Mauro Peralta - médico e ex-vereador
Na última terça-feira, o Conselho Municipal de Saúde aprovou a criação de um serviço de atendimento veterinário de urgência custeado com o dinheiro dos impostos que todos nós pagamos. O mais preocupante é que todos os votos do governo foram favoráveis à medida. Mesmo que o Estado arcasse com parte das despesas, como ocorre com as UPAs, o município ainda ficaria responsável pela maior parte do custeio.
Provavelmente será mais um projeto para inglês ver, ou seja, de faz de conta. Para quem não conhece a origem da expressão, ela vem do século XIX, quando a Inglaterra pressionou o Brasil para acabar com a escravidão. O governo brasileiro, para dar satisfação aos ingleses, criou uma lei proibindo o tráfico de escravos, mas não a fiscalizava, permitindo que o tráfico continuasse normalmente.
Ora, num momento de péssima gestão da saúde municipal, com falta de medicamentos básicos, suspensão de cirurgias no Hospital Alcides Carneiro por falta de antibióticos simples como o metronidazol, e aumento das filas de espera por exames e cirurgias, o governo deveria estar concentrado em resolver o que é essencial. O próprio Dr. Jorge Martins tem realizado audiências públicas na tentativa de minimizar o sofrimento da população mais carente.
Já passou da hora de nossas autoridades tomarem providências reais. Mesmo sem estar mais no cargo de vereador, continuo recebendo pedidos diários de ajuda de pessoas desesperadas. Na última quarta-feira, o almoço dos funcionários foi ovo mexido; na quinta, ovo cozido; e, se nada mudar, na próxima semana teremos ovo frito e depois ovo pochê. Esse é o retrato da falta de gestão e planejamento.
Enquanto isso, o município comemora mutirões e caminhões de exames como se fossem grandes conquistas, quando na verdade são apenas provas da ineficiência do sistema. Cada dia sem atendimento, como o que teremos na próxima segunda-feira, aumenta ainda mais a fila, porque as consultas e exames cancelados precisarão ser remarcados. A ausência de altas médicas aos sábados, domingos e feriados também agrava o problema, prolongando internações e impedindo a entrada de novos pacientes.
Não existe almoço grátis. Por que não pensar em uma parceria público-privada com a Estácio de Sá, que possui curso de veterinária, para oferecer atendimento aos pets da população mais carente? Ou ainda uma parceria com a Faculdade de Medicina de Petrópolis, cujos alunos pagam 11 mil reais mensais, ajudando assim no custeio do Hospital Alcides Carneiro?
Senhor Prefeito, é hora de reduzir despesas, diminuir os aluguéis, enxugar o número de secretarias e cargos comissionados e substituir secretários ineficientes. Petrópolis precisa de gestão, austeridade e coragem. Nunca é tarde para começar a governar de verdade.
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