Jamis Gomes Jr. - especial para o Diário de Petrópolis
Um dado simples, mas com impacto direto na saúde: emagrecer pode aliviar significativamente a sobrecarga nas articulações. De acordo com informações divulgadas pelo The News, com base em estudo publicado na revista Arthritis & Rheumatism, a perda de apenas 1 kg de peso corporal pode reduzir em até 4 kgf a carga sobre os joelhos a cada passo.
Na prática, isso significa que pequenas mudanças no peso já geram efeitos importantes no dia a dia. Uma pessoa com 80 kg, por exemplo, pode exercer cerca de 320 kgf de força sobre os joelhos ao caminhar. Ao perder 5 kg, essa carga diminui consideravelmente, reduzindo o desgaste da articulação.
A explicação está na biomecânica do corpo. O joelho funciona como uma espécie de alavanca, absorvendo o impacto gerado a cada movimento. Quanto maior o peso corporal, maior a pressão sobre cartilagens, ligamentos e meniscos, o que, ao longo do tempo, pode levar a dores e problemas mais graves.
Excesso de peso acelera desgaste das articulações
Na avaliação clínica, a relação entre emagrecimento e melhora da dor já é bem conhecida. É o que explica o ortopedista Jonas Campos, professor da UNIFASE/FMP e membro do corpo clínico da clínica Traumacenter.
“Já temos trabalhos científicos que mostram melhora da dor em pacientes que perdem peso, seja 10 kg ou até 10% do peso corporal. Está comprovado que a perda de peso melhora a dor no joelho, claro, dependendo do grau de comprometimento da articulação”, afirma.
Segundo o especialista, o impacto do excesso de peso vai além da sobrecarga mecânica.
“O excesso de peso pode acelerar a artrose não só pelo peso em si, mas porque o tecido adiposo produz substâncias inflamatórias, chamadas adipocinas, que se acumulam nas articulações e favorecem a destruição da cartilagem”, explica.
Ele alerta ainda para os sinais de que o joelho já pode estar sofrendo.
“A dor é o principal sinal, principalmente quando é persistente ou piora com esforço. Inchaço, calor e vermelhidão também não são normais e devem ser investigados”, destaca.
Alimentação influencia inflamação e saúde articular
Além da redução de peso, a qualidade da alimentação também tem papel importante na saúde das articulações. A nutricionista Fernanda Muniz de Macedo Stumpf, professora de Nutrição da UNIFASE, reforça que o processo de emagrecimento precisa ser bem conduzido.
“A forma mais segura de emagrecer é com déficit calórico planejado, alimentação de qualidade e preservação de massa muscular. Não adianta perder peso e fragilizar o corpo”, explica.
Ela ressalta que o emagrecimento deve ser gradual e sustentável.
“Cada quilo perdido já reduz a sobrecarga articular, mas esse benefício só se mantém quando o processo é consistente e acompanhado de fortalecimento muscular”, afirma.
A especialista também chama atenção para o papel da alimentação na inflamação do organismo.
“Padrões alimentares ricos em ultraprocessados, açúcares e gorduras de baixa qualidade favorecem processos inflamatórios. Já uma alimentação baseada em comida de verdade ajuda a modular essa inflamação”, pontua.
Entre os erros mais comuns, ela destaca dietas muito restritivas e a baixa ingestão de proteínas.
“Não é só sobre o peso na balança, mas sobre a composição corporal e a capacidade funcional do corpo”, completa.
Exercícios e hábitos ajudam a proteger os joelhos
A prática de atividade física também é essencial para reduzir o impacto sobre as articulações. Segundo a fisioterapeuta Renata Pacheco, mestre em Saúde Coletiva e Controle do Câncer e coordenadora da pós-graduação em Fisioterapia na Atenção Primária à Saúde da Unifase, o fortalecimento muscular é um dos principais aliados.
“Os exercícios mais indicados são aqueles que fortalecem a musculatura da coxa e do quadril, que ajudam a proteger o joelho e reduzir o impacto”, explica.
Ela destaca atividades de baixo impacto como boas opções.
“Exercícios na água, como hidroginástica e natação, além de bicicleta ergométrica e Pilates fisioterapêutico, são bastante indicados”, orienta.
Para quem já sente dor, a recomendação é não interromper completamente as atividades, mas buscar orientação.
“O ideal é realizar uma avaliação fisioterapêutica. O tratamento costuma ser progressivo, começando com controle da dor e evoluindo para fortalecimento e retorno gradual às atividades”, afirma.
No dia a dia, pequenas mudanças também fazem diferença.
“Manter boa postura, evitar longos períodos na mesma posição, usar calçados adequados e ter atenção em movimentos como agachar ou subir escadas ajudam a reduzir a sobrecarga nas articulações”, conclui.
Com isso, especialistas reforçam que a combinação entre perda de peso, alimentação equilibrada e atividade física regular é o caminho mais eficaz para preservar a saúde dos joelhos e prevenir dores, uma realidade que pode impactar diretamente a qualidade de vida da população.
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