Demétrio do Carmo - Especial para o Diário
O crescimento do distritos de Petrópolis nos últimos anos tem sido motivo de preocupação de diversas entidades civis. Regiões rurais da região por exemplo, são de grande potencial turístico, econômico e social porém, a necessidade de políticas públicas voltadas para um crescimento ordenado se faz urgente, uma vez que a expansão é visível a olho nu, com cada vez mais empreendimentos, o que mexem com o dia a dia de moradores e turistas.
A Vila de Secretário é um exemplo deste crescimento. Cercada por paisagens exuberantes, o distrito de Pedro do Rio, tem atraído um número cada vez maior de visitantes. Aos poucos, cada vez mais turistas descobrem as belezas naturais e o clima ameno da região, suas trilhas, cachoeiras e gastronomia. Secretário reúne restaurantes e pousadas que apostam em uma culinária refinada, além de valorizar produtos artesanais produzidos na própria região. Eventos sazonais, como o Festival AgroSerra, contribuem para movimentar a economia local e ampliar a visibilidade.
Com tantas riquezas naturais, culturais e históricas, a vila, assim como toda a região, tem experimentado, nos últimos anos, um crescimento gradual, impulsionado pela chegada de novas pousadas, restaurantes e vinícola. Esse movimento, no entanto, levanta uma questão importante: como permitir que um dos principais destinos turísticos de Petrópolis continue se desenvolvendo sem perder o charme e as características bucólicas?
A equação não é simples. De acordo com dados do IBGE, a região dos distritos incluindo Itaipava, Pedro do Rio e Posse - registrou crescimento populacional de cerca de 20%, o equivalente a aproximadamente 25 mil pessoas em pouco mais de uma década. Para Jorge de Botton, diretor da NovAmosanta, entidade que acompanha o desenvolvimento social e econômico dos distritos, toda a região precisa se preparar para o futuro.
“É interessante observar que a dinâmica aqui é diferente da do primeiro distrito, onde houve redução de moradores. Isso acende um alerta para desafios como geração de empregos e a necessidade de políticas públicas que estimulem um crescimento ordenado, com mais mobilidade e qualidade de vida”, afirmou.
Além do aumento populacional, a região também recebe uma população flutuante de veranistas, que pode chegar a 10 mil pessoas em determinadas épocas do ano, o que reforça a necessidade de planejamento para os próximos anos.
Para o presidente da entidade, Carlos Eduardo Pereira, o município precisa avançar em um planejamento sustentável para os distritos, considerando a tendência de expansão da cidade. “A conclusão das obras na subida da serra deve acelerar esse movimento de crescimento na região, o que pode gerar empregos, sobretudo no setor de serviços. Além disso, a arrecadação de IPTU tende a aumentar, mas é fundamental que o município se estruture para que esse processo ocorra de forma sustentável”, disse.
A questão ambiental também preocupa. “Itaipava vem sofrendo perda de áreas verdes e, consequentemente, redução da resiliência climática. Hoje se cortam árvores, mas quase não se plantam novas. Precisamos implantar com mais força o conceito de arborização urbana e de cidade esponja, o que ajuda a amenizar problemas climáticos”, concluiu.
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