo testamento, uma festa judaica que para nós cristãos toma um sentido renovado como a festa da vitória da vida sobre a morte, da luz sobre a treva, da graça sobre o pecado, do perdão sobre a vingança. Ela tem sua centralidade na pessoa de Jesus, que morre e ressuscita. A Páscoa para nós hoje é, nada mais nada menos, que celebrar uma vida nova, a vida que se renova a partir da ressurreição de Jesus Cristo – explica Frei Reinaldo.

- Eu vivo a Semana Santa com muita reflexão e o propósito de me tornar uma pessoa melhor. Faço jejum, não porque comer carne na Sexta-feira Santa é pecado, mas, para relembrar o sacrifício que Jesus fez por nós. É claro que distribuo chocolates para meus filhos e netos, mas, sempre ensinei pra eles que o mais importante é a ressurreição de Cristo – afirmou a dona de casa Maria de Souza.

Assim, como ela, o microempresário João Rosa acredita que a religiosidade da época deve ser mais importante que o consumismo.

- Eu compro chocolates para distribuir em orfanatos, mas, coloco sempre um bilhetinho falando sobre Cristo, do que Ele foi capaz de fazer por amor pela humanidade. Escrevo que não é o coelhinho da Páscoa que deve ser idolatrado, mas, Jesus – explica João.

Diante do atual cenário pandêmico e considerando as dores da humanidade, a neuropsicóloga Leninha Wagner é taxativa: “Sempre depois de um período de sofrimento, avaliamos, já com a devida distância do fato ocorrido; e constatamos que é preciso mudar, renascer”.

Além das doutrinas religiosas, Leninha reforça que “podemos nos inspirar na mitologia grega, na lenda de Quiron O Curador Ferido, que passou de Centauro Guerreiro a Curador. Certa vez, em batalha ao lado de seu melhor amigo Hércules, eles mataram o monstro Hidra de Lerna com cabeças envenenadas. Acidentalmente o amigo feriu Quiron na coxa com uma das flechas saturadas de sangue do monstro. Embora imortal, ele não conseguia curar a si mesmo, ficando condenado a viver em sofrimento. Ferido e com um ponto sensível que doía ao ser tocado, reconheceu que possuía uma vulnerabilidade”, detalha.

Os ferimentos de Quiron, completa a neuropsicóloga, o transformaram num curador ferido. “Aquele que, por meio de sua própria dor, é capaz de compreender a dor dos outros. Ele representa a parte ferida de cada um, simbolizada por alguma deficiência, limitação ou problema, que o torna benevolente em relação aos que o cercam, pois entende-lhes o sofrimento com compaixão”.

O relato desta história grega se aplica nos dias atuais, onde as famílias precisam se isolar e não podem passar o próximo fim de semana juntos: “Assim somos nós diante da Celebração da Páscoa ainda em plena Pandemia. Reconhecendo que estamos todos feridos, sensíveis, vulneráveis. Que podemos ressurgir da nossa própria dor com o firme propósito de ter relações mais saudáveis, mais recíprocas, mais gentis”, destaca.

Afinal, Leninha ressalta que, “só pode curar quem entende de dor, por carregar sua própria chaga interna. Estamos em busca de um novo e melhor momento. Nossa ambição incessante agora, deve ser em busca de aumentar nosso império interior, dilatar as fronteiras do eu, ampliando o horizonte existencial”.

Diante disso, “quando desfrutamos dos nossos recursos internos, que somente a nós pertence. Oferecemos o nosso melhor ao outro e recebemos o mesmo conteúdo de valor. Aliás, com o passar do tempo, novos caminhos devem ser considerados”, acrescenta a neuropsicóloga.

E como renascer em meio a este cenário tão difícil? Para Leninha Wagner, “Mudar é saudável! Troque as coisas de lugar, repense suas prioridades, valorize quem esteve com você, quem se importou. Faça novos planos, trilhe novos caminhos, e libere espaço para o perdão, e neste lugar plante sementes de bons e novos sentimentos. É tempo de renovação, de ressurreição!

“Mova-se, comova-se, envolva-se no sentimento de transformação que essa data proporciona e que esse tempo exige: compaixão e solidariedade”, finaliza.



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