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Os 88 anos do Instituto Histórico de Petrópolis

- Leandro Garcia Professor da UFMG, membro titular do IHP e da APL

Foto: Divulgação
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Esta semana, celebramos os 88 anos de fundação do Instituto Histórico de Petrópolis (IHP), motivo de júbilo e também propício para (re)questionamentos de rumos, caminhos e escolhas que definem esta instituição singular para a história petropolitana. Tenho a honra de compor o seu quadro titular, o que me possibilita levantar alguns problemas e questões que devemos pensar e julgar, nesta reta final para, em 2028, celebrarmos dignamente os seus 90 anos:

HISTÓRIA: de que História queremos falar e narrar? Em geral, a História dos vencedores sempre foi privilegiada, mas e a História dos pobres, perdedores e anônimos, será que a historiografamos com o mesmo ímpeto? Lembro dos grupos mais simples da nossa cidade tais como trabalhadores, posseiros, favelados, prostitutas etc., bem como instituições como escolas, fábricas, espaços religiosos, sindicatos, comércio, clubes e congêneres. Todos compõem a história da nossa cidade. Importante: a opção por esta historiografia não anula ou oblitera a outra, acho que ambas são legítimas e devem ser narradas. O problema é a opção unilateralista, seja ela qual for.

PODER PÚBLICO: há alguns anos que o poder público petropolitano especialmente o Executivo e o Legislativo ignora e finge que as nossas instituições culturais inexistem no âmbito da nossa cidade. Não apenas o IHP, mas também as academias literárias atualmente sofrem com um total descaso dos poderes constituídos. Já passou da hora de recebermos um reconhecimento e uma valorização oficial, inclusive, com a outorga de verbas e dotações públicas, que seriam revertidas para a nossa atuação cultural e acadêmica dentro da própria cidade através de cursos, eventos, publicações e outras ações afirmativas. Lembro que, em 2025, se não fosse o IHP, a Academia Petropolitana de Letras e o Museu Imperial, o bicentenário de nascimento do imperador D. Pedro II teria passado praticamente em vão, pois a cidade que leva o nome de Pedro através dos poderes públicos foi incapaz de celebrar decentemente aquele que batiza o seu nome.

O PRÓPRIO IHP: como qualquer instituição antiga, é sempre necessário fazer uma avaliação da sua atuação e dos seus rumos, inclusive, internos. Com um mundo em constante transformação, a própria noção de História (e como narrá-la) vem mudando radicalmente e numa velocidade que não acompanhamos com facilidade. Neste aspecto, como o IHP enfrenta essas mudanças? Certamente, a mesma metodologia que funcionou ao longo de décadas não funciona integralmente nos dias hoje! E as redes sociais e outras formas de comunicação hodierna, estamos acompanhando? Podemos até discordar, mas é impossível ignorar o peso das redes sociais e sua atuação; e isso também impacta em qual público queremos atingir, em outras palavras: o público amplo que o IHP deveria atingir. Isso tem sido feito? Creio que não e os motivos são vários: esse tipo de linguagem em si, falta de profissionais especialmente designados (ou contratados) para isso, falta de verba específica para tal finalidade etc... ou mesmo o desinteresse de muitos pelo mundo virtual. Este é apenas um exemplo do quanto precisamos avançar, temos várias outras carências de representação e atuação.

OS PRÓPRIOS SÓCIOS: temos percebido, nos últimos tempos, no âmbitos de TODAS as instituições congêneres, um sintomático desinteresse por parte daqueles que compõem os nossos institutos e academias. Os motivos e alegações são vários, não entrarei em detalhes; todavia, quando esses são externos, a gente acusa e cobra no sentido de resolvê-los, mas quando as questões e os dissabores pessoais são internos, cabe a nós a busca de soluções. Recentemente, numa cerimônia de posse de novos sócios correspondentes, foi triste e desolador perceber que dos seus 40 membros titulares apenas 10 se fizeram presentes! Foi triste testemunhar a alegria e o orgulho dos recém empossados, com suas famílias e amigos vindos até de outros estados, contrastando com o vazio institucional da Casa que os recebia! Isso tudo pode ser revisto e consertado, dependendo apenas de nós. Se os poderes públicos não fazem a sua parte e contribuem para a extinção das nossas instituições, cabe a nós a tarefa hercúlea de as mantermos vivas e atuantes. Não podemos ser, nós mesmos, os agentes da destruição.

Esses fatores não devem ser vistos individualmente, mas em conjunto. É urgente que o município de Petrópolis e os seus poderes constituídos enxerguem a existência das nossas academias e do nosso Instituto Histórico; e aqui, “enxergar” é valorizar não apenas com diplomas e placas comemorativas, mas sobretudo com ações afirmativas e práticas que possam contribuir para a continuidade e ação das mesmas no seio da sociedade petropolitana. Falo de verbas, convênios, dotações, decretos e outros mecanismos legais que podem e devem ser utilizados na salvaguarda e manutenção dessas Casas que guardam a memória da Cidade de Pedro, de sua bela e complexa história. Por isso, brado em alta e contundente voz: viva o nosso Instituto Histórico de Petrópolis!

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