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Os cuidados com a saúde mental dos adolescentes

Foto: Freepik
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Darques Júnior Especial para o Diário

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, na última quarta-feira (25), um alerta sobre a saúde mental entre os jovens. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNse), três em cada dez estudantes entre 13 e 17 anos afirmaram se sentir tristes na maioria das vezes. Em Petrópolis, segundo dados do DATA-SUS, do Governo Federal, apenas uma pessoa entre a faixa etária dos 15 a 19 anos foi internada por questões relacionadas à saúde mental e comportamental.

Os dados do PeNse ainda apontaram que 34,4% dos alunos das escolas públicas do estado do Rio de Janeiro tem sentimentos de tristeza na maioria das vezes nos últimos 30 dias, além de 18,9% realizarem autoavaliações negativas sobre a própria saúde mental. No Estado, 115 intenções relacionadas a transtornos mentais e comportamentais entre jovens de 15 a 17 anos foram registrados pelo DATA-SUS.

Em entrevista realizada pelo instituto com 118.099 adolescentes das 4.167 escolas públicas por todo país em 2024, incluiu que 42,9% dos alunos responderam que se sentem irritados, além de 18,5% acreditarem que “a vida não vale a pena ser vivida”.

O estudo também aponta que, em todos os indicadores de gênero, as meninas são as que possuem quadro mais alarmante: 41% das jovens se sentem triste sempre ou na maioria das vezes, 43,4% já tiveram vontade de se machucar de propósito, 58,1% delas se sentem irritadas, mal-humoradas ou nervosas por qualquer motivo, 25% pensam na maioria das vezes que a vida não vale a pena ser vivida, 39,7% acreditam que os pais não atendem suas preocupações e 33% delas creem que ninguém se preocupa com elas.

O IBGE ainda calculou que cerca de 100 mil estudantes brasileiros autoprovocaram algum tipo de lesão nos 12 meses anteriores da pesquisa, equivalente a 4,7% dos acidentes e lesões no período analisado. Em relação a gêneros, os dados apontam maiores proporções de autolesões são provocadas entre meninas, onde 6,8% apresentaram algum ferimento autoprovocado contra 3% entre os meninos.

Segundo a psicóloga Regina Resende, as meninas, de forma geral, apresentam uma sensibilidade emocional mais acentuada, além de fatores hormonais que contribuem para uma maior vulnerabilidade a crises de ansiedade que, muitas vezes, caminham junto com a depressão. “Além disso, existe uma forte pressão social relacionada à aparência, que começa ainda na infância e se intensifica na adolescência e na vida adulta”, disse.

A psicóloga ainda comentou que, nessa fase da vida, muitos jovens acabam se isolando por conta das redes sociais e jogos. Além disso, Regina falou que, com a limitação do uso desses dispositivos nas escolas, houve uma melhora nesse aspecto, já que os alunos passaram a interagir mais entre si. “Ainda assim, a ansiedade e a depressão comprometem funções cognitivas importantes, como a atenção e a memória, dificultando o aprendizado e prejudicando o desempenho, o que pode gerar um ciclo de frustração e agravamento emocional”.

A psicóloga Keila Braga, por sua vez, ressaltou como as redes sociais têm impacto em diversos aspectos relacionados a controles emocionais, onde os adolescentes acabam criando mais cedo um processo de projeção, além de ressaltar como essa projeção é intensificada pelas transformações hormonais e corporais, que contribuem mais ainda para essa irritabilidade. “Com a projeção, aquilo que o jovem almeja e não consegue se torna uma frustração.  A comprovação com corpos perfeitos, a vida ‘perfeita’ se torna algo inalcançável, além do medo de ter que escolher e pensar ‘no que quer ser’ pesa na adolescência”.

Keila ainda mencionou como o pilar da adolescência é o diálogo com negociação. Segundo a psicóloga, os jovens em geral têm uma mudança brusca de atitude nessa fase e é preciso entender que as emoções ficam com uma intensidade maior e a ansiedade ter sua própria identidade acaba causando conflitos com os pais. “Sempre oferecer liberdade para conversas "difíceis" como, por exemplo: sexualidade, responsabilidade e independência financeira”, concluiu.

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