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Onze mortes por leptospirose em dez anos na cidade

Chuvas intensas de verão podem trazer a doença

Foto: Reprodução
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Larissa Martins

Com o período chuvoso registrado em Petrópolis e em todo o estado do Rio de Janeiro, durante o verão, é comum que algumas áreas alaguem. Entretanto, é preciso estar atento para evitar o contato com a água contaminada com a urina de roedores. As inundações favorecem a disseminação e a persistência da bactéria da leptospirose no ambiente, facilitando a ocorrência de surtos.

De 2015 a 2025, onze pessoas morreram no município devido a doença, de acordo com o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Foram confirmados 183 casos, dos quais os homens e pessoas entre 30 e 39 anos tornaram-se as principais vítimas.

Características e sintomas

Segundo explica a médica infectologista do Hospital Icaraí e do Hospital e Clínica São Gonçalo, Dra. Tania Barroso, a leptospirose é uma doença bacteriana febril aguda que pode ser assintomática (sem sintomas) ou oligossintomática (com poucos sintomas), mas que também pode evoluir de forma grave, com insuficiência renal e insuficiência respiratória.

“A principal característica da leptospirose, quando sintomática, é o início agudo de febre associada a dor muscular intensa, especialmente nas panturrilhas, evoluindo com o aparecimento de icterícia (pele e olhos amarelados) e urina escurecida (colúria)”, afirma a médica.

Segundo a especialista, nas formas leves os sintomas incluem febre, cefaleia e mialgia (dor muscular). Já nas formas mais graves, a doença pode evoluir com icterícia, insuficiência renal e, muitas vezes, pneumonia hemorrágica, que pode levar a óbito.

Formas de contaminação

A especialista complementa que a contaminação pela bactéria Leptospira ocorre nas seguintes situações:

Contato com água ou solo contaminados: principalmente durante enchentes, em contato com lama ou esgoto;

Pele lesionada: a bactéria pode penetrar por cortes, arranhões ou até mesmo pela pele íntegra quando imersa por longos períodos;

Mucosas: contato com olhos, nariz ou boca;

Animais reservatórios: os ratos são os principais transmissores, mas outros animais, como cães, suínos e bovinos, também podem transmitir a doença.

A médica alerta que a leptospirose só é transmitida quando o rato está infectado pela bactéria Leptospira e há uma solução de continuidade na pele, como cortes ou arranhões.

“A leptospirose tem cura, mas, sem tratamento, pode causar sérios danos à saúde, como problemas renais, meningite, insuficiência hepática, dificuldades respiratórias e até a morte. O tratamento é feito com antibióticos e hidratação intensa. Nos casos mais graves, há necessidade de internação hospitalar para hidratação venosa”, finaliza a médica.

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