Os efeitos podem ser um cansaço ou até acarretar em um melanoma no futuro
Vitor Cesar estagiário
O período do Carnaval é de muita diversão por todo o país. Na maioria dos locais, com blocos nas ruas, os foliões aproveitam e passam longas horas fora de casa, embaixo de um forte sol, sem a proteção necessária. Com isso, a chance de uma insolação, ou até um desenvolvimento de cânceres de pele aumentam consideravelmente.
A insolação, segundo o Ministério da Saúde, é uma emergência médica grave e que exige socorro imediato. O dermatologista e professor da UNIFASE/FMP, Attilio Valentini explica o que é a condição e como se prevenir durante o período. “A insolação é uma condição que ocorre quando o indivíduo se expõe excessivamente ao Sol e ao calor intenso. Ela ocorre quando a temperatura corporal se eleva e os mecanismos de transpiração se desregulam, fazendo com o que o corpo da pessoa não seja capaz de se resfriar sozinho. Durante o Carnaval, devido à aglomeração e ao esforço físico, é crucial identificar os primeiros sinais, como: dor de cabeça intensa, tontura , vertigem, náusea e/ou vômitos, pele quente e seca, pulso rápido, distúrbios visuais, confusão mental e dificuldade de concentração. Já os sintomas graves seriam: temperatura corporal acima de 40°C, respiração rápida, convulsão, extremidades arroxeadas e desmaio”.
Além disso, é necessário se prevenir e, se acontecer com alguém próximo, saber como agir. Para não se expor tanto ao sol e seus efeitos, é importante evitar horários críticos (10h às 16h), utilizar uma vestimenta adequada (chapéu de aba larga ou boné, óculos com proteção UV, roupas leves, cores claras e tecidos respiráveis) e buscar sombras ou locais arejados constantemente. Outros cuidados envolvem a hidratação regular, alimentação completa e reposição de eletrólitos.
Para o tratamento de pessoas que já estão com insolação, Attilio recomenda uma série de ações. “O objetivo primário é reduzir a temperatura corporal de forma lenta e gradual. Assim, o recomendado é remover a pessoa imediatamente para um local fresco, à sombra e ventilado, tirar o excesso de roupas e acessórios para facilitar a perda de calor, aplicar compressas de água fria na testa, pescoço, axilas e virilhas, oferecer água fria ou líquidos não
alcoólicos em pequenos goles (neste momento, não se aplica o uso de bebidas “isotônicas).Em casos graves (confusão mental, convulsão ou desmaio), acione imediatamente o SAMU (192)”.
A insolação pode até causar o óbito do paciente, se for mal administrada. “Sem tratamento imediato, as complicações incluem danos ao sistema nervoso central, convulsões, delírios, coma e lesões cerebrais irreversíveis .Também pode causar falência de órgãos, destruição do tecido muscular, e até chegar ao óbito” disse o dermatologista.
Sol e o Câncer de Pele
Além da insolação, a exposição prolongada aos raios solares podem causar sérios problemas na pele, podendo desenvolver células cancerígenas. A dermatologista oncológica do CTO, Caroline Cardoso explica como a exposição ao Sol pode causar cânceres de pele e como se prevenir. “Tanto a exposição acumulada durante a vida quanto as queimaduras solares sazonais podem ser fatores de risco para o desenvolvimento de cânceres da pele já que a luz do sol trata-se radiação solar, com ação cancerígena. O uso do protetor solar pode reduzir as chances de câncer cutâneo desde que tenham um bom fator de proteção e sejam utilizados de forma adequada. Neles, podem haver agentes químicos que absorvem e transformam os raios ultravioleta em energia inofensiva antes de causares danos à pele e os agentes físicos que refletem os raios solares, impedindo que estes penetrem na pele”.
Dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) mostram que o número de diagnósticos de câncer de pele no Brasil saltou de 4.237 em 2014 para 72.728 em 2024. A incidência da doença, segundo a entidade, apresenta um padrão regional claro, com os estados do Sul e do Sudeste concentrando taxas mais elevadas.
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