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  Polícia

Operação Furna da Onça resulta na prisão de dez deputados estaduais

 

Com base eleitoral em Petrópolis, Marcus Vinícius Neskau (PTB) foi alvo da operação do MPF, PF e Receita Federal

O Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal (PF) e a Receita Federal deflagraram ontem (8) a Operação Furna da Onça para investigar a participação de deputados estaduais do Rio de Janeiro em esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, loteamento de cargos públicos e de mão de obra terceirizada, principalmente no Detran. A ação é um desdobramento da Operação Cadeia Velha. No total, foram cumpridos 22 mandados de prisão (19 temporárias e três preventivas, referentes aos réus da Cadeia Velha) e 47 de busca e apreensão.

Em Petrópolis, o deputado estadual Marcus Vinícius Nesaku (PTB) foi preso em casa, em um condomínio no bairro Retiro. Os agentes também cumpriram mandado de busca e apreensão no escritório do deputado, localizado no Centro. Outros nove deputados tiveram a prisão decretada: André Correa (DEM), Chiquinho da Mangueira (PSC), Coronel Jairo (MDB), Luiz Martins (PDT), Marcelo Simão (PP), Marcos Abrahão (Avante), Paulo Melo (MDB), Edson Albertassi (MDB) e Jorge Picciani (MDB). Nos três últimos casos, foram expedidas novas ordens de prisão. Picciani está cumprindo pena domicilar, conforme determinação judicial.

Os parlamentares são suspeitos de lotear cargos em empresas que prestavam serviços para a Alerj e para o Detran durante o segundo governo Sérgio Cabral. Os parlamentares, de acordo com a denúncia, recebiam propinas mensais durante o período entre 2011 e 2014. De acordo com as investigações, a propina resultava do sobrepreço de contratos estaduais e federais.

O secretário de Governo, Affonso Monnerat, o atual presidente do Detran, Leonardo Silva Jacob, e seu antecessor, Vinícius Farah - eleito deputado federal - também foram alvos da operação. De acordo com o MP, eles são investigados pela distribuição de cargos públicos e de vagas de trabalho em empresas fornecedoras de mão de obra terceirizada, principalmente para o Detran.

“Mensalinho” e “prêmios” 

Segundo o MP, as investigações  incluem relatos de colaboradores, corroborados por provas independentes colhidas pelo MPF e pela PF. Os documentos apontaram que o “mensalinho” e os “prêmios” eram pagos a deputados como contrapartida por votos em favor de projetos de lei de interesse da organização e por atuações contra o avanço de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), entre outros. Os “mensalinhos” foram confirmados num sistema dos doleiros “Juca Bala” e “Tony”, que permitiu identificar data, valor e recebedor de quantias intermediadas por Carlos Miranda, um operador de Cabral.

Com seus relatórios de inteligência financeira, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) deu suporte às conclusões dos investigadores, pois identificou movimentações atípicas e em quantias muito altas envolvendo recebedores de propina.

“De forma ilícita, os parlamentares eram beneficiados ainda com o loteamento de cargos em diversos órgãos públicos do Estado, onde poderiam alocar mão de obra comissionada ou terceirizada”, afirma nota da PF.

De acordo com a Polícia Federal, os investigados devem responder, na medida de suas participações, pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro.

O nome Furna da Onça faz referência a uma sala ao lado do plenário da Alerj, onde deputados se reúnem para ter conversas reservadas, destinada às combinações secretas que resultam em decisões individuais antes das votações, momento conhecido como a hora da “onça beber água”.

 



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