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  Geral

Perícia em arcada dentária ajuda a esclarecer até estupros

Exame é mais barato que a análise de DNA para identificar ossadas e pode ser utilizado no esclarecimento de vários crimes


 Eduardo Becker, presidente do SINPCRESP

As buscas por um jovem de 29 anos que tinha desaparecido em Boituva em março chegaram ao fim quando a Polícia Técnico-Científica do Estado de São Paulo identificou uma ossada humana encontrada em um canavial na zona rural da cidade. A identidade foi descoberta por meio da análise da arcada dentária. Apesar de não ser tão comentado como a identificação por impressão digital ou pelo DNA, o estudo da arcada dentária é uma técnica muito utilizada pela perícia e pode auxiliar também na identificação de criminosos em casos de violência sexual e agressão física.

Assim como os outros métodos de identificação, a perícia odontológica é uma técnica de confronto. É necessário um registro prévio para se comparar com o encontrado no corpo periciado. “É preciso haver uma documentação prévia que a pessoa fez em vida, como radiografias, fichas clínicas, prontuários odontológicos e fotografias. Como não existem duas pessoas com os mesmos formatos de dentes, raízes, seios da face e tratamentos odontológicos, cada conjunto é único e pessoal”, explica um perito criminal do Núcleo de Odontologia Legal do Instituto Médico Legal do Estado de São Paulo (IML-SP).

Após o confronto da arcada dentária encontrada com os registros, é possível confirmar, excluir ou suspeitar sobre a identidade de um corpo. “Os familiares ou conhecidos precisam trazer essa documentação ou, por vezes, entramos em contato com os profissionais que atendiam a pessoa”, afirma o perito.

A técnica também é utilizada para determinar a autoria de crimes como violência sexual e agressão física, por exemplo. O presidente do Sindicato dos Peritos Criminais do Estado de São Paulo (SINPCRESP), Eduardo Becker, explica que é comum, em casos de estupro, que o agressor morda a vítima. “A partir disso, é possível comparar com os arcos dentários do suspeito de ter cometido o crime, podendo confirmar ou excluir a suspeita”, pontua.



 Cada pessoa possui um conjunto de características
que torna sua arcada dentária única (Foto: USP Imagens)

Em casos de agressão física, o exame de arcada dentária também pode ser usado para ajudar a identificar o autor. “O primeiro instrumento que o ser humano começa a utilizar para ataque e defesa são os dentes, por isso a mordida está presente em muitos casos de agressão”, afirma Becker.

Becker avalia que é importante incentivar o uso do método, pois além de preciso, ele é mais simples e barato do que a identificação por DNA. “O menos custoso e rápido é a impressão digital, mas em casos como o encontro de ossadas, pessoas carbonizadas ou em avançado estado de putrefação, ele pode não ser possível, pois não há mais as papilas ou elas estão tão destruídas que impedem o exame”, diz. Nesse caso, explica o perito, a odontologia legal é eficaz, mais barata e muito mais rápida que o exame de DNA. “Mesmo no encontro de ossadas desconhecidas, é possível fornecer parâmetros para a investigação por meio dos arcos dentários e, trabalhando em conjunto com a antropologia forense, descobrir dados como a faixa etária, altura, sexo e ancestralidade do corpo”, completa.

No Estado de São Paulo, o Núcleo de Odontologia Legal do Instituto Médico Legal (IML) é o responsável por realizar pesquisas e perícias no campo odonto-legal. Os profissionais realizam exames em vivos, mortos e em materiais relacionados à sua área de atuação. Assim, são responsáveis também pelos exames de identificação por arcada dentária e pelos de lesão corporal.



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