Cobertura vacinal abaixo da meta, mudanças climáticas e desinformação ampliam riscos no período de maior circulação de vírus respiratórios
O início do outono marca o aumento da circulação de vírus respiratórios, como influenza e Covid-19. No entanto, a baixa adesão às campanhas de vacinação acende um alerta. Dados do Ministério da Saúde apontam que, em 2025, a vacinação contra influenza atingiu pouco mais de 40% do público prioritário índice abaixo da meta de 90% estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).
A queda na procura vem sendo registrada desde 2021, especialmente entre idosos, grupo mais vulnerável a hospitalizações e óbitos. No caso da Covid-19, embora a maioria da população tenha recebido ao menos uma dose, a adesão aos reforços é significativamente menor, comprometendo a proteção contra formas graves.
O esquema vacinal contra Covid-19 integra o Calendário Nacional de Vacinação. Crianças pequenas devem seguir o esquema primário conforme o imunizante utilizado. Já adolescentes e adultos precisam completar duas doses e manter os reforços em dia, especialmente idosos, gestantes, imunossuprimidos, pessoas com comorbidades e profissionais de saúde. Mesmo quem já teve a doença deve se vacinar, pois a imunização amplia e prolonga a proteção.
“O cenário se torna ainda mais desafiador diante das mudanças climáticas. Variações bruscas de temperatura, períodos mais frios e maior permanência em ambientes fechados favorecem a transmissão viral, aumentando a vulnerabilidade, sobretudo entre idosos e pessoas com doenças crônicas”, alerta Cissa Cardoso, enfermeira e docente da Estácio.
Em 2026, o Ministério da Saúde atualizou o Calendário Técnico Nacional de Vacinação, incluindo nova composição da vacina contra influenza, definida pela Anvisa, e mantendo a vacinação contra Covid-19 como estratégia rotineira. As doses estão disponíveis gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
Apesar disso, a baixa adesão permanece como obstáculo. Fatores como fadiga pós-pandemia, redução da percepção de risco e disseminação de fake news influenciam diretamente a procura. “A desinformação é hoje um dos maiores desafios da saúde pública. Muitas pessoas deixam de se vacinar por medo ou por informações falsas que circulam nas redes sociais”, destaca a profissional.
Ela reforça que a orientação segura é buscar informações com profissionais habilitados. “A sala de vacina é um espaço técnico, organizado e seguro. O enfermeiro é responsável pela avaliação da situação vacinal, pela conservação adequada dos imunizantes e pela orientação baseada em evidências científicas. Diante de qualquer dúvida, a população deve procurar a UBS e não confiar automaticamente em conteúdos recebidos por aplicativos de mensagens”, informou Cissa.
No contexto atual, fortalecer a Atenção Primária à Saúde é essencial. As UBS são a porta de entrada do SUS e o local onde a situação vacinal é avaliada individualmente, considerando histórico de doses, intervalo desde a última aplicação e presença de fatores de risco.
"O outono representa uma janela estratégica de prevenção. Em um cenário de mudanças climáticas, circulação viral contínua e cobertura vacinal reduzida, manter a vacinação em dia é uma medida fundamental de proteção individual e coletiva", conclui a profissional.
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